A Ordem Monástica da Escola Soto Shu

A Ordem Monástica da Escola Sôtô Shû
e Sua Adaptação na Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e na Comunidade Soto Zen Budista Zendo Sul

(A versão original deste documento foi escrito em novembro, 2005, onde estava fazendo treinamento avançada com a minha professora de ordenação, a Monja Coen. Foi publicado no site antigo do Zendo Brasil, mas saiu do ar quando aquele site foi totalmente reformulado em 2008, depois que eu já havia me transferido para Porto Alegre. Sem modificar o espírito do documento, nem os estágios propriamente ditos, tenho feito várias revisões desde aquela época, aprofundando as explicações e corrigindo detalhes.)

Como misionária oficial (Jap. fukyoshi 布教使), a Monja Coen, e, assim, a Comunidade Zendo Brasil, seguem a estrutura oficial da Escola Soto Shu do Japão (site oficial em Português) para os estágios da formação de monges e monjas (Ordem Monástica). Para a estrutura dos estágios da prática leiga, a Comunidade segue uma adaptação de critérios adotados por vários centros de prática nos Estados Unidos, onde os praticantes, leigos e leigas, que receberam os Preceitos são tão importantes quanto os monges e monjas, podendo se tornar Professores (as) do Darma, porém sem qualquer registro ou outro reconhecimento oficial da escola Soto Shu no Japão, que reserva tal qualificação somente para monges plenamente formados, com o cumprimento de todos os requisitos.

Leigos e Leigas (Jap.Zaike 在家)

Simpatizante: pessoa que freqüenta ou não a comunidade e se interessa pelo zen budismo.

Praticante: pessoa que pratica seguindo as orientações da comunidade.

Membro Praticante: pessoa que passou pela cerimônia de novos membros, mantém uma prática regular e contínua e faz uma doação mensal mínima fixada pela comunidade. Pode votar nas assembléias gerais e assumir cargos voluntários auxiliares na comunidade.

Membro Monitor Auxiliar: pessoa que fez o Curso de Preceitos, recebeu os Preceitos, em cerimônia de Jukai” 受戒 (Cerimônia de Transmissão dos Preceitos Leigos, freqüentemente chamada também de zaike tokudo” 在家得度), e mantém uma prática regular e contínua. Pode ajudar no Monitoramento das práticas. Pode votar e ser votada nas assembléias gerais. É um díscipulo leigo de Buda – daishi 大姉 ou ubai 優婆夷 (quando é uma mulher) e koji 居士 or ubasoku 優婆塞 (quando é um homem) (sanscrito: upâsika e upâsaka).

Nota: A Cerimônia de Transmissão dos Preceitos Leigos (Jukai” 受戒) não é uma ordenação – assim sendo procuramos evitar o termo leigo ordenado”, apesar do fato deste termo ter caído no uso comum no Ocidente. Os kanjis que formam o termo zaike” significam ficar no lar” e os kanjis para tokudo” significam literalmente obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem”. Corresponde aproximadamente à crisma – confirmação – católica ou o batismo protestante, sendo uma profissão formal e pública do voto de seguir o Caminho de Buda na sua vida. Não possui qualquer significado de colação de grau” ou de algum tipo de formatura”, nem confere qualquer tipo de autorização” especial. O termo monge leigo” definitivamente não existe, por ser uma contradicção de termos.

No Japão, não é feito qualquer registro da transmissão dos preceitos para leigos na sede da escola, e, freqüentemente, nem no templo local.

Membro Monitor: pessoa que praticou como Monitor Auxiliar e foi aprovada como Monitor.

Monitor Instrutor: pessoa que tendo passado por todas as fases anteriores, recebe autorização para tal, atuando sob a supervisão e direção da comunidade e da Primaz Fundadora.

Ordem Monástica (Hôkai – Graduação no Darma):

Postulante: pessoa que assumiu o compromisso de se tornar monge, fez o curso de Preceitos, recebeu os Preceitos e mantém prática diária na comunidade, seguindo as orientações diretas da superiora e de seus auxiliares.

Noviço(a) (Jap. Jôza 上座): pessoa que, tendo passado pelas fases anteriores, recebe a ordenação monástica “shukke tokudo”出家得度. Isto significa um comprometimento a se dedicar integralmente ao Darma, na busca de realizar sua própria Iluminação para depois transmiti-la aos outros, praticando sob a orientação da Primaz Fundadora e de outros monges ordenados anteriormente (“sempai”).

Não é um monge/monja formado(a)”. É um estudante-de-monge” e deve ser chamado de Noviço(a)”. É um unsui” (雲水, nuvem-água”, monge-em-treinamento, o que corresponde ao “sekha” em pali), no nível de jôza” (noviço). Não deve se apresentar como “monge”, para não confundir o público que, na cultura brasileira, interpreta o termo como significando “monge formado”, qualificado a ser um líder espiritual.

A ordenação deve ser registrada na sede administrativa da escola Soto Zen no Japão. Este registro é provisório, válido por dez anos desde o dia da ordenação, durante qual período o noviço deverá completar o seu treinamento monástico obrigatório, que varia de dois a oito anos de internamento em um mosteiro reconhecido pela sede administrativa. Também é necessária a prática em uma comunidade (Sanga), orientada por um monge Professor do Darma oficialmente reconhecido pela sede no Japão (Monge Especial), para qualificar a sua graduação. Nessa fase de treinamento, não pode ensinar ou oficiar cerimônias como as de Transmissão dos Preceitos Budistas para Leigos, Ordenação Monástica, Casamento, Funerais e outras.

Observa-se que o termo shukke tokudo (出家得度) significa deixar o lar e obter a travessia para a outra margem”. Enquanto que esta cerimônia é uma ordenação no sentido de significar a entrada numa ordem monástica, não é uma ordenação no sentido usual da palavra no ocidente no qual a pessoa é formalmente reconhecido como tendo completado o seu treinamento formal e ficando autorizada a ensinar a religião ou oficiar cerimônias e cuidar de um templo, conforme o uso desta palavra no cristianismo. Corresponde aproximadamente à ordinação sāmaṇera-pabbajjā” da tradição de Budismo Teravada, e o aluno torna-se um unsui”, ou nuvem-água”, o que corresponde aproximadamente a sāmaṇera” na tradição Teravada. Finalmente, corresponde aproximadamente à consagração de um noviço na tradição cristã, iniciando o seu treinamento formal ou o ingresso num seminário e início dos estudos. É tornar-se um estudante-de-monge. Algumas escolas, como a Terra Pura, realizam a cerimônia de Tokudo no final do treinamento e não no início.

Nota: No Brasil e em outros países de maioria não Budista, alguns noviços e noviças autorizados a auxiliar nas cerimônias podem substituir estas cerimônias com uma benção simples, na ausência absoluta de um monge ou monja formado para oficiar cerimônias de casamento e/ou batizado. Algumas outras escolas, com a Verdadeira Terra Pura Japonês, realizam esta cerimônia de ordenação (shukke tokudo) no final do treinamento, mas a regra mais comum no budismo é da cerimônia ser realizada no início do treinamento.

Shuso (首座): Líder dos Noviços durante um período de treinamento intensivo com um mínimo de três meses (um Ango), no qual fica tempo integral na comunidade. Passa pela Cerimônia de Combate do Darma (Jap. Shuso Hôssenshiki 首座法戦式), que representa a re-confirmação de seus votos. Corresponde aproximadamente à conclusão dos estudos de seminário na tradição católica.

Monge-Aprendiz (Jap. Zagen 座元): pessoa que terminou o período de Shuso, e continua o seu treinamento sob a orientação de monges superiores. O seu registro como unsui” (nuvem-água”, monge-em-treinamento) na sede da escola Soto Zen torna-se definitivo, agora na graduação de zagen”. Pode, sob a orientação de seus professores, oficiar algumas cerimônias básicas, liderar ou orientar certas atividades da prática e atuar como um sempai, auxiliando no treinamento de noviços. Na ausência de um monge plenamente formado, pode atuar em algumas das funções básicas de monge, se for assim autorizado. Corresponde aproximadamente à posição de deácono na tradição católica. Ainda é um unsui” (nuvem-água), ou monge-em-treinamento, apesar de já ser um sempai e possuir a autorização de exercer algumas funções.

Nota: no Brasil e em outros países de maioria não Budista, alguns monges-aprendizes podem, na ausência absoluta de um monge ou monja plenamente formado na sua região, receber autorização especial de seus professores para liderar grupos de prática, ministrar palestras, seminários, etc ou de realizar uma forma simplificada de algumas cerimônias como as de casamento e batizado.

Monge (Jap. Rikishô 力生): pessoa que, tendo passado por todas a fases anteriores, recebe a Transmissão de Darma (Denpô 伝法) num retiro de sete dias chamado Shihô (詞法). Representa a entrada no nível inicial da carreira oficial de monge Soto Zen. Neste momento, deixa de ser unsui (nuvem-água, monge-em-treinamento), pois terminou todo o treinamento formal oficial e o seu registo de monge na sede da escola Soto Zen passa para a categoria de monge plenamente formado. Possui a plena autoridade para oficiar casamentosbatizados, benções em geral, enterros, e outras cerimônias religiosas. Deixa de usar o kesa (manto) preto do “unsui” e passa a poder vestir um kesa marrom.

Poderá agora solicitar a autorização para a realização de cerimônias formais nos dois templos sede (Zuise 瑞世, nos templos  Eihei-jiSôji-ji), quando se tornará “Oshô“; mas ainda não é oficialmente considerado um Professor do Darma (Sensei 先生).

Nota: Apesar de todas as diferenças das tradições, principalmente em relação aos preceitos, a cerimônia da tradição Teravada  que corresponde mais aproximadamente a este passo talvez seria a “upasampadā”, ou “ordenação superior”, quando o “sāmaera” daquela tradição torna-se um “bhikkhu” (masculino) ou “bhikkuni” (feminino).

Monge Pleno (Jap. Oshô 和尚): Monge que completou todas as fomalidades da Transmissão de DarmaZuise 瑞世 e ficou registrado na Ordem Soto Shu como monge plenamente formado. Pode atuar como um monge auxiliar num templo oficialmente reconhecido de tamanho médio ou grande ou pode liderar o seu próprio templo não-oficial ou centro de prática (zendô) sob a supervisão de um monge superior, pois ainda não pode ter alunos a não ser que tenha realizado o seu treinamento monástico oficial. É autorizado a vestir o kesa da cor safrão (um tom de marrom dourado-alaranjado) ou de outros cores (mas não pode usar kesas com bordados ou brocadas ainda).

Se – e somente se – já completou a sua prática em mosteiro oficial de treinamento, poderá solicitar o seu licenciamento como Professor do Darma (Kyôshi 教師), com uma graduação em acordo com o seu tempo de treinamento em tal mosteiro oficial. Nesta hora, adquire o direito de ser chamado de Sensei 先生 e  passa a poder ter os seus próprios alunos e oficiar cerimônias de transmissão dos Preceitos Budistas para leigos, e ordenações monásticas e já terá uma graduação suficiente para solicitar a autorização para assumir a posição de Monge Titular (Jûshoku 住職) de um templo oficialmente reconhecido, se tal oportunidade se apresentar.

O seu registro de monge e os registros dos monges ordenados por ele precisam ficar num templo oficialmente reconhecido. Assim, quando o monge é responsável por um centro de prática (Zendô) ou de um templo não-oficialmente reconhecido, estes registros, na maioria dos casos, ficam no templo de professor de transmissão do darma.

Monge Titular (Jap. Jûshoku 住職): frequentemente traduzido como “abade” ou “vigário”, é o monge-professor de darma responsável por um templo oficial. Dependendo do tamanho do templo, pode chegar a ter Monges Plenos (Oshô 和尚) como auxiliares. O seu registro e os registros dos monges ordenados por ele agora são registrados através deste mesmo templo onde ele é o titular.

Pode eventualmente passar por uma cerimônia chamada Shinsanshiki (晋山式, Cerimônia de Subir a Montanha), onde é formalmente empossado como Monge Titular. Por ser uma cerimônia cara e despendiosa, nem sempre é realizada, especialmente no caso dos templos menores.

Monge Especial (Jap. Tokuso): pessoa que, tendo passado pelos níveis acima, faz três anos de treinamento específico, comparável ao Mestrado, que o autoriza a se tornar Professor de Mosteiro (Professor de Monges e Leigos). Pode, eventualmente, se tornar abade de um mosteiro.

Mestre (Jap. Dai-oshô 大和尚 ou Rôshi (老師)): Monge Titular que possui a graduação de jun-shike ou shike  e que liderou um Período de Treinamento Intensivo (Kessei Ango 結制安居) durante o qual atuou como Professor da Bandeira do Darma (Hôdôshi 法幢師) numa Cerimônia de Combate do Darma (Hôsenshiki 法戦式). Para o uso público deste título, deve haver a ratificação do mesmo pelo Soto Shu.

Nota: Apesar do fato que existem casos (principalmente nos Estados Unidos) onde o título de “rôshi” vem sendo concedido até por simples “tempo de serviço” ou idade, para evitar a banalização do título, o ideal seria de manter o conceito original do uso público deste título somente para um mestre que tenha recebido este título pelo Soto Shu, que possui a graduação de shike ou jun-shike e que já tenha formado pelo menos um sucessor com a Transmissão de Darma e autorização de ensinar (que seja um mestre que “deu nascimento” a um novo Professor de Darma).

O título máximo, de Mestre Zen (Jap. Zenji), é reservado exclusivamente aos Abades Superiores dos mosteiros sede no Japão (EiheijiSôjiji).

Sokai (Graduação como Monge – Professor de Darma):
Os primeiros degraus da carreira como Professor de Darma (Kyôshi 教師) podem ser comparados com a carreira acadêmica aproximadamente da seguinte forma, em acordo com a duração do treinamento em mosteiro oficialmente reconhecido como mosteiro de treinamento:

Instrutor, 2ª Classe (Nitô-kyôshi-ho)
Instrutor, 1ª Classe (Ittô-kyôshi-ho)
Professor Associado, 3ª Classe (Santô-kyôshi, 三等教師)
Professor Associado, 2ª Classe (Nitô-kyôshi, 二等教師 )
Professor Associado, 1ª Classe (Ittô-kyôshi, 一等教師)
Professor Pleno (Sei-kyôshi, 正教師)

A partir daí, há várias outras graduações, dependendo da prática, dos cursos, atuação na Sanga, recomendações dos superiores e aprovação pelo Soto Shu.
. Jun-shike (Professor-Mestre Associado – qualificado para ser reconhecido como “roshi”, se houver tal recomendação aprovada)
. Shike
(Professor-Mestre)
. Gon-dai-kyôshi

. Dai-kyôshi (limitado a um número máximo de 180 monges. A Aoyama Roshi, abadessa do mosteiro feminino de Nagoya onde a Monja Coen e eu treinamos,  é a primeira monja na história do Soto Shu a alcançar esta graduação.)
. Gon-dai-kyôjô (limitado a um número máximo de 30 monges)
. Dai-kyôjô (os abades superiores dos dois templos-sede, Eihei-jiSôji-ji)

Ainda existe o Kokusai Fukyôshi (国際布教師) – Professor de Darma de Propagação Internacional, geralmente traduzido como Missionário. Este título – com suas responsabilidades – pode ser concedido para Professores de Darma que atuam fora do Japão, em reconhecimento de seu treinamento e trabalho realizado. O candidato deve ser recomendado por algum mestre e sua nomeação depende da aprovação no Soto Shu, eventualmente com a necessidade de entrevistas nos escritórios centrais.

Nota: “Monge” ou “Monja” são exclusivamente pessoas que já completaram o seu treinamento e receberam Transmissão de Darma (Rikishô ou Oshô) ou que estão atualmente passando pela fase de treinamento de Monge-aprendiz (Zagen). Apesar de ser uma prática bastante comum aqui no Brasil, não seria correto um noviço (jôza) ou noviço-líder (shuso) ser chamado de monge, para não confundir o público em geral, que acaba interpretando o título como significando “plenamente formado”. Os nossos preceitos nos proíbem de nos apresentar, direta ou indiretamente, como sendo “mais” do que realmente somos (preceitos secundários do Sutra da Rede de Brama).

Sensei” (先生) ou Kyôshi (教師) é um título exclusivo aos Monges que receberam Transmissão de Darma, completaram a sua prática num mosteiro ofical de treinamento necessária para a autorização como Professor de Darma e passaram pelas cerimônias formais de Zuise, 瑞世, nos templos EiheijiSôjiji).

Rôshi”(老師), também chamado formalmente de “Dai-oshô” (大和尚): O candidata ao título de Roshi deve possuir a graduação de Jun-shike ou Shike. É necessário que haja a recomendação de um Rôshi e a aprovação pelo Soto Shu para que seja oficialmente reconhecido como digno de ser assim chamado em público.

Este é um títulos reservado àqueles Monges Titulares Abades (Jûshoku 住職) de seus templos  que tenham demonstrado, por sua prática e empenho, o seu merecimento como Professor do Darma, geralmente através da formação de monges até a Transmissão de Darma. Na tradição Soto, passe-se a este grau após liderar um Kessei Ango (結制安居)  com Cerimônia de Combate do Darma.

Nota: Na tradição Rinzai, quando o Monge conclui o estudo sistemático de koans, ele recebe “Inka” (aprovação como professor do Darma) e passa a ser chamado de “Rôshi.

Como resultado, há vários monges nos Estados Unidos que, apesar de pertencerem oficialmente à escola Soto Shu (cujo sistema é diferente), receberam o título de Roshi por terem completado o estudo de koans da escola Rinzai. Ainda nos Estados Unidos, existe até um sistema de reconhecimento como Roshi por tempo de formação plena, que independe da realização como professor de darma, algo que, ao meu crer, chega a banalizar o título.

Nestes casos, como estes monges ou monjas não possuem as graduações de Shike ou de Jun-shike, estes títulos NÃO são reconhecidos pela escola Soto Shu, que não autoriza o seu uso em público. São poucos os que são reconhecidos pelo Soto Shu.

Nota: Mais um termo que pode ser encontrado é Dôchô (pronunciado dootchoo), que significa “chefe do local de prática”. Por exemplo, muitas pessoas chamavam a Aoyama Roshi pelo título “Dôchô Rôshi” (pronúnciado dootchoo rooshi).

Nota: Na categoria de Membros Leigos podem ser feitas inclusões e/ou alterações, conforme as necessidades da Sanga. Na ordem de treinamento monástico, porém, não pode haver alterações, exceto as orientadas pela sede da Soto Shu no Japão.

Nota: No Brasil, existem somente 5 templos (ji ou otera) Soto Shu oficialmente reconhecidos.
São: Busshinji (SP), Zengen-ji (Mogi das Cruzes, SP), Tokozan Busshin-ji (Rolândia, PR), Zenkô-ji (Morro da Vargem, Ibiraçu, ES) e  Enkô-ji (Itapecerica da Serra, SP).

Os outros grupos são considerados como sendo não-oficiais, sejam templos, mosteiros ou centros de prática (zendô). No momento (agosto 2011), dos grupos não-oficiais, somente Tenzui-ji (Zendo Brasil, SP) é um templo liderado por uma monja plenamente formada e missionária (Monja Coen), devidamente instalada como abadessa através da cerimônia shinsan shiki”.

Mais ainda, no Brasil e vários países sul-americanos, poucos dos templos ou centros de prática (zendô) são liderados por monges ou monjas plenamente formados (oshô ou rikishô). A grande maioria destes centros de prática são coordenados por noviços (jôza), por monges-aprendizes (zagen) ou por praticantes leigos.

O Templo Busshinji está se tornando um centro de treinamento oficial mas não há nenhum mosteiro de treinamento oficialmente reconhecido no Brasil (ou no Ocidente).

Segue a orientação dada pelo Saikawa Roshi, Superintendente Geral da Escola Soto Zen na América do Sul, ao final da (re)ordenação monástica do chileno Meiyô Vargas realizada durante o Retiro Aberto em Florianópolis no dia 17 de outubro de 2008:

O Caminho de Buda é um caminho. Analisar este caminho e tomar decisões seria acreditar, compreender, praticar, realizar e aplicar.

Primeiro, temos que acreditar no Caminho de Buda. Em seguida, precisamos compreender em que direção andar e praticar, de acordo com esta compreensão. Você precisa realmente chegar a enxergar o seu Verdadeiro Eu, sua Verdadeira Natureza. Então, você aplicará isto na sua vida diária.

No início, você praticará em benefício próprio. Mas, se você realizar o Caminho, ou Alcançar o Despertar, você terá que trabalhar 24 horas por dia para salvar os outros – do mesmo jeito como foi a vida de Shakyamuni Buda.

Então, a vida de um “Shukke”, de um monge – alguém que deixou o lar – é muito, muito diferente. Viver neste mundo dualista e transmitir os ensinamentos do Darma da Unidade do Todo é uma coisa muito difícil – é difícil fazer as pessoas entender. Mas, para dar Paz e Harmonia, você terá que doar a sua vida aos outros.

Como você desejou ser monge, você mostrou para mim a sua grande determinação. Devo lhe dar os meus parabéns – ou não?”

– escrito em novembro, 2005
– revisado e atualizado em julho, 2013

. Ler mais:
Formação de um monge Soto Zen
Qual o significado de Kokusai Fukyôshi (Missionário Internacional)?
Qual o significado de Kyôshi (Professor de Darma)?
Qual o significado de Zuise (Debut)?
Qual o significado de Denpô (Transmissão de Darma)?
Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?
Qual o Significado de Hossenshiki (Combate de Darma)?
Qual o Significado de Shuso (Líder dos Noviços)?
Qual o Significado de Unsui (2)?
Qual o Significado de Unsui (1)?
Qual o Significado de Shukke Tokudo?
Ordenação Monástica
– Ordenação Unsui em Florianópolis
Qual o Significado de Jukai?
– Os Preceitos

13 Comentários »

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  1. Bom dia. Gostaria de saber mais sobre o budismo e de como iniciar e estudar para ser um monge.
    Obrigado pela atenção
    Marcelo Nogueira

  2. […] os três praticantes da nossa Sanga receberam a Transmissão dos Preceitos para Leigos (Jukai, ou Zaike Tokudô) e “entraram na família de Buda”. Seus nomes de Darma: Marcelo – Jinshin – Fé […]

  3. […] mais: . A Ordem Monástica da Escola Soto Shu . Retiro Aberto com Saikawa Roshi em […]

  4. Muito bem explicado, obrigado por compartilhar.

  5. E como fica a parte monetária? o noviço até chegar a monge deve pagar ou o próprio monastério arca com seus estudos?

    • Aqui no Ocidente, o noviço é responsável pelas suas despesas e geralmente ainda oferece contribuições ao seu professor e grupo de prática, especialmente para participar de retiros (talvez recebendo um desconto no valor a ser pago). Até mesmo os monges plenamente formados ocidentais, na sua grande maioria, trabalham em alguma atividade remunerada para se manter financeiramente, pois são poucos grupos de prática que podem sustentar um equipe de monges – mesmo formados.
      Para fazer a prática em mosteiros de treinamento oficial, atualmente realizados quase sempre somente no Japão, mesmo que o mosteiro talvez deixe de cobrar (o que nem sempre acontece), o monge será responsável pelas suas despesas do dia-a-dia e de viagem (até o Japão e dentro do país).
      Assim, com raríssimas exceções, o candidato ocidental deve prever cuidar de sua própria manutenção durante todo o seu treinamento – e ainda não há garantia de “emprego” depois da formação… .

  6. um caminho para poucos então…uma grande pena =/

    • Prezado Paulo,
      Não diria que é uma “pena” que o caminho do treinamento tradicional de um monge do Soto Zen Japonês seja “para poucos”, pois não são muitas pessoas que realmente desejam tornar-se sacerdotes religiosos e assumir as responsabilidades de uma comunidade religiosa. No fundo, também são poucas pessoas realmente dispostas a fazer todo o confronto consigo mesmo que é necessário para alcançar alguma Realização.
      Alcançar a Realização não é uma tarefa fácil e já temos monges demais sem realização verdadeira, mesmo com o treinamento rigoroso tradicional. Numa linhagem “séria”, não estaremos interessados em “dar títulos” para “popularizar” uma versão simplificada e superficial dos ensinamentos. Se eu tiver um único sucessor que me supere, estarei muito feliz. Não estou preocupada em formar uma quantidade de monásticos de meia-tigela.
      Ao mesmo tempo, o Caminho de Buda está aberto para todos – leigos e monásticos. A tradição Mahayana considera que todos tem o potencial de alcançar a Realização (Iluminação). A única diferença real é que fica mais fácil o monástico alcançar algum grau de Realização devido à estrutura do treinamento enquanto que é mais difícil para o leigo devido às distrações e obrigações de seu dia-a-dia (família, trabalho, etc.).
      Cuide-se bem!
      Gassho,
      Monja Isshin

      • Ao teor da sua resposta devo parecer um aspirante a pavão desejando títulos monásticos para me vangloriar hehehehe.
        Minha intenção nunca foi afrontar o sistema como as coisas são feitas pois sei que a formação de um monge sai caro como a de qualquer outro religioso sério, mas por ignorância cheguei a pensar que parte dos custos eram arcados pelo monastério e fiéis.

        Diferente do que provavelmente tencionou, nunca nem ousei em pensar que esse era um caminho fácil já que minhas praticas meditativas ocupam-me todo o tempo que antes era gasto com lazer e coisas frívolas, mas cogitei uma vida monástica justamente para evitar viver o dia dia de trabalho e família.

        Desculpe qualquer incomodo e muito obrigado pelas respostas.

      • Ah, desculpe – entendi o seu primeiro comentário de forma errado… . Vamos ver se entendi direito agora.

        Bem, não é totalmente impossível que – depois de chegar num determinado nível na sua prática – um monge-em-treinamento possa acabar recebendo algum apoio da sua comunidade – se esta comunidade tem o tamanho suficiente para arcar com tais despesas (não muito comum aqui no Ocidente)… . Mas, mesmo nestes casos, o monge-em-treinamento primeiro precisa demonstrar a sua dedicação, perseverância e merecimento para a sua comunidade. O mundo está cheio de pessoas que procuram um canto para se “encostar” – e um mosteiro certamente não é um lugar para “si encostar”. No dia-a-dia, num mosteiro zen, temos zazen de manhã e de noite só – o resto do tempo é preenchido com atividade constante – atividade em grupo – samu, cerimonias, aulas, etc. Não há intervalo para o café (até o chá de tarde é uma atividade de grupo), nem intervalo para o banheiro e não há privacidade… . Assim, temos que viver um dia-dia de convivência com pessoas e de atividade muito mais intenso que aquela que normalmente é vivido na vida “comum”… .

        Temos que verificar cuidadosamente as nossas motivações. Ir para um mosteiro nunca deve ser para “evitar viver o dia dia de trabalho e família”… . Nunca deve ser uma espécie de “fuga”.

        Como podemos aprender a estar bem em qualquer lugar e em qualquer situação?

        Samsara é Nirvana e Nirvana é Samsara.

        Boa sorte na sua caminhada.
        Cuide-se bem!
        Gassho,
        Isshin

  7. Li atentamente este texto. Esclarece antigas dúvidas sobre o tema. Percebo que a Ásia, especialmente o Índia, China e Japão de séculos atrás, eram nações privilegiadas. Como é difícil ouvir falar do Darma, encontrar mestres e templos fidedignos! Quem tem a chance de praticar nas condições adequadas, encontrou uma pedra preciosa raríssima. O texto mostra como as chances são raras e preciosas!

  8. Em Janeiro irei ao Brasil, juntamente com meu companheiro, para celebrarmos nossa união. Gostaria muito de sermos abençoados por um monge, já que somos praticantes do Budismo. Poderia me indicar alguém em São Paulo (capital)? Gratidão

    • Prezada Roberta,
      Tentei responder por e-mail usando o endereço de e-mail que você teria registrado ao escrever o comentário, mas voltou dizendo que a conta não existe com yahoo.com.br…
      De qualquer forma, indico o Templo Busshinji, que lá eles tem monges que poderão abençoar o seu casamento. É uma cerimônia linda!

      http://www.sotozen.org.br/cerimonias.php?grupo=casamento

      Endereço:
      Rua São Joaquim, 285
      Bairro da Liberdade São Paulo SP Brasil
      CEP 01508-001

      Telefones:
      (0xx11) 3208-4515/4345

      Fax:
      (0xx11) 3208-0418

      busshinji_sp@hotmail.co.jp
      busshinji-sp@hotmail.com

      Como eu moro em Porto Alegre, não posso ti ajudar muito, mas se não conseguir contato com alguém do Busshinji, me avise que ajudo…

      Boa sorte e cuide-se bem!
      Gassho
      Monja Isshin


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