Vídeo: Entrevista na UPF-TV

maio 1, 2017 às 8:28 am | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Vídeo | Deixe um comentário
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17-04-28EntrevistaUPFTVNo dia 28 de abril, 2017, foi gravada, no jardim da televisão UPF-TV, da Universidade de Passo Fudo, a entrevista da Monja Isshin com a jornalista Afani Baruffi. Foi uma conversa breve, mas muito, muito agradável! Gassho

Vídeo: Entrevista na Rede Aquarius na TV

abril 14, 2015 às 7:26 pm | Publicado em Blogroll, Entrevista, Meditação e Ciência, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

No dia 11 de abril, às 11 horas no Canal 11 da NET e Canal 55 na TV Aberta, estreou-se um novo programa voltado para a saúde, auto-conhecimento e bem-estar: “Rede Aquarius na TV“. O programa semanal é apresentado pela Carla P. Berto, da Rede Aquarius,

Assiste ao trecho da programa da minha entrevista:

O programa inaugural contou com a presença das seguintes pessoas:
Psicoterapeuta Daniele Tedesco (www.danieletedesco.com.br)
Dra. Clarice Luz (www.labvitrus.com.br)
Dra. Lidia Sabbadini (www.clinicasabbadini.com)
Professor Mauro Kwitko (www.maurokwitko.com.br)
Monja Isshin (aguasdacompaixao.wordpress.com)
Psicólogo Clínico Dr. Guy Desaulniers  (Fone: 3334.1781)
Márcia Unfer (www.fratino.com.br)

Visite o canal da Rede Aquarius no Youtube para assistir ao programa completo.

Perdendo Nossa Religião – Parte 2

junho 4, 2014 às 3:00 pm | Publicado em Entrevista | 2 Comentários

(continuação da 1ª parte)
Há dois aspectos no modernismo buddhista que você trata que eu estou especialmente interessado em ouvir você abordar: a suposta compatibilidade do Buddhismo com a ciência e a perspectiva privilegiada da espiritualidade individual sobre o que muitos consideram ser a decoração exterior da religião. Estes são os pressupostos fundamentais para muitos buddhistas ocidentais; no entanto, é evidente que em seus escritos você os considera como leituras muito seletivas da tradição buddhista. Vamos começar com o primeiro, a afirmação de que o Buddhismo é consistente com a visão de mundo racional-científica ocidental. Este tem sido um de seus grandes atrativos, e certamente tem recebido muita atenção nesta revista (Tricycle). Na verdade, não é raro ouvir falar do Buddhismo como uma ciência da mente. O cânone buddhista é tão grande que você pode sempre encontrar passagens aqui e ali que apoiam qualquer leitura da tradição que você preferir. Por mais de dois mil anos, professores buddhistas influentes o leram seletivamente para promover e justificar a sua própria compreensão do Buddhismo, e não é diferente com aqueles que querem mostrar que o Buddhismo é compatível com a ciência. Você sabe, quando jovem, Daisetz Teitaro Suzuki [1870-1966] – que foi de longe o mais influente intérprete do Buddhismo Zen para o Ocidente e o mais proeminente buddhista modernista – passou muitos anos em LaSalle, Illinois, onde ajudou o editor Paul Carus, o autor de “O Evangelho de Buddha”. Carus estava interessado em uma grande síntese entre ciência e religião; ele chamou sua filosofia de “Religião da Ciência” e publicou muitos livros a respeito. Seu entusiasmo para com o Buddhismo resultou da sua convicção de que Buddha foi o primeiro profeta desta Religião da Ciência. Em sua juventude, Suzuki admirava muito Carus, e sua tradução do “Evangelho de Buda” de Carus tornou-se um best seller buddhista no Japão – até mesmo o clero o estava estudando! Então, aqui está um caso em que uma leitura ocidental e não buddhista do Buddhismo veio a influenciar a sua expressão asiática de uma maneira que encantou os ocidentais posteriores. Em outras palavras, parte do apelo do Buddhismo no Ocidente foi que o Buddhismo que estávamos vendo já tinha sido lançado em um molde ocidental.

Budistas, como os cristãos, tiveram pouca escolha a não ser se aproximarem de sua tradição seletivamente. Zen-buddhistas, por exemplo, dão preferência a certos textos e comentários, e eles fazem isso de forma muito diferente de como os buddhistas Theravada ou Terra Pura o fazem. Minha preocupação não é com a seletividade de quem lê o Buddhismo como uma religião racionalista e científica – é perfeitamente compreensível, dado o mundo em que vivemos. Realmente não é uma questão de interpretação errada. É uma questão do que se perde no processo.

Você pode me dar um exemplo do que se perde? Bem, deixe-me voltar um momento. A fim de tornar o Buddhismo compatível com a ciência, o modernismo buddhista, parece-me, aceita um entendimento dualista cartesiano do mundo. Em outras palavras, você desenha uma linha metafísica através do mundo: há o mundo espiritual imaterial da mente de um lado, que é o domínio próprio da religião; e há o mundo físico ou material de outro, um mundo governado por leis mecanicistas, o qual é do domínio da ciência. Uma vez que você aceita essa imagem do mundo, religião é compatível com ciência só na medida em que é relegada ao reino da experiência interior. Religião, entendida desta forma, não tem valor no mundo empírico. Ritual tem valor apenas indiretamente – como uma maneira de produzir mudança psicológica. Veja como muitos buddhistas ocidentais suspeitam do ritual religioso. E quando nós desvalorizamos o ritual, corremos o risco de enfraquecer os nossos laços com a comunidade e a tradição. Essa é uma perda muito grande.

Eu suspeito que a maioria dos professores buddhistas ao longo da história deve ter achado essa visão cartesiana de mundo muito estranha. Ao descartar tudo o que não se encaixa em nossa visão moderna, nós comprometemos a capacidade da tradição de criticar essa visão moderna. O Buddhismo se desenvolveu em um contexto histórico e cultural muito diferente do nosso. A tradicional epistemologia buddhista, por exemplo, simplesmente não aceita a noção cartesiana de um fosso intransponível entre a mente e a matéria. A maioria das filosofias buddhistas sustenta que mente e objeto surgem interdependentemente, então, não há nenhuma maneira fácil de separar a compreensão do mundo, do mundo em si mesmo.

Que tipo de crítica do ponto de vista científico pode o Buddhismo oferecer de forma distinta? A postura do naturalista – a ideia de que existe um mundo insensível independente lá fora governado por leis científicas e processos impessoais – é, em última instância, uma construção humana, uma poderosa e eficaz construção humana, mas, uma construção, no entanto. Isto não é negar o poder da ciência, mas, isso põe em questão a forma como abordamos o conhecimento científico. Claro, há muitos filósofos, cientistas e historiadores da ciência que fizeram algo semelhante. Mas o Buddhismo tem suas próprias ideias e perspectivas para oferecer. Em outras palavras, quando nos envolvemos seriamente com a tradição buddhista, aprendemos outras formas de interpretar o mundo, outras histórias que podemos contar sobre como as coisas são, e estas podem ser persuasivas, coerentes e convincentes à sua própria maneira. Isto não é defender uma aceitação ingênua da epistemologia buddhista e sua cosmologia. Mas, não veremos o que o Buddhismo tem a oferecer, se desde o início o distorcemos para adequá-lo às normas contemporâneas.

O segundo ponto – que Buddhismo seria realmente sobre a experiência espiritual do indivíduo e não sobre instituições religiosas, crenças, doutrinas ou rituais – é uma suposição tão profundamente enraizada na prática buddhista no Ocidente, que eu acho que muitos se questionam se ela é, na visão buddhista, aberta à crítica. Eu certamente não acho que a experiência pessoal, meditação, espiritualidade, e assemelhados não são importantes ou não têm lugar no Buddhismo. O Buddha, afinal, alcançou a iluminação enquanto meditava debaixo da árvore Bodhi. Minha preocupação é com a forma com que o modernismo buddhista isolou a meditação do contexto de toda a vida religiosa buddhista. Muito do que já foi considerado parte integrante da tradição foi abandonado nesta corrida para celebrar a meditação – ou mindfulness, ou transformação pessoal, ou experiência mística – como a essência sine qua non do Buddhismo. Mais uma vez, não é realmente uma questão de certo ou errado. É uma questão daquilo que se perde.

Como já mencionei, os buddhistas modernistas foram influenciados por pensadores protestantes que interpretaram a religião como uma questão de experiência interior. Para traduzir a experiência buddhista em termos passíveis de serem compreendidos pelos ocidentais, D. T. Suzuki emprestou termos de uma série de fontes ocidentais, incluindo o filósofo William James. Suzuki era fascinado pela noção de James de que a experiência religiosa é uma espécie de experiência direta pura, que é não mediada pela formação cultural ou religiosa. Suzuki e outros modernistas argumentaram que satori – a experiência repentina de um estado iluminado – seria a experiência não mediada a que James se referia, e que esta experiência não só era a essência do Buddhismo, mas, a essência de todas as religiões. Ao insistir que alguma experiência específica, reproduzível, inefável, está no cerne da tradição buddhista, eles acabaram por “essencializar” o Buddhismo. (Segue)

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen”, sob supervisão de Isshin-sensei, de entrevista originalmente publicada no site http://www.tricycle.com/.

Perdendo Nossa Religião – Parte 1

junho 3, 2014 às 2:22 pm | Publicado em Entrevista | 1 Comentário

Os ocidentais criaram uma forma nova e viável de Buddhismo, ou algo se ​​perdeu na tradução? O professor da Berkeley – Universidade da Califórnia, Robert Sharf, argumenta que, com a nossa ênfase na experiência individual em meditação, corremos o risco de nos privar dos benefícios de uma tradição maior.

O interesse de Robert Sharf no Buddhismo começou no início da década de 1970, quando, como um buscador de sandálias nos pés mal saído da adolescência, ele pulou de um para outro retiro de meditação, primeiro na Índia e Birmânia, e depois, na sua volta à América do Norte. Foi logo depois de um retiro de três meses de meditação vipassanā em Bucksport – Maine, em 1975, que Sharf começou a se perguntar se a ênfase obstinada em meditação, característica de grande parte do Buddhismo ocidental era, de alguma forma equivocada. Com o tempo, a dúvida e a confusão deram lugar a um desejo de entender melhor o contexto histórico do Buddhismo, que por sua vez levou-o a seguir uma carreira acadêmica de estudos buddhistas. Hoje, Sharf ocupa a posição de “Professor Distinto de Estudos Buddhistas D.H. Chen”, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Sua área de atuação é o “Buddhismo do Leste Asiático”, mais especificamente o Buddhismo da China medieval. Ele também é um sacerdote ordenado na escola Hossō do Buddhismo japonês.

