Suástica Budista – Diferente da Suástica Nazista

outubro 11, 2018 às 3:48 pm | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Meditação em Passo Fundo - RS, Prática Zen Budista | Deixe um comentário

Buddha with SwasticaCom todo respeito, o senhor Delegado Paulo Cesar Jardim se confundiu e, na minha opinião, se expressou de uma forma irresponsável de um assunto que não conhece direito e não tem autoridade para falar. Para evitar julgamentos, reconheço que talvez nem chegou a ler além da primeira frase do artigo na Wikipédia, o que talvez explica sua confusão.

A suástica budista é bem diferente daquela no estilo nazista que foi marcada na mulher que foi agredida de forma tão cruel.

A suástica encontrada em imagens e templos budistas tem suas hastes viradas em sentido anti-horário e com ângulos retos (卍), e não virada à direita e posicionada num ângulo rotacionado. Além de ser encontrado em numerosas culturas, desde a pré-história, a suástica chegou ao budismo através de suas raízes no hinduísmo.

De acordo com o site Suki Desu, o termo “suástica” é derivado da palavra sânscrito “Savstika“, que basicamente significa “bem-estar” e, no Japão, significa “misericórdia infinita”.

Mais ainda, como o Budismo ensina a não violência e a não discriminação, este tipo de agressão é totalmente inadmissível.

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. Qual a diferença entre a suástica budista e a nazista?
. Suástica nazista e suástica budista – Diferenças
. Curiosidades sobre o Manji, a suástica budista
. Nota sobre a Associação entre Violência e Símbolos Budistas
Swastika (Wikipedia, em inglês)

 

 

 

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Podcast mp3: Eleições e Polarizações

outubro 7, 2018 às 9:07 am | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Passo Fundo - RS, Podcast, Prática Zen Budista, Uncategorized | Deixe um comentário

elecciones-focus-0-0-628-524Novo podcast: https://audiomack.com/embed/song/isshin-1/2018-10-03-19-07-40

Vídeo: Hallelujah de Leonard Cohen

maio 14, 2018 às 9:56 pm | Publicado em Blogroll, Música, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Cohen_poemas_nov17Ordenado monge aos 62 anos de idade, o poeta e compositor Zen Budista Leonard Cohen tinha uma voz “única”, por assim dizer, que um aluno meu descreveu poeticamente como “áspera, carinhosa e saudosa como a mão de um velho amigo que encontramos depois de muito tempo”…

Recentemente, numa das aulas do Mini-Curso 04, falei da popularidade de sua lindíssima canção “Hallelujah”, que é tocado em tudo quanto que é de evento, inclusive em muitos casamentos. Expliquei que, ao meu ver, a letra desta música é um tanto irônica e triste – ou, talvez, resignada. Mas é uma letra bem Zen também… Aí, compartilhei Adicionei a minha impressão de que poucas pessoas realmente prestam atenção à letra, fixando-se na beleza da música – e acabam não percebendo a emoção da letra.

De acordo com uma reportagem no site Rolling Stone, Cohen teria dito, “Este mundo é cheio de conflitos e cheio de coisas que não podem ser reconciliadas, mas há momentos quando podemos transcender o sistem dualista e reconciliar e abraçar a bagunça toda, e é isto que quero dizer com `Hallelujah! Abençoado seja o nome.` … O único momento em que você pode viver aqui confortavelmente nestes conflitos absolutamente irreconciliáveis é quando você abraça tudo isto e diga `Olha, não entendo nada destas %#$^&^& coisas mesmo – Aleluia!` Este é o único momento que vivemos aqui plenamente como seres humanos.”

Então, vamos apreciar esta canção Zen:

E, vamos também apreciar o som maravilhosamente delicada da versão instrumental de Jake Shimabukuro no Ukulele:

Você pode ver a letra e a tradção desta música no site de Vagalume.

 

Tôzan Ryôkai e Concordar ou Não com o Mestre

outubro 30, 2017 às 5:42 pm | Publicado em Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
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Tôzan Ryôkai

Há uns dois dias, finalmente encontrei um koan no texto O Registro de Tung-shan (The Record of Tung-shan, traduzido para o inglês por William F. Powell) que vinha procurando já fazia algum tempo. Este koan ajuda explicar um pouco o que um professor do zen espera do seu aluno na medida em que este se forma, ou seja, vai completando o seu treinamento e recebendo a Transmissão de Darma.

Fala de uma conversa entre o Mestre Tôzan Ryôkai (Dongshan Liangjie), um dos dois fundadores da nossa escola Soto Zen na China e um dos seus alunos.

O aluno perguntou se o fato dele estar realizando um grande serviço memorial para o seu antigo mestre, Yün-yen, significava que Tôzan concordava totalmente com aquele mestre.

O Mestre Tôzan respondeu que concordava com a metade e discordava da outra metade.

Aí o aluno perguntou então, por que ele não concordava com tudo.

Encontrei duas traduções da resposta genial do Mestre Tôzan:

Uma tradução ficou “Porque concordar totalmente seria não-filial”.

A segunda tradução diz: “Se eu concordasse completamente, estaria faltando gratidão com o meu mestre.”

Porque isto? Depois de anos obedecendo o mestre durante o período de treinamento, quase sem espaço de manifestar opinião, como é possível dizer que, depois de formado, NÃO discordar com a metade dos ensinamentos do mestre seria uma atitude não-filial ou uma falta de gratidão???

A resposta é simples: Porque a maioria dos professores de darma não estão interessado em formar cópias de si mesmo. Sendo assim, muitos acabam até formando seus futuros dissidentes (e podem até se orgulhar disto)!

Como? Porque a finalidade do treinamento é de “tirar as falsas cabeças de cima da cabeça verdadeira” do aluno.

Ao iniciar o treinamento do aluno, o professor ainda não sabe qual será a “verdadeira cabeça” daquele aluno – e o aluno sabe menos ainda – pois está com uma ou mais falsas cabeças por cima de sua própria. São os condicionamentos, neuroses, traumas, crenças falsas e/ou limitantes – sem falar da não-realização do profundo significado dos Quatro Nobres Verdades como ensinados pelo Buda.

Aos poucos, espera-se que o aluno comece a manifestar o seu verdadeiro ser – sua essência, perceber suas verdadeiras opiniões e descobrir o seu verdadeiro caminho, que pode acabar sendo bastante diferente daquilo que ele ou o professor haviam imaginado no começo. SEM PROBLEMA! Isto não o impede de continuar estudando com o professor que o levou até este ponto de auto-descoberta. Só significa que se faça reajustes no relacionamento – o que acontece naturalmente com a Transmissão de Darma (que pode não significar ainda que o aluno tenha se tornado Professor de Darma). O importante, para o professor, é do aluno se descobrir e realizar a si mesmo – do seu próprio jeito.

Bem, já falei demais aqui, dando muita coisa de bandeja. Agora, reflita até levar a realização deste ensinamento até a medula dos seus ossos e, em seguida, vá lá e estude o koan do “Dedo de Gutei”…

 

Vídeo: Palestra no projeto Estação Psi

outubro 27, 2017 às 5:07 pm | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
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2017-10 Palestra Estação Psi 08No dia 2 de outubro, foi realizada uma palestra da Monja Isshin como parte do projeto Estação Psi da Comitê de Psicologia Transpessoal da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS) em parceria com a livraria FNAC do Barra Shopping Sul, com o tema “Compaixão e a Vida Diária”.

Assista ao Darma Chat da Sanga Águas da Compaixão (domingos às 16:30 h):

Ordenação Monástica: Yakuhô Felisberto

outubro 3, 2017 às 11:09 am | Publicado em Blogroll, Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
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@WhatsApp Image 2017-05-07 at 15.41.33No dia 7 de maio de 2017, a jovem Thalita Felisberto recebeu a ordenação monástica (Shukke Tokudo) no Jisui Zendô, iniciando, assim, a sua caminhada como monja em treinamento (Unsui) na graduação de noviça (Jôza). Thalita recebeu o Nome de Darma (Hômyô) de Yakuhô, que significa “Tradutora do Darma”.

É uma cerimônia forte, que pode causar fortes emoções no aluno (e talvez até no professor também), e que, não infrequentemente, provoca reações físicas no aluno, como tontura ou baixadas na pressão arterial.  Cria uma relação cármica especial entre o professor (師匠, shisho) e o aluno (弟子, deshi). É o Professor de Ordenação (受業師, Jugoushi) que abre as portas para a caminhada do novo monástico e o orienta nas diferentes etapas de seu treinamento.

Futuramente, o aluno terá ainda os Professores de Combate de Darma, ou Hossenshiki ( 法幢師, Houdoushi), e de Transmissão de Darma, ou Professor-Raiz ( 本師, Honshi), que podem ser os mesmos que o Professor de Ordenação ou outros. Mesmo sendo outros, é sempre o Professor de Ordenação que supervisiona e assina os documentos que autorizam os próximos passos. Desta forma, o ideal é que o relacionamento entre eles seja sempre baseado em responsabilidade, por parte do Professor de Ordenação, e em gratidão e respeito, por parte do aluno.

O treinamento monástico do Zen é longo e rigoroso, pois a prática do Zen Budismo – tanto para leigos quanto para monásticos – busca levar o praticante a uma profunda autotransformação e libertação do ciclo de samsara. Um aspecto importante desta libertação é a desconstrução dos condicionamentos e dualidades que aprendemos nas nossas vidas – outras “cabeças” que colocamos por cima de nossas próprias cabeças, como descrito no Zen. A prática procura desenvolver no praticante a uma “apreciação plena, realização completa de ser si mesmo”, nas palavras do Mestre Zen Taizan Maezumi, fundador do Centro Zen de Los Angeles. Ele continua: “Se você colocar outra cabeça por cima de sua própria, você se tornará uma monstruosidade, mesmo que seja uma cabeça de Buda!”.

No Japão, o treinamento do monástico é um processo que dura de cinco a dez anos, mas no Ocidente pode levar até 30 anos. Muitos noviços ocidentais, por vários motivos, não chegam à Transmissão de Darma ou a receber a autorização oficial de Sensei (Professor de Darma).

Então, vamos oferecer o nosso apoio e torcer para que a Yakuhô-san possa se manter firme na prática do Zen, no seu treinamento monástico e no Caminho de Buda. Que ela possa se libertar das “outras cabeças” que criaram seus condicionamentos no passado e passe a manifestar livremente a sua verdadeira essência, sua Natureza Buda – sua verdadeira “cabeça”, para o benefício de todos os seres!

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Ler mais:
– A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
Formação de um monge Soto Zen
Qual o significado de Kokusai Fukyôshi (Missionário Internacional)?
Qual o significado de Kyôshi (Sensei, Professor de Darma)?
Qual o significado de Zuise (Debut)?
Qual o significado de Denpô (Transmissão de Darma)?
Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?
Qual o Significado de Hossenshiki (Combate de Darma)?
Qual o Significado de Shuso (Líder dos Noviços)?
Qual o Significado de Unsui (2)?
Qual o Significado de Unsui (1)?
Qual o Significado de Shukke Tokudo?
Ordenação Monástica
– Ordenação Unsui em Florianópolis
Qual o Significado de Hômyô (Nome de Darma)?
Qual o Significado de Jukai (Transmissão dos Preceitos)?
– Os Preceitos do Bodisatva

 

Palestra no Projeto Estação Psi na Livraria FNAC

setembro 29, 2017 às 4:24 pm | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Eventos, Professor de Darma Zen Budista, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
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No dia 2 de outubro às 19:30 h, estarei oferecendo uma palestra como parte do projeto Estação Psi da Comitê de Psicologia Transpessoal da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS) em parceria com a livraria FNAC do Barra Shopping Sul, com o tema “Compaixão e a Vida Diária”.

Nota: Estudantes – Vale como carga horária complementar

Sejam todos bem vindos!

Gassho

 

 

Lançamento de Livro: Gestão Pessoal e o Ciclo SPR (Sonhar, Planejar, Realizar

junho 26, 2017 às 11:10 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

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A Editora Pragmatha lança nesta quinta-feira, dia 29 de junho, em Porto Alegre, sua obra Gestão Pessoal e o Ciclo SPR – Sonhar, Planejar, Realizar. O livro, produzido em sistema de coworking editorial, reúne artigos de diversos especialistas e integra a coleção Gestão Pessoal, que em obras anteriores abordou temas como Excelência Profissional e também Produtividade.

Monja Isshin contribui com o artigo SPR no Estilo “Zen”. Também participam como coautores da obra, que tem organização de Sandra Veroneze, Clarisse Rozales, Tiago Grandi, Andrea Guerreiro, Lucia Helena Pedroso, Sonya Fhernandes, Daniela Piten Reis, Luz Maria Guimarães, Fernanda Ceretta, Edegar Iwao Kamimura, Melissa Fenner Silveira Kamimura, Juliana Soares Borba, Débora Paz, Natália Pereira, Kelly Crespi, Anelise Lopes, Telmo Jaconi, Grace Maria Govinda, Cristiane Machado e Vanessa Cardoso da Silva.

O tema SPR é abordado sob diversos pontos de vista, como por exemplo filosofia, budismo, física quântica, psicologia, empreendedorismo, motivação, controle dos recursos financeiros,  intuição e destaca a importância de ousar no sonho, mas sem abdicar de um bom planejamento para atingir os objetivos, num ciclo sem fim, mas que se renova constantemente pela própria dinâmica da vida.

O lançamento será no Vidal (Rua Mata Bacelar, 52, Porto Alegre, a partir das 18h).

 

Vídeo: Entrevista na UPF-TV

maio 1, 2017 às 8:28 am | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Vídeo | Deixe um comentário
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17-04-28EntrevistaUPFTVNo dia 28 de abril, 2017, foi gravada, no jardim da televisão UPF-TV, da Universidade de Passo Fudo, a entrevista da Monja Isshin com a jornalista Afani Baruffi. Foi uma conversa breve, mas muito, muito agradável! Gassho

Vídeo: Me Chame pelos Meus Verdadeiros Nomes

janeiro 28, 2017 às 7:05 pm | Publicado em Blogroll, Cultura Japonesa, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

nomesFaz um bom tempo que desejo escrever esta reflexão – que, bem ou mal, acabou ficando bastante longa – e espero que alguns dos meus leitores possam a achar informativa e interessante.

Um monge japonês é tratado por vários “nomes” – e basicamente nunca pelo seu primeiro nome civil, o seu nome pessoal – até mesmo na intimidade. Acho bem interessante este fato.

Na cultura japonesa, são os membros da família que mais merecem consideração e respeito, pois são justamente eles que suportam as nossas características menos nobres e nos toleram quando estamos tendo um dia ruim. Portanto, nem dentro da família deve-se deixar de usar os termos de consideração, os honoríficos. Pessoalmente, acredito que nós ocidentais devemos adotar um pouco desta mesma atitude de dignidade e consideração pelo outro e agir um pouco menos egoisticamente como os “Homer Simpsons” da vida junto com os nossos familiares.

Consultei com um dos monges japoneses sobre como são tratados e recebi a informações abaixo. Lembramos que ao falar com uma pessoa japonesa, nunca-nunca-nunca usa-se o nome dela sem algum tipo de honorífico, nem mesmo dentro da família, pois isto seria uma ofensa grave. (Mas, nota-se que a própria pessoa nunca fala o seu próprio nome adicionando um honorífico!)

Os honoríficos mais comuns são “-san” (さん), usando entre iguais; -“sama” (様), significa respeito e consideração podendo ser usado entre iguais também; “-chan” (ちゃん) ou “-kun” (くん), para crianças. No Zen, temos “-sensei” (先生, professor) e “-rôshi” (老師, literalmente professor velho, usado para professores de alto nível e acima de 65 anos de idade), –oshô (和尚, monge plenamente formado) e –dai-oshô (大和尚, literalmente grande monge plenamente formado). Vejamos alguns exemplos do Zen:

  1. De um monge para o outro, costumam tratar-se por: (sobrenome)+san/sama, (sobrenome)+roshi/sensei,  (nome do templo)+san/sama. Assim sendo, outros monges me chamariam Havens-san* (de igual para igual), Havens-sama*, Havens-sensei*, Jisui-san, Jisui-sama, Jisui-sensei, Ryûgaku-san, Ryûgaku-sama ou Ryûgaku-sensei. Nota: Jisui (慈水) é o nome do nosso templo e Ryûgaku (龍覚) é o nome da nossa “montanha”.  Nota: veja observação (*) abaixo.
  2. Um outro termo que ouvi sendo usado bastante dentro dos templos no Japão – até pelas esposas dos monges abades dos templos que visitei – mas que implica numa certa intimidade, é hôjô-san (方丈さん/様). Este já é uma forma de endereçamento que significa um grau de intimidade (congregados do próprio templo, monges que treinamento lá ou que trabalham lá e até a própria esposa). Havendo um pouco menos de intimidade, a forma correta seria (sobrenome)+hôjô-sama. O termo hôjô refere-se ao quarto onde vive o monge responsável pelo templo.
  3. O monge formado, depois de passar pelas formalidades de Zuise, torna-se um Oshô (和尚) e pode, eventualmente, tornar-se um Dai-oshô (大和尚). Na minha experiência pessoal, só vejo o uso deste honorífico durante a cerimônia de Zuise, quando o monge é formalmente reconhecido pela ordem Soto Zen como monge plenamente formado e, depois e de acordo com a graduação que possui, quando é abade de um templo, na recitação de linhagem na cerimônia matinal diária.
  4. Ainda mais, dôchô (堂, dô = local de prática ou, neste caso, monastério e 頭, chô = cabeça) é o termo usado para se referir ao monge principal  de um mosteiro. Assim, podemos dizer: (sobrenome)+dôchô-sama/rôshi. Quando realizei o meu treinamento no mosteiro, chamávamos a nossa abadessa (cujo sobrenome civil é Aoyama) de Dôchô Rôshi ou de Aoyama Sensei, pois lá, vivemos em mais intimidade com ela, pois o mais correto é de chamar ela de Aoyama Rôshi.
  5. Por fim, um professor de darma qualificado também pode ser chamado de “(sobrenome)+sensei” (ou de “(sobrenome)+rôshi” dependendo da graduação que possui) ou, no ocidente, (nome de darma)+sensei ou (nome de darma)+rôshi.  Assim, os meus alunos me chamam de “Isshin sensei” ou simplesmente de “sensei”, enquanto que eu chamo o meu professor de Transmissão de Darma de “Ônoda Rôshi” ou simplesmente “Rôshi”.

* Noto que nunca chamamos os monges japoneses pelos seus nomes de darma, enquanto que aqui no Brasil virou costume de chamar os monges de monge/monja+(nome de darma,) i.e. “Monge Genshô”, “Monja Coen”. Consequentemente, até os monges japoneses nos chamam pelo (nome de darma)+(honorífico).

Como isto já era a prática “estabelecida” quando retornei ao Brasil depois de terminar o meu treinamento no exterior, passei a me chamar de “Monja Isshin”. Na minha cabeça, o termo “monja” acaba tendo a mesma função que o honorífico japonês e não a função de um “título”. Desta forma, quando ouço uma amiga não-budista me chamar, dizendo, “Oi, monja!”, eu recebo isto como sendo chamada com “Oi, Isshin-san!”, com a intimidade de igual-com-igual.

Confesso que, depois dos meus anos imersa na cultura japonesa, causa, até hoje, um pequeno choque aos meus ouvidos (ou olhos) quando ