3º Encontro Latino-Americano Zen. Bogotá, 2016

abril 29, 2015 às 12:50 pm | Publicado em Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

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Queridos Mestres, amigos e praticantes Zen,

Espero que todos vocês estejam com boa saúde e bem-estar junto aos seus entes queridos.

Embora o Zen tenha    vindo para a América do Sul antes que a muitos outros países do Ocidente, o seu desenvolvimento aqui como prática se iniciou mais tarde que na Europa e Estados Unidos, e até hoje, não chegou a ter o mesmo impacto, nem a mesma força que possui nestes países. A maioria dos grupos da América do Sul, até recentemente, trabalhavam sozinhos. De nossa parte, estivemos isolados na Colômbia até alguns anos atrás, porque não tínhamos um mestre Zen certificado. Em 2013, durante as comemorações do 110º aniversário da chegada do Zen para a América do Sul em Lima, liderado pelo venerável Senpo Oshiro da Argentina, se discutiu a necessidade de reforçar os laços de diferentes sanghas e colocar em funcionamento uma rede de conexão, para o benefício de todos, com a participação ativa de todos os praticantes desta região do mundo.

Com sucesso, em 2014 se realizou a primeira reunião na Argentina e este ano, no Uruguai. Durante os eventos culturais em Montevideo, tivemos a presença de mais de uma dúzia de mestres da escola Soto ao início do encontro. Já quebramos os muros que nos mantiveram isolados e começamos a ver os frutos de uma grande Sangha Latino-americana.

Na reunião dos mestres missionários, foi decidido por unanimidade, que no próximo ano, o 3º Encontro Latino-Americano Zen acontecerá em Bogotá, na Colômbia.

Desde que iniciamos nosso templo Zen Mente Magnânima – Daishinji – queríamos estabelecê-lo como um farol de luz para mudar a forma como nos relacionamos com os outros seres e a vida em geral. Dado o contexto histórico do processo de paz que vivemos em nosso país, de verdade esta é uma circunstância muito auspiciosa, tendo em conta os benefícios que a nossa prática pode aportar na construção de uma sociedade mais harmoniosa, tolerante, respeitosa, amável e pacífica. Assim, o tema central será como alcançar a paz e preservá-la, desde uma perspectiva Zen. É um privilégio termos sido escolhidos como sede do próximo encontro e uma oportunidade única para levar a nosso país um grande número de mestres e praticantes comprometidos. Podemos cumprir nosso propósito de fornecer ferramentas para a consolidação da paz na era pós-conflito. Agora teremos a possibilidade de nos projetarmos de verdade e ter um poderoso impacto na vida e na sociedade do nosso país.

Durante o encontro na Colômbia, vamos criar espaços onde o grande público poderá conhecer esta prática como um caminho para transformar as tendências habituais de um ego guiado pela competição, arrogância, ganância, ressentimento e ódio, e permitir aos indivíduos a atuarem com amabilidade, compaixão e responsabilidade, para participar de maneira ativa na construção de uma paz sustentável.

Vamos criar um fórum onde os mestres Zen convidados poderão expor sobre sua própria prática e experiência de como o Zen poderá ajudar concretamente às necessidades de uma nova sociedade. Convidaremos para esta reflexão os acadêmicos e artistas vinculados de algum modo com o Zen e que se abram as portas das universidades para levar esta reflexão a diversos âmbitos de nossa sociedade. Necessitamos envolver as empresas privadas, as instituições e os meios de comunicação para apoiar o encontro. Unindo os esforços de muitas frentes, poderemos fazer com que este evento, sem precedentes em nosso país, floresça e traga alívio ao sofrimento de nosso povo.

O terceiro encontro será realizada em Bogotá, entre a segunda-feira 7 e o domingo 13 de março de 2016. Teremos palestras públicas, exposições e um retiro de três dias, de quinta-feira 10 ao domingo 13 de março de 2016. Durante o retiro, esperamos poder contar com a presença de alguns maestros que virão para atividades culturais e receber seus ensinamentos.