Sharf também é conhecido por sua convincente crítica ao que os estudiosos chamam de “modernismo buddhista”, um movimento relativamente recente que, de modo seletivo, apropria-se dos elementos desta tradição que são consistentes com as aspirações modernas como o cerne da tradição, e descarta tudo o mais. A crítica de Sharf ao “modernismo buddhista” decorre de uma crença de que não podemos reduzir o Buddhismo a um simples conjunto de proposições e práticas, sem de alguma forma distorcer o nosso sentido de sua totalidade e complexidade. Para Sharf, compreender uma tradição religiosa demanda não só familiaridade com a prática contemporânea, mas, também uma vontade de entrar em diálogo com o que é de um passado histórico e culturalmente estranho. Para participar desse diálogo, precisamos de conhecimento sobre o contexto em que a tradição se incorpora e uma capacidade de ver além dos pressupostos do nosso próprio tempo e lugar. Preparar o terreno, por assim dizer, com vistas a este diálogo com tal tradição, é o trabalho da prática acadêmica crítica na vida religiosa.

Ao longo da entrevista a seguir, há certa ironia nas entrelinhas. Sem o trabalho de divulgação dos conceitos e fundamentos da prática que modernistas buddhistas como D. T. Suzuki, Anagarika Dharmapala, e outros consagrados fizeram, o Buddhismo seria para os ocidentais muito obscuro e inacessivelmente estrangeiro. Ainda que os considerando sob um olhar crítico, nós lhes devemos algo.

Talvez esta seja apenas a forma como o Buddhismo opera. Talvez esta seja a razão por que funciona. Certamente, nestes tempos de diversidade concorrente, de visões de mundo e reivindicações por uma verdade religiosa, temos muito que aprender com a vasta tradição de integração e autocrítica do Buddhismo, aliada à sua rica e vital tradição religiosa. Talvez possamos dizer que, hoje, abordar criticamente uma religião é simplesmente a prática da boa fé. – Andrew Cooper

O que é o modernismo buddhista? Vamos começar com um termo usado anteriormente pelos estudiosos para isso: “buddhismo protestante”. Gananath Obeyesekere, antropólogo titular de Princeton, cunhou este termo em 1970 para referir-se a evoluções, a partir do final do século XIX, em países buddhistas asiáticos, os quais foram influenciados por ideias teológicas semelhantes às protestantes circulando na época. No início do século, os pensadores protestantes, confrontando a “crise da fé” provocada pela ascensão da ciência, tinham desenvolvido novas formas de pensar sobre a sua tradição que eram mais compatíveis com a visão de mundo científico-racional. Assim, eles afirmaram, por exemplo, que “o verdadeiro” cristianismo tem pouco a ver com rituais, instituições, ou mesmo com doutrina. O verdadeiro cristianismo, disseram eles, é uma questão de coração: a experiência pessoal do divino, uma relação particular entre uma pessoa e Deus. Instituições como a Igreja, ou uma ênfase em rituais, ou doutrina, podem ficar no caminho dessa relação imediata, incontestável, com o divino. Assim, a religião foi interpretada como uma questão de uma experiência espiritual pessoal, que não precisa entrar em conflito com a razão ou a ciência.

A que se deve o fato dos buddhistas na Ásia terem recorrido a este ponto de vista da religião? No final do século XIX, grande parte da Ásia se aproximou da ascendente visão de mundo do Ocidente moderno. Na Ásia buddhista – especialmente no Sri Lanka, Japão, e partes do sudeste da Ásia, mais afetadas pelo colonialismo, urbanização, industrialização, e outras influências modernas – líderes buddhistas adotaram estratégias semelhantes para aproximar suas tradições do mundo moderno. Muitos professores buddhistas influentes receberam educação ocidental, alguns em escolas missionárias, e eles repensaram o Buddhismo a partir do zero. Eles também tiveram que responder às críticas de que a religião era apenas uma fé cega e superstição, de que o sacerdócio era egoísta e corrupto, de que os ensinamentos religiosos eram, em última análise, incompatíveis com a ciência e a racionalidade. Obeyesekere usou o termo “buddhismo protestante” para se referir aos novos movimentos buddhistas que foram surgindo naquele momento. Mas, alguns estudiosos sentiram que o termo “buddhismo protestante” era facilmente mal compreendido – soa um pouco depreciativo, acho eu – por isso, eles preferiram o termo mais neutro “modernismo buddhista”.

O modernismo buddhista foi um movimento global, uma espécie de fusão cultural, em que os interesses dos buddhistas asiáticos e buddhistas ocidentais entusiastas convergiram. Para os asiáticos, as críticas à religião que se originaram no Ocidente ressoaram com as suas próprias necessidades, enquanto eles lutavam com convulsões culturais em suas terras natais. Para os ocidentais, o Buddhismo parecia oferecer uma alternativa espiritual atraente para as suas próprias tradições religiosas aparentemente moribundas. A ironia, claro, é que o Buddhismo para o qual estes ocidentais foram atraídos foi um que já havia se transformado por seu contato com o Ocidente. (Segue)

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen”, sob supervisão de Isshin-sensei, de entrevista originalmente publicada no site http://www.tricycle.com/.

Vídeo: Entrevista – um ano de Francisco

março 28, 2014 às 4:44 pm | Publicado em Cultura de Paz, Diálogo Interreligioso, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Aqui, o vídeo da entrevista, gravada no dia 7 de março pela Rede Vida de televisão, filial de Porto Alegre, como parte de uma sequência de entrevistas dos membros do Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre com reflexões sobre o primeiro ano do Papa Francisco na liderança da Igreja Católica.

Joia Rara: Tema de novela, budismo também está presente no cinema

setembro 19, 2013 às 2:34 pm | Publicado em Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 Comentário

Entrevistas com professores budistas, ligados ao Colegiado Buddhista Brasileiro, numa excelente reportagem publicada pelo Diário de Pernambuco:

Tema de novela, budismo também está presente no cinema Budistas brasileiros falam sobre exposição da doutrina na novela Joia rara. Star wars e Matrix possuem influência dessa filosofia oriental

AD Luna – Diarios Associados

Publicação: 18/09/2013 09:55 Atualização: 18/09/2013 15:22

A novela da Rede Globo Joia rara, que estreou na segunda (16), no horário das 18h, tem como pano de fundo para suas tradicionais histórias de amor e paixão o budismo. A religião é uma das mais populares do mundo, com mais de 370 milhões de adeptos no mundo, e cerca de 250 mil no Brasil, segundo dados do IBGE.

Ela foi fundada pelos seguidores de Siddarta Gautama, o Buda, que nasceu e viveu na Índia há cerca de 2600 anos. “Joia rara é uma história de amor da humanidade. Nossa proposta é que o budismo seja como um manto abraçando a novela.”, diz Thelma Freitas, que, junto Duca Rachid, é responsável pelo texto da produção televisiva.

Assim como já aconteceu com as novelas O clone (2001-2002), que abordou o islamismo, e Caminho das Índias (2009), traços do hinduísmo, Joia rara deve despertar interesse e curiosidade pelo budismo. Tal doutrina oriental influenciou e continua a influenciar as artes, o comportamento e o pensamento de povos do Japão, China, Tailândia, Butão, Tibete e também de ocidentais – como atestam diversas obras artísticas.

Budistas brasileiros falam sobre a exposição dos ensinamentos de Buda, chamado de Dharma, em Joia rara.

“O Dharma é algo bastante pessoal, transmitido de mestre para discípulo. É muito difícil transmitir em um programa, ou em uma novela, esses ensinamentos de maneira realmente correta”.
Lama Karma Tartchin (RJ), linhagem tibetana Kagyuwww.kttbrasil.org

“São sementes jogadas ao vento que, caso encontrem um terreno fértil no coração dos ouvintes, brotarão e darão flores lindas. Caso não encontrem uma terra adubada, terão que ser posteriormente cuidadas e nutridas em lugares onde tais sementes são cultivadas – nos centros de meditação e através de professores qualificados”.
Lama Jigme Lhawang (RS/PE), linhagem tibetana Drukpawww.drukpabrasil.org

“A mídia é pautada pela própria audiência, assim seu compromisso básico é com sua própria repercussão. Que o budismo seja tema da TV é um bom sinal de que há um interesse mesmo que difuso nos seus temas. Haverá tempo para que as naturais distorções sejam corrigidas por mestres verdadeiros. As sementes do Dharma crescerão onde houver terreno fértil e desejo de diminuir os sofrimentos dos seres. A mera motivação criada pelo ouvir que os ensinamentos de Buda existem já é um grande mérito”.
Genshô Sensei (SC), escola SotoShu, Zen Budismo – www.daissen.org.br

“Um tempo atrás, uma novela abordou outra religião oriental. Embora resumidamente, era muito interessante como divulgação de que há outros caminhos de ser ver a vida e a morte, que não estes que a maioria de nós conhecemos aqui no Ocidente. Assim, é bem válido, desde que se divulgue o ensinamento de forma sincera”.
Giliate Mokudô (PE), monge zen – http://centrozendorecife.blogspot.com.br/

“Uma novela tem objetivos específicos, de acordo com a política editorial da emissora e de seus anunciantes. É claro que esses objetivos não serão os mesmos que aqueles do Buddhismo, o qual visa primariamente desenvolver a atenção em relação ao consumo, ao poder da publicidade, e dirigir o indivíduo para a libertação da ganância, do ódio e da ignorância. Neste cruzamento de duas perspectivas tão diferentes, devemos esperar que muitos enganos sejam cometidos, mas também possa estimular este ou aquele indivíduo a querer buscar saber mais. E isso já terá sua utilidade”.
Ricardo Sasaki, Diretor-Fundador do Centro de Estudos Buddhistas Nalanda – http://nalanda.org.br/

. Continuar lendo a reportagem e assistir aos vídeos dos trailers de filmes com temas budistas no site do Diário de Pernambuco.

. Ler o texto “Budismo, reeencarnação e renascimento” no blog do Monge Gensho, Sensei, O Pico da Montanha é onde estão os meus pés.

Reportagem na Revista Pragmatha Gestão & Negócios

abril 1, 2013 às 6:49 pm | Publicado em Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Revistas - Artigos e Entrevistas, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Negócios, dinheiro e competição no contexto da espiritualidade

Sucesso material é compatível com espiritualidade? Pode-se falar em melhoria no padrão de competitividade, a partir de uma visão mais espiritual do mundo do trabalho? Segundo a a monja zen budista americana e naturalizada brasileira Isshin Havens Sensei, essas questões são complexas, mas ao mesmo tempo simples. Em Porto Alegre, Isshin atua como orientadora espiritual da Comunidade Zendo Sul, é autora do livro “A Vida Compassiva Compaixão” e também desenvolve projetos diferenciados para comunidades, empresas e profissionais.

Segundo a monja, há competitividade saudável e nãosaudável, a primeira mais praticada por aqueles que só pensam em si próprios, podendo-se valer de métodos inescrupulosos, e a segunda praticada por aqueles que cultivam a inteligência espiritual, desenvolvendo um centramento interno, espaço de calma que permite enxergar as situações com uma visão cada vez mais clara, ouvindo a voz da intuição e priorizando decisões éticas. Na competitividade saudável, garante Isshin, o foco maior é com o próprio trabalho e não na competição. Isto implica em cultivar um relacionamento ganha-ganha com colegas, empregados, empregadores, clientes, fornecedores. “Por exemplo, a sociedade, como um todo, está cada vez mais consciente da importância do pensamento ecológico e dos direitos dos outros seres, humanos e animais. Por mais que temos as nossas diferenças, somos todos parte de um algo maior. Para citar um clichê – estamos todos no mesmo barco, portanto, a inteligência espiritual nos ajudará a remar juntos”.

Sobre fontes de inspiração espiritual para uma melhor prática, a monja lembra que no pensamento protestante cristão existe a ética do trabalho, o trabalho como meio de salvação. No Zen Budismo, existe a prática do “samu” (geralmente traduzido como trabalho ou ‘atividade diária). “Consideramos todas estas atividades como sendo igualmente sagradas.”, explica. Outro exemplo é a experiência monástica católica. “Vemos os monges budistas ou católicos fazendo o seu trabalho com um espírito leve e com alegria, flexibilidade e prontidão de simplesmente fazer o que precisa ser feito, sem ficar presos em falso orgulho e medo ou outros sentimentos negativos. Para a pessoa leiga, verdadeiramente espiritualizada, seria a mesma coisa.

Por estarem centradas na sua espiritualidade, tais pessoas tendem a ter uma percepção mais clara das situações e uma intuição mais forte, que passa a trabalhar de uma forma integrada com o seu lado racional e as ajuda a reconhecer aspectos sutis dos acontecimentos e a enxergar o quadro maior.

Segundo a monja, os ensinamentos sobre a importância de servir e de liderar servindo são idênticos e comuns nas mais diversas religiões. No Japão e outros países asiáticos, diz Isshin, é bastante comum para as pessoas leigas, incluindo muitos empreendedores e profissionais, passar algum período de tempo num mosteiro budista, para fortalecer o caráter e treinar o servir. Monja Isshin atenta para o fato de que se criou uma imagem estereotipada da pessoa supostamente espiritualizada como “bicho grilo” e alienada, que não combinaria com o sucesso no mundo material, dinheiro ou negócios. Porém, é falsa em se tratando de pessoas de fato espiritualizadas. “Os mestres religiosos que conheço têm sido pessoas bem presentes no mundo real e incentivam que os leigos espiritualizados vivam com honestidade, ética, dignidade e generosidade, desfrutando do dinheiro, do sucesso e dos benefícios resultantes.”

Reportagem publicada na Revista Pragmatha / Gestão & Negócios – No. 3 – Março 2012- página 07 – Gestão pessoal

Entrevista no Blog “Bossa Zen” (Parte 1)

março 22, 2013 às 4:38 pm | Publicado em Blogroll, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Reproduzo aqui uma entrevista minha que foi publicada no site Bossa Zen, um site muito bom e bastante sério sobre o Budismo, mantido pela praticante do Zen Coreano Jeane Dal Bo. Confesso que me senti bastante honrada com a apresentação que ela escreveu sobre mim:

Sensei Isshin depois de longos anos de treinamento no Brasil, Japão e Estados Unidos, radicou-se em Porto Alegre. Não importa o título que receba, uma vez que nos habituamos a chamá-la de “monja”, assim será por toda sua vida, exceto para seus alunos que já a chamavam de sensei e agora podem seguir chamando-a. Dizem que ser monge de verdade é mais nobre que obter qualquer título. É certamente esse o esforço que Monja Isshin pratica em sua vida e na comunidade que lidera.

Seu dia-a-dia  é preenchido por atividades na Sanga Águas da Compaixão e outras sangas em outras cidades do RS (Pelotas e Caxias do Sul), além de cursos e palestras tornando seu tempo bastante limitado, portanto, essa entrevista foi dividida em duas partes.

Agradeço a sua disposição em colaborar com esse projeto e espero que suas palavras possam iluminar o caminho de quem passar por aqui.

BZ: A sra. já fez parte de orquestras enquanto instrumentista. Em uma orquestra cada um deve fazer a sua parte em benefício do todo. Na comunidade (sangha) também é assim? Reger um Sangha é como reger uma orquestra?

Sensei: (Risos) Acho que é bem mais fácil reger uma orquestra. Numa orquestra o músico não tem dificuldade em perceber qual é o seu papel dentro do todo, enquanto que, especialmente na nossa cultura ocidental individualista e competitiva, não é nada fácil um praticante chegar a se perceber como fazendo parte de um todo maior e tendo o seu lugar, o seu papel dentro deste todo.

Acredito que a minha experiência com a música (banda marchante durante o colégio e a carreira  em orquestra sinfônica) me facilitou a percepção do sentido de “grupo” no meu treinamento no Japão – e isto foi um dos grandes aprendizados que recebi lá. Tive a oportunidade (rara para os estrangeiros) de ser tratada como se fosse uma japonesa, sujeita às mesmas exigências que as minhas colegas japonesas, pois muitos mosteiros, sabendo que a maioria dos estrangeiros, que geralmente não falam a língua e estão lá por três meses, o tempo do visto de turista, não se interessam por vários aspectos da prática (como o cerimonial, por exemplo), então eles deixam de incluir estrangeiros nestes tipos de atividades. Assim sendo, se, de um lado, tive que enfrentar grandes dificuldades, devido às barreiras culturais e linguísticas, pelo outro lado, a oportunidade de participar, sem qualquer exceção,de todos os aspectos do treinamento monástico japonês foi de um valor inestimável. Assim, pude me mergulhar na experiência de “ter o meu lugar dentro do grupo”. Foi uma vivência incrível, pelo qual sou extremamente grata.

Mas, transmitir isto aos praticantes leigos ocidentais não vem sendo uma tarefa fácil, pois o resultado da cultura ocidental de individualismo – um senso sutil de isolamento e solidão existencial – é muito enraizado na mente inconsciente coletiva. Devido a este condicionamento, muitas “sangas” ocidentais não passam de pontos de encontro de indivíduos – quase consumidores – que se encontram para o zazen, mas onde não chega a existir a “entidade” de Sanga. Como a nossa Sanga ainda é relativamente nova, temos uma longa caminhada pela frente para chegar a criar uma verdadeira Sanga, onde cada membro possa vivenciar profundamente o “pertencer ao grupo” e “ter o seu lugar” e passar a realmente “tocar a sua parte” na criação da harmonia de uma Sanga. Mesmo assim, reconheço e agradeço a boa vontade e empenho sincero dos membros da nossa Sanga – passo por passo,vamos caminhando… .

BZ: Em geral os praticantes budistas estão na faixa etária de 40-70 anos, já tem supostamente uma estabilidade na vida. Isso facilita mais a adesão a prática budista?

Sensei: Sim e não. Facilita sim, porque a pessoa nesta faixa etária já sabe melhor o que quer e o que pensa. E dificulta, porque frequentemente, estas pessoas, chegam à prática cheias de ideias preconcebidas sobre como deve ser a prática e como o(a) professor(a) de darma deve se comportar. Já leram livros, já criaram “mitos” dentro de suas cabeças e frequentemente não querem aceitar qualquer coisa que contraria estes “mitos”. Muitas vezes, acreditam mais nas suas interpretações dos livros que lerem que na experiência e treinamento do(a) professor(a).

BZ: Seus grupos são predominantemente de jovens. Acha que tem mais afinidade com eles?

Sensei: Não sei, pois nunca pensei nisto – não havia percebido este fato… . Como mencionei no item anterior, as pessoas com mais idade tendem a ter suas próprias ideias preconcebidas, não querendo abrir mão delas… . Mesmo assim, apesar de nossa Sanga ser ainda bastante nova, já houve o tempo suficiente para que algumas pessoas que não se adaptaram a nossa sanga e a minha liderança saírem.

Possivelmente, o fato de eu ser uma pessoa “high tech” ajude a aproximação dos mais jovens.

De qualquer forma, nem penso em idade quando estou com as pessoas ou quando penso em mim mesma. Procuro receber cada pessoa simplesmente como ela é nesse momento.

BZ: Recentemente a sra. recebeu o manto de açafrão, tornando-se sensei, o que essa nova etapa significa para a sra. e a comunidade e quais são suas atribuições como sensei?

Sensei: Sou muito grata ao Onoda Roshi por ter me honrado com a sua linhagem e tenho aprendido muito com ele. Também sou muito agradecida aos outros professores principais que tive durante a minha caminhada – tenho dívidas de gratidão especialmente com a Monja Coen, professora de ordenação; Shundo Aoyama Roshi, professora de treinamento e abadessa do mosteiro no Japão e Saikawa Roshi, o nosso superintendente para a América do Sul. Naturalmente, todos nós ficamos contentes com a finalização oficial do treinamento formal (pois, na verdade, o “treinamento” – a prática – nunca termina).

Com a troca do manto preto do “unsui” (monge-em-treinamento) para um dos mantos coloridos do monge plenamente formado – “rikishô” (manto marrom, antes das cerimônias de zuise) ou “oshô” e “sensei” (manto açafrão ou outras cores, depois destas cerimônias), passamos a ter a “autoridade” conferida pelo reconhecimento oficial que recebemos do professor e da “instituição” da escola Soto Zen propriamente dita, que estão declarando que completamos todos os pré-requisitos de treinamento e somos autorizados como sacerdotes e professores do Darma, habilitados a ordenar novos monges e oficiar Transmissão de Preceitos.

Mas a cor do manto não muda a pessoa e não acrescente nenhuma sabedoria especial. É simplesmente um novo pedaço de pano, mais um passo na nossa caminhada. Na prática, a troca de manto e oficialização do título “sensei” não mudou muita coisa para mim ou para o nosso grupo. Já vinha orientando um grupo de prática fazia cinco anos, quando recebi transmissão esse grupo que já me aceitava como “sensei” continuou me aceitando do mesmo jeito e quem não me aceitava, continuou não me aceitando (risos). Panos coloridos e títulos não fazem muita diferença e não precisamos nos preocupar com eles. O que conta é o dia-a-dia, o relacionamento que vai se construindo com os alunos.

BZ: É comum vermos muitos noviços e noviças sendo chamados de monges e monjas e tão logo recebam seus votos já passam a se intitular como tal. Esse querer ser antes de ser é cultural ou acontece também no Japão?

Sensei: Tecnicamente não está errado chamar um noviço ou monge-aprendize (duas graduações para “unsui” ou “monges-em-treinamento” de  “monge” ou “monja”. Mas, pessoalmente, após, testemunhar determinadas situações nos Estados Unidos, quando lá fiz meu treinamento avançado, cheguei a conclusão que isso cria alguns problemas potencialmente graves que acredito podem surgir aqui também.

O que acontece é que num país cristão-especialmente num país católico-chamar alguém de “monge” ou “monja” pode induzir as pessoas à interpretações errôneas, pois o público em geral tende a entender o termo “monge” como alguém já formado, com seu treinamento completo, enquanto que no Budismo, a ordenação monástica é somente o primeiro passo de um longo caminho de treinamento.