Quero convidar a todas as pessoas que de alguma maneira se sintam identificadas com o Zen, ainda que suas condições de vida não lhes permitam dedicar a uma prática assídua, a que se unam na organização e desenvolvimento das atividades deste evento. Devemos estabelecer grupos de trabalho com pessoas e profissionais com experiência em diversas áreas, dispostos a doar seu tempo e esforço para não deixar passar esta oportunidade única no fluxo incessante da vida e evitar que se desvaneça sem deixar vestígios.

Seria útil se você pode compartilhar essas informações com seus amigos, e todas as pessoas que você acha que podem estar interessadas.

Não há melhor momento para despertar que agora, nem melhor lugar que aqui.

Com profundo respeito e gratidão, para o bem de todos os seres.

Em gasshō,
Ven. Denshō Quintero
Abade da Comunidade Sōtō Zen da Colômbia
Bogotá, Colômbia, 28 de abril de 2015.

Ver também:
site Zen America del Sur
página no Facebook
zenamericadelsur@gmail.com

 

Vídeo: Entrevista na Rede Aquarius na TV

abril 14, 2015 às 7:26 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

No dia 11 de abril, às 11 horas no Canal 11 da NET e Canal 55 na TV Aberta, estreou-se um novo programa voltado para a saúde, auto-conhecimento e bem-estar: “Rede Aquarius na TV“. O programa semanal é apresentado pela Carla P. Berto, da Rede Aquarius,

Assiste ao trecho da programa da minha entrevista:

O programa inaugural contou com a presença das seguintes pessoas:
Psicoterapeuta Daniele Tedesco (www.danieletedesco.com.br)
Dra. Clarice Luz (www.labvitrus.com.br)
Dra. Lidia Sabbadini (www.clinicasabbadini.com)
Professor Mauro Kwitko (www.maurokwitko.com.br)
Monja Isshin (aguasdacompaixao.wordpress.com)
Psicólogo Clínico Dr. Guy Desaulniers  (Fone: 3334.1781)
Márcia Unfer (www.fratino.com.br)

Visite o canal da Rede Aquarius no Youtube para assistir ao programa completo.

Uma revisão de “Beat Zen, Square Zen, and Zen”, de Alan Watts (Final)

março 18, 2015 às 8:10 am | Publicado em Revistas - Artigos e Entrevistas | 1 comentário

(2ª parte)

Em que Watts acertou

Watts também foi crítico do Beat Zen, que às vezes via o Zen como “extravagância indisciplinada” e “justificador de puro capricho na arte, literatura e na vida”. Watts considerava que o Zen da poesia de Allen Ginsberg era indireto e didático demais, ao passo que a definição do Zen de Jack Kerouac – “Não sei. Não me importa. E não faz diferença.” – era cheia de autodefesa e se afastou do Zen completamente.

Sim, é justo dizer, em retrospectiva, que Kerouac idealizou o Zen sem realmente compreendê-lo e que a jornada espiritual de Ginsberg logo deixaria o Zen para trás. Outros Beats – notadamente Gary Snyder e Philip Whalen – viriam a conhecer o Zen mais intimamente, contudo, a tempo.

A principal coisa que Watts acertou neste ensaio, penso, foi sua análise de por que uma boa parte dos Estados Unidos pós-guerra tornou-se fascinada pelo Zen. No Zen, disse Watts, as pessoas viam um antídoto à “antinaturalidade” tanto da Cristandade quanto da vida moderna. E talvez você tivesse que viver nos anos 1950 para avaliar como isso foi verdadeiro.

Os anos 1950 foram uma época na qual um Estados Unidos ainda se curando da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia precisava de lealdade e conformidade. As pessoas estavam abaladas pelo medo de inimigos de fora e da aniquilação nuclear. Ao mesmo tempo, muito da velha ordem social doméstica pré-guerra estava sendo desafiada pela dessegregação e o nascente movimento pelos direitos civis.

Como resultado, grande parte dos Estados Unidos se retraiu em hiperconformidade e um apego desesperado ao tradicionalismo. Como Betty Friedan documentou em seu marcante “A Mística Feminina” (The Feminine Mystique, 1964), por exemplo, o papel da mulher na sociedade se tornou mais estreito e mais restrito após a Segunda Guerra Mundial, do que havia sido antes.

A Geração Beat foi uma resposta organicamente humana ao que a sociedade dominante havia se tornado. E havia algo no Zen que oferecia a tentadora possibilidade de reintegração entre o humano e a natureza, e uma libertação da blindagem compulsiva contra tudo o que marcou os anos 1950.

O mal-estar generalizado rompendo a fachada de conformidade dos anos 1950 “surge da suspeita de que nossa tentativa de dominar o mundo do lado de fora é um círculo vicioso no qual seremos condenados à insônia perpétua de controlar controles e supervisionar supervisão indefinidamente”, disse Watts. O Zen oferecia um “senso refrescante de inteireza a uma cultura na qual o espiritual e o material, o consciente e o inconsciente, haviam sido cataclismicamente separados”.

Foi assim que o Zen-Budismo tornou-se “chique”, por um tempo. Felizmente, é menos chique agora. No entanto, ainda oferece o mesmo caminho de reintegração e liberação que então oferecia.

E sobre Alan Watts? Se os livros de Watts “falam” a você, então, com certeza, desfrute-os. Ele tinha um monte de coisas valiosas a dizer.

Se o seu interesse principal é ler sobre o Zen, alguns dos missionários oficiais da Sōtō Zen (Kokusai Fukyōshi) mantêm sites em português, que você pode visitar. Veja a lista:

. Sōtō Zen Internacional, em Português

. Comunidade Budista Sōtō Zenshu da América do Sul (Templo Busshin-ji – Dōshō Saikawa Rōshi) – São Paulo, SP

. Monja Isshin, Sensei

. Jisui Zendō: Sanga Águas da Compaixão (Monja Isshin, Sensei) – Porto Alegre – RS

. Mosteiro Zen Morro da Vargem (Monge Daiju Bitti, Sensei) – Ibiraçu – ES

. Monja Coen, Sensei

. Zendo Brasil, Tenzui Zendō (Monja Coen, Sensei) – São Paulo – SP

. Templo Enkoji (Monge Tensho Ohata, Sensei) – Itapecerica da Serra – SP

. Templo Zengtsuzan Taikan-ji (Monge Enjō, Sensei) – Pedra Bela – SP

. Templo Zen das Alterosas (Monge Mokugen, Sensei) – Belo Horizonte – MG

Também indicamos:

Daissen Portal Zen-Budista (Monge Genshō) – Florianópolis – SC

e o Blog O Pico da Montanha (Monge Genshō)

 

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Luan Luna e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto de autoria de Barbara O’Brien, originalmente publicado no site http://buddhism.about.com/

Uma revisão de “Beat Zen, Square Zen, and Zen”, de Alan Watts (2)

março 17, 2015 às 8:08 am | Publicado em Revistas - Artigos e Entrevistas | 2 Comentários
Imagem encontrado na página: http://en.wikipedia.org/wiki/M._C._Escher

Imagem encontrado na página: http://en.wikipedia.org/wiki/M._C._Escher

(1ª parte)

Em que Watts errou

A primeira frase de Watts me balançou: “É tão difícil para os anglo-saxões quanto para os japoneses absorver algo tão chinês quanto o Zen”. Deixando de lado o uso tão embaraçoso do termo “anglo-saxão” para se referir aos “ocidentais”, parece-me que o Japão absorveu o Zen muitissimamente bem. Mas isso nos leva ao coração do que Watts errou.

Ao continuar a leitura, percebe-se que o “Zen quadrado” do título é o Zen japonês, “com sua hierarquia claramente definida, sua rígida disciplina e seus testes específicos do satori”. Ele comparou o Zen japonês à sua antiga versão, o Zen chinês, chamado Chan, o qual Watts imaginava ser leve e natural, e mais parecido com o Taoismo.

Entretanto, a visão idealista de Watts sobre o Chan ignora o fato de que o Chan também possuía e possui suas hierarquias, disciplina e testes, e a História aponta que devem ter sido tão bem definidos, rígidos e específicos na dinastia chinesa T’ang quanto eles se tornariam no Japão. A história do Chan é cheia de relatos sobre monges passando anos em meditação e outras práticas para atingir a Iluminação. O Zen libertário da imaginação de Watts nunca existiu.

Por exemplo, Watts citou Lin-Chi (Linji Yixuan, morto em 866), um proeminente mestre do Chan da Dinastia T’ang, dizendo: “No Budismo não há lugar para a utilização do esforço”. Essa frase vem sendo traduzida por outros como “Não há muito que fazer” e/ou “A Lei do Buda não guarda espaço para atividades complicadas”, e eu não sei qual é mais precisa.

O que eu sei é que para nossos padrões, Linji deve ter sido um terror. Ele era famoso por seus rigorosos métodos de ensino, os quais incluíam gritos, insultos e socos. Então onde está o “pouco espaço para o uso do esforço”? De fato, para a maioria de nós custa considerável esforço, antes da prática se tornar sem esforço. Nesse assunto, a maior inspiração de Watts foi o estudioso japonês D. T. Suzuki, que aprendeu o Zen num monastério Rinzai – quase o mais “quadrado” que existe.

Eu estou pensando agora sobre uma frase de um poema do venerável professor Theravāda chamado Phra Ajaan Mun Bhuridatta Mahathera, que descreveu uma mente purificada de máculas: “A mente, livre de ficar encantada por qualquer coisa, para com a sua luta”. Sim, quando a mente para de lutar, não há esforço. A literatura Zen, tanto a japonesa como a chinesa, é cheia de descrições sobre o estado de não esforço de um ser realizado. O grande paradoxo da prática é que a maioria das pessoas precisa fazer grande esforço para parar de lutar e atingir um estado de não esforço. O Budismo é fácil, sim, mas nós somos difíceis.

O ensaio é permeado de muitas referências ao Taoismo. O grau a que o Budismo chinês, incluindo o Chan, foi influenciado pelo Taoismo está sendo questionado por muitos estudiosos atuais. Alguns decidiram que não houve qualquer influência. Eu não iria tão longe; cheguei ao Zen através do Taoismo filosófico e me parece que houve alguma influência, pelo menos em como o Chan explica as coisas. Mas é ir longe demais presumir que o Chan da Dinastia T’ang foi tão Taoista quanto Budista, como parece fazer Watts. (continua)

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Luan Luna e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto de autoria de Barbara O’Brien, originalmente publicado no site http://buddhism.about.com/

Uma revisão de “Beat Zen, Square Zen, and Zen”, de Alan Watts (1)

março 16, 2015 às 8:19 am | Publicado em Revistas - Artigos e Entrevistas | 1 comentário

Alan Watts (1915-1973) possivelmente fez mais para popularizar o Zen-Budismo no Ocidente do que qualquer outro. Seus muitos livros sobre o Zen ainda são impressos e as pessoas ainda vão até eles em busca de inspiração e insight. Grande parte do Ocidente obteve suas primeiras impressões do Zen através de Watts.

O Zen Ocidental recorda Watts hoje com certa ambivalência, entretanto. Sim, ele foi um escritor vigoroso e um homem de aguçada inteligência e conhecimento, e seus livros e palestras gravadas ainda atraem pessoas aos centros Zen. Muitos dos professores contemporâneos ocidentais do Zen começaram seu caminho no Zen ao lerem Alan Watts.

Todavia, há aspectos do Zen que Watts compreendeu de forma errada. Ele, às vezes, utilizava palavras dos antigos mestres fora de contexto e impunha suas próprias ideias e interpretações a respeito delas. Mais notoriamente, sua leitura equivocada de um dos antigos koan o levou a ignorar a importância do zazen – a meditação Zen – na prática Zen.

Muito da compreensão de Watts a respeito do Zen está refletida em seu ensaio “Beat Zen, Square Zen, and Zen”, que foi publicado na edição da primavera de 1958 do Chicago Review. Essa publicação foi um marco na história do Zen americano. Contém nove artigos sobre o Zen-Budismo e excertos do que viria a ser Dharma Bums, de Jack Kerouac, cujo “On the Road” (“Na Estrada”) havia sido um sucesso literário em 1957. Depois da publicação no Chicago Review, até mesmo a revista Time sentenciou (em 21 de julho de 1958): “O Zen-Budismo está crescendo cada vez mais chique a cada minuto”.

O Zen que se espalhou foi, na maior parte, o Beat Zen. Mas o Zen “chique” ainda é Zen? E como esse ensaio permaneceu influente por mais de 55 anos? Aqui estão minhas impressões. (continua)

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Luan Luna e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto de autoria de Barbara O’Brien, originalmente publicado no site http://buddhism.about.com/

Secularização do Budismo – torná-lo acessível ou arrancar-lhe as raízes?

fevereiro 25, 2015 às 9:55 pm | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Imagem encontrado na página: http://pixabay.com/pt/equil%C3%ADbrio-medita%C3%A7%C3%A3o-meditar-110850/

texto por: Ethan Nichtern
Uma postagem convidada para o One City Blog por Vince Horn do Buddhist Geeks (Biografia Abaixo)

Hoje é algo muito comum e moderno querer secularizar o Budismo. Muitas organizações e movimentos sérios se orientam por esta premissa. Para ver o amplo alcance da secularição do Budismo basta observar o trabalho que o Mind e Life Institute está fazendo para tornar a meditação uma tendência dentro das ciências ou o trabalho que Jon Kabat-Zinn realizou com a técnica de Redução de Estresse Baseada em Plena Atenção.

De fato, tive muitas excelentes conversas, para o Buddhist Geeks Podcast, com alguns dos líderes desse movimento, incluindo o fundador do Mind and Life Institute, Adam Engle, e o monge zen Norman Fischer. Cada um deles apresentou razões extremamente boas para secularizar o dharma, logo não é difícil apreciar o trabalho que eles estão desenvolvendo. Mesmo assim, acredito que há algo limitante em esta ser a única ou a principal abordagem ao transmitirmos o Dharma para o Ocidente.

Mas permitam-me ser claro sobre o que quero dizer com “secularizar o Budismo”. Trato, especificamente, da tentativa de remover as “roupagens culturais” das tradições enquanto preservamos e re-embalamos a “essência” da tradição (que geralmente tem algo a ver com a prática da meditação). Durante o processo, a linguagem religiosa é jogada fora e uma nova linguagem “menos religiosa” é utilizada em substituição. Frases como “Budismo é mais uma ciência que uma religião” ou “a tecnologia central do budismo é a meditação” são indicadores do impulso secular. O problema é que o Budismo é uma religião. E é uma ciência. E é mais ainda…

Secularização é Sexy

Antes de entrar em alguns dos problemas que tenho notado nas premissas por detrás da secularização do Budismo, gostaria de reconhecer os resultados benéficos desse movimento. O principal parece ser que algumas das maravilhosas práticas de meditação e talvez algumas noções dos modelos por detrás delas são mais capazes de entrar na cultura dominante. Ainda vou chegar no porquê que assumir que a cultura dominante ocidental seja secular é um problema, mas por hora vamos apenas presumir que de outra forma muitas das pessoas não seriam apresentadas a estas práticas do Budismo secular. Isto é algo maravilhoso. Conectado a isso vemos o campo da “Ciência Contemplativa” começando a ser validado, bem como todo um grupo grande de cientistas fazendo carreira nesta intersecção. Há também muitos modos nos quais práticas meditativas baseadas no budismo tem sido levadas até contextos educacionais. Logo, deve ser reconhecido que existem benefícios reais surgindo de alguns desses movimentos, e eles devem continuar.

Seria o Ocidente realmente secular?

E agora, algumas de minhas maiores preocupações. Uma é acharmos que a cultura ocidental dominante realmente é secular. Alguém percebeu que, de fato, somos uma cultura incrivelmente religiosa? Algumas partes da Europa são um pouco menos, mas nos Estados Unidos aproximadamente 85% das pessoas se auto-identificam com alguma tradição religiosa. Isto nos torna uma sociedade secular ou uma altamente religiosa? E não vamos confundir a separação da Igreja em nosso processo político (o qual foi, na realidde, desenhado para apoiar os cristãos evangélicos que estavam sendo perseguidos e não os ateus que tinham receio de a religião corromper o governo) com ter uma sociedade secular. Nosso processo governamental tenta ao máximo não ser influenciado por qualquer tradição religiosa, mas temos um país repleto de pessoas religiosas que são ativas na governança.

E há esta ideia estranha que realmente existe uma dicotomia entre ciência e religião e que para que algo seja científico este não pode ser religioso (e vice versa). Mas será realmente este o caso, temos que arrancar qualquer coisa que remonte a “religião” do Budismo para que nossa cultura seja capaz de tolerá-lo?

Ai! Estas são minhas raízes!

O outro problema com a abordagem secular é que, frequentemente, na tentativa de distanciar-se do “Budismo como religião”, ocorre o descarte da significância histórica da tradição budista. Se você passar algum tempo estudando a história do Budismo, logo verá que é uma tradição religiosa antiga e em costante mudança. Ela possui uma série de práticas e crenças que se espalharam e misturaram com muitas outras influências. O Budismo, quando entrou no Tibet a partir da índia, misturou-se com o tradição xamanística Bon que lá havia. Quando entrou na China, mesclou-se com a influência do Confucionismo e o Taoísmo. E agora, ao entrar no Estados Unidos, está se misturando com nossa cultura científica e com as crenças estranhas sobre a diferença extrema entre religião e ciência. O problema em não enxergar como o Budismo evoluiu e em não ver a nós mesmos como parte desta evolução é que podemos acreditar que, de algum modo, somos os possuídores da “essência” do Budismo.

Mas o que é a essência removida das práticas, realizações, modelos e pessoas que contribuíram para esta tradição viva? Isto realmente existe? É possível que a ideia toda de uma essência do Budismo distinta de suas formas externas – aquelas formas que são tão irrelevantes que podemos simplismente ignorá-las e jogá-las fora – estaria vindo de um conjunto de pressupostos culturais que existe neste lugar e época? Temos que reconhecer essa possibilidade e enxergar que existe um tipo de violência em tentar arrancar algo de suas raízes históricas e que existe também um tipo de arrogância ao pensarmos que podemos ser bem sucedidos nesta empreitada.

Algumas questões para ainda considerar

Algumas questões que colocaria a mim mesmo e a algumas pessoas que se consideram influenciadas pela tradição Budista: estamos tão constrangidos por alguns componentes do Budismo (a aderência a códigos morais rigorosos, o mágico e mítico panteon da cosmologia budista, a metafísica da iluminação, etc) que sentimos a necessidade de jogar fora todos eles sem qualquer questionamento? Ou podemos suportar a dor de saber que todos os ensinamentos maravilhosos que advêm da tradição budista também são acompanhados de coisas que podemos não gostar ou entender? E se nós sabemos disso, pode isto significar que cada um de nós tem que lidar com o passado, presente e futuro do Budismo e suas relações com nossas vidas? Podemos realmente confiar que coisas como Redução de Estresse Baseado em Plena Atenção estão levando adiante todo o potencial da tradição budista? Com a secularização do Budismo, será que estamos corrento o risco real de perder algo de incrível importância enquanto tentamos dispensar o que consideramos não-essencial? Estas são questões que eu continuo a ponderar, sendo tanto um amante da sabedoria que é carregada através da tradição budista quanto da inovação e novas formas pelas quais aquela sabedoria pode ser carregada. Minha intuição é que ambas podem ser honradas – tradição e inovação – mas não se uma for valorizada em detrimento da outra. E certamente não honraremos se nós não nos colocarmos essas difíceis questões.
————————————-
Vince Horn vive como um monge moderno. Passa parte do seu ano em silêncio, meditando, em introspecção, desenvolvendo a espiritualidade. O resto do tempo passa engajado no mundo, onde produs e apresenta o show popular Buddhist Geeks, trabalha no departamento de produção da companhia de publicações espirituais Sounds True e escreve para várias publicações, incluindo seu blog pessoal Numinous Nonsense – e aprecia viver em Boulder, Colorado com sua esposa Emily.

 

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaborou neste texto Bruno Melnic Pir (inclusive revisão ortográfica); supervisão de Isshin-sensei). Texto originalmente publicado no site http://www.beliefnet.com/

Resiliência

fevereiro 6, 2015 às 10:40 am | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Quantas vezes na vida temos a sensação de estarmos em queda livre, sem controle nenhum sobre o que está acontecendo conosco? E quantas vezes batemos a cabeça ou trombamos com obstáculos, soltando um grito de dor ou medo?

Na psicologia e na psicanálise, a capacidade de adaptar-se aos acontecimentos, recuperar-se dos “acidentes do percurso” e seguir em frente é chamada “resiliência”.

Este vídeo, terrivelmente forte, é um belo exemplo de resiliência. Mostra um ganso de faces brancas com 2 dias de vida, atendendo a chamada dos pais, se jogando de um penhasco de 120 metros de altura, onde nasceu, até o chão, de onde seguirá a sua vida. Nota: a maioria sobrevivem a aventura…

Vamos aprofundar a nossa prática e cultivar a nossa resiliência?

Vídeo: Luzes do Ano Novo

dezembro 31, 2014 às 7:30 pm | Publicado em Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo | Deixe um comentário

Com os meus votos que a Luz do Darma, com toda a sua beleza, possa se espalhar pelo mundo inteiro com este mesmo brilho, compartilho este vídeo espetacular de fogos de artifício:

Luzes de Natal e Chanucá

dezembro 19, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Blogroll, Diálogo Interreligioso, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo | Deixe um comentário

Muitos americanos decoram suas casas para o natal com verdadeiros shows de luzes, de uma forma extravagante. Existem até prêmios pelos shows de luzes mais bonitos(? bem, não sei qual é o critério, na realidade…).

Encontrei este vídeo divertido, que expressa ironia em relação ao aspecto comercial do natal (shopping, shopping, shopping) mas que também lembra o Chanucá (Hanukkaha, ou Festival das Luzes) da tradição judaíca, que este ano de 2014, começou no com o pôr do sol do dia 16 termina justamente no pôr do sol do dia 24.

Deixo aqui registrado para os meus amigos Cristãos e Judeus os meus votos de muita Paz e Alegre neste período festiva !!!

No Budismo, respeitamos o natal – no mosteiro, sempre havia uma festinha no dia 25, mas o nosso “natal budista” é celebrado numa época diferente. No budismo japonês, o nascimento de Buda é celebrado no dia 8 de abril com cerimônias religiosas nos templos e com o festival popular chamado Hanamatsuri (Festival das Flores), enquanto que e celebrado como Vesak nos outros países budistas, em datas que variam de acordo com o calendário lunar tradicional de cada país, mas geralmente acontecendo em abril ou maio.

Ler sobre Vesak no Wikipedia (em inglês).

Coragem

dezembro 15, 2014 às 10:35 am | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Quantas vezes na vida temos a sensação de que o nosso próximo passo representa uma espécie de salto de um precipício? São aqueles momentos de abrir mão do conhecido, do “seguro”, do confortável, para embarcarmos numa jornada ao novo, ao desconhecido – fora da nossa “zona de conforto”.

Largar de um emprego que odiamos para abrir um negócio próprio; mudar de cidade; sair de casa para morar no nosso próprio apartamento pela primeira vez; pedir a amada em casamento; divorciar-nos de um casamento que azedou – todos estes são exemplos de precipícios.

Ao nos vermos numa encruzilhada – sem ter como voltar para trás, mas talvez paralisados pelo medo – ficamos lá, na beira do precipício, olhando para baixo, para um chão tão distante.

Esquecemos que não somente descansamos nas mãos de Buda, mas que SOMOS uma parte integrante do próprio Buda!

Então, vamos sempre aprofundar a nossa prática até vivenciar a Paz e Tranquilidade, a “segurança sem chão” e o destemor (ausência de medo) que o Budismo nos oferece.

Mas, enquanto não chegamos lá, vamos treinar a fé e a coragem – a coragem que vem do coração determinado e sincero – e seguir o exemplo destes patinhos:

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