Tenho um aluno que recebeu ordenação monástica no ano passado tornando-se “unsui”, na graduação de “jôza” ou noviço. Recomendei que ele evitasse de se chamar de monge enquanto estiver na graduação de “jôza”, o incentivando a se assumir perante os outros como noviço enquanto esse fase durar. Vejo que isto tem dado bons resultados no desenvolvimento dele.

No Japão, um monge-em-treinamento não teria permissão de estar liderando grupos ou tentando ensinar a prática.

Com todos sendo chamados de “monge” ou “monja”, a cor do manto acaba não fazendo diferença nenhuma, e o que aparentemente “chama” as pessoas novas para este ou aquele grupo fica mais na questão de visibilidade, fama e carisma do responsável do grupo e menos nas qualificações e graduações.

No Brasil e América do Sul temos, ainda, poucos professores realmente qualificados e, devido ao tamanho do país, estes frequentemente se vêem obrigados a tentar ensinar “à distância” – o que dificulta terrivelmente a supervisão e “moldagem” destes alunos ou noviços, que, por sua vez, estão liderando grupos de prática e, às vezes, se colocando como “orientadores espirituais”. É uma situação complicada, sem soluções fáceis – todos fazendo o melhor que podem, dentro de suas causas e condições, com sinceridade e boa vontade… .

BZ: A sra. sempre quis ser monja? Qual o papel do monge na comunidade zen?

Sensei: Fui criada numa família protestante fundamentalista. Não me adaptei àquela interpretação religiosa e a abandonei aos 16 anos. Quando, durante o colégio, estava procurando escolher a minha futura profissão, me lembro de ter pensado que, se tivesse sido católica, me tornaria freira. Mas, como isto não era possível, acabei me tornando musicista. Não me lembrava mais deste detalhe até chegar no Zen, quando pedi ordenação monástica, mas o fato é que sempre nutria o desejo de “trabalhar com o ser humano”. Acabei largando a profissão de musicista justamente porque não me dava esta possibilidade da forma que queria… . Cheguei, inclusive, a refazer estudos de colégio, pensando em prestar vestibular para estudar  medicina-psiquiatria ou a psicologia – até que o Plano Collor atrapalhou aqueles planos. Quando cheguei no Zen, tive a sensação de ter chegado “em casa” – que era isto que eu sempre havia procurado. E realmente, me sinto realizada e feliz com o desfecho das coisas.

Não é fácil dizer qual o papel do monge na sua comunidade. Ele deve “servir” à Sanga, apontando a Lua e deve cuidar de sua própria prática. Não deve tomar posturas “autoritárias” ou cometer abusos da ética, mas também precisa ter a coragem para fazer o que for necessário para o bem do aluno e da comunidade. Mais ainda, acho que o monge deve “ser uma pessoa real” – sem jogos, máscaras ou papeis de “bonzinho”, etc. Acredito que uma das coisas mais importantes que tenho para compartilhar com os meus alunos é justamente a auto-aceitação e a possibilidade de simplesmente ser “quem é” ou “quem está em cada momento”.

Na verdade, recebi muito pouco treinamento de “liderança” e venho aprendendo a fazer a aplicação prática do meu treinamento para cuidar da nossa Sanga na base de tentativa e erro… . Gosto muito da palavra “sensei” porque ela não coloca a gente num pedestal como um ser especial – simplesmente diz que “vivemos antes” (temos alguma experiência e treinamento). Passo-por-passo, vamos caminhando todos juntos, cultivando a nossa prática.”

Entrevista: Business & Opportunities

setembro 20, 2012 às 10:43 am | Publicado em Blogroll, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
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Negócios, dinheiro e competição no contexto da espiritualidade

Sucesso material é compatível com espiritualidade? Pode-se falar em melhoria no padrão de competitividade, a partir de uma visual mais espiritual do mundo do trabalho? Nesta entrevista, a monja zen budista americana e naturalizada brasileira Isshin Havens responde a estas e outras questões.

Em Porto Alegre, Isshin atua como orientadora espiritual das sangas Águas da Compaixão, Aikikai e Energia Harmoniosa. Seu treinamento como monja da tradição japonesa de Soto Zen Budismo iniciou em São Paulo, onde recebeu ordenação de sua professora, Monja Coen, tendo continuidade em mosteiros do Japão e Estados Unidos. Autora do livro “A Vida Compassiva: Compaixão” e do blog Águas da Compaixão, também desenvolve projetos diferenciados para comunidades, empresas e profissionais.

Business & Opportunities: Muito já se falou em inteligência emocional, como fator de competitividade no mercado de trabalho, e nos últimos anos tem se falado também de inteligência espiritual. Não parece paradoxal, falar de inteligência espiritual para aumentar a competitividade?
Monja Isshin: Há competitividade saudável e não-saudável. Quem pratica a competição não-saudável, geralmente, pensa somente no seu próprio benefício egoísta (ou o benefício da empresa com a qual se identifica) com uma mentalidade de “danem-se os outros!”. Frequentemente, apela a métodos inescrupulosos na ânsia de conquistar lucros sempre maiores e monopólio de mercado. Mas estamos aprendendo cada dia mais que este tipo de atitude é inviável no médio prazo e também no longo prazo. Não se sustenta. Cultivando a “inteligência espiritual”, o profissional desenvolve um “centramento” interno, um espaço de calma que permite enxergar as situações com uma visão cada vez mais clara, ouvindo a voz da intuição. Na medida em que se aprofunda numa prática espiritual, pode vivenciar, ao nível experiencial subjetiva, a unidade de todas as coisas. Nesta hora, as decisões eticamente corretas se tornam muito mais fáceis, bem como a percepção de soluções criativas para as dificuldades que enfrentamos.

Business & Opportunities: Ocorre, então, uma mudança de perspectiva…
Monja Isshin: Exatamente. Na “competitividade saudável”, o empreendedor deixa de se preocupar tanto com “a competição” e o desejo de esmagá-la e se foca mais precisamente em fazer o seu próprio trabalho da melhor forma possível. Isto implica em cultivar um relacionamento “ganha-ganha” com os seus empregados, empregadores e clientes, e entender que estes estão cada dia mais informados e sensibilizados neste mundo que virou praticamente um vilarejo, graças às facilidades de comunicação e locomoção. Por exemplo, a sociedade, como um todo, está cada vez mais consciente da importância do pensamento ecológico e dos direitos dos outros seres, humanos e animais. Por mais que temos as nossas diferenças, somos todos parte de um algo maior. Para citar um clichê – “estamos todos no mesmo barco”, portanto, a “inteligência espiritual” nos ajudará a remar juntos.

Business & Opportunities: Quais seriam as características de um trabalho, de um labor, com um toque espiritual?
Monja Isshin: No pensamento protestante cristão encontramos a “ética do trabalho”, o “trabalho como meio de salvação”. No Zen Budismo, temos a prática do “samu” (geralmente traduzido como ‘trabalho’ ou ‘atividade diária’) como uma parte bastante importante de nossa prática espiritual, onde devemos nos entregar 100% na atividade que temos a nossa frente com o mesmo espírito com o qual sentamos em meditação ou cantamos as sutras (escrituras). Consideramos todas estas atividades como sendo igualmente sagradas. A experiência monástica católica é bastante semelhante. Consequentemente, vemos os monges (budistas ou católicos) fazendo o seu trabalho com um espírito leve e com alegria, flexibilidade e prontidão de simplesmente fazer o que precisa ser feito, sem ficar presos em falso orgulho e medo ou outros sentimentos negativos. Para a pessoa leiga, verdadeiramente espiritualizada, seria a mesma coisa. Finalmente, por estarem “centrados” na sua espiritualidade, tais pessoas tendem a ter uma percepção mais clara das situações e uma intuição mais forte, que passa a trabalhar de uma forma integrada com o seu lado “racional” e as ajuda a reconhecer aspectos sutis dos acontecimentos e a enxergar o quadro maior.

Business & Opportunities: O livro ‘O monge e o executivo‘ é bestseller e inspira muitas pessoas em seus trabalhos. Qual sua avaliação?
Monja Isshin: Gostei muitíssimo. No fundo, há muito pouca diferença entre a experiência de um monge cristão e um monge budista. De fato, são realizados muitos intercâmbios e compartilhamentos entre os dois grupos. Consequentemente, os ensinamentos sobre a importância de “servir” e de “liderar servindo” são idênticos. No Japão e outros países asiáticos, é bastante comum para as pessoas leigas, incluindo muitos empreendedores e outros profissionais, passar algum período de tempo num mosteiro budista, para “fortalecer o caráter” e treinar o “servir”. Assim, me identifiquei bastante totalmente com o livro e certamente o recomendo.

Business & Opportunities: Muitas pessoas veem a espiritualidade como contraposição a negócios, dinheiro, sucesso no mundo material. Como a senhora vê essa questão?
Monja Isshin: Criou-se uma imagem estereotipada da pessoa supostamente “espiritualizada” como sendo uma pessoa “bicho grilo” e “alienada”. Nesta imagem, seria lógico concluir que tal espiritualidade não combinaria com o sucesso no mundo material, dinheiro ou negócios. Mas tal imagem não representa o quadro da pessoa verdadeiramente espiritualizada, como eu a conheço. Os mestres religiosos, sejam católicos, sejam budistas, que tenho conhecido, têm sido pessoas bem presentes, ativas e atuantes no mundo real. Mais ainda, eles incentivam que os leigos espiritualizados vivam plenamente, com honestidade, ética, dignidade e generosidade, desfrutando do dinheiro, do sucesso e dos benefícios resultantes.

Publicada originalmente na Revista Business & Opportunities, da Câmera de Comércio  Italiana Rio Grande do Sul, Novembro 2010.

Vídeo: na TV

setembro 3, 2012 às 5:39 pm | Publicado em Compaixão Zen Budista, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
Gravação no Parque da Cidade de Jundiaí 1

Gravação no Parque da Cidade de Jundiaí para o programa “Na Moral” da Globo

Recentemente, tive o prazer de aparecer duas vezes na televisão, podendo fazer uma pequena divulgação para a Cultura de Paz e o bem-estar.

A primeira vez foi uma pequena participação numa reportagem sobre dor, gravada pela canal RBS, a emissora da Globo em Porto Alegre.

A segunda vez foi no programa “Na Moral” do jornalista Pedro Bial. A gravação foi feita em duas partes. Com a colaboração de duas pessoas (pai e filha), Edson Calil e a Júlia Porto, realizamos três atividades meditativas no Parque da Cidade de Jundiaí, um lugar lindíssimo! Este trecho no parque pode ser assistido no site da Globo.

Alguns dias depois, fizemos a gravação do programa propriamente dito, nos estúdios da Globo no Rio e o trecho da minha participação no estúdio também pode ser assistido no site do Globo. Ainda outros trechos estão disponíveis lá.

Outros trechos interessantes do programa, ao meu ver, são:
. Camila Pitanga contesta o uso de medicamentos
. Epidemia de depressão ou diagnósticos de tristeza como depressão?

Fotos da sessão de gravação no Parque da Cidade de Jundiaí:

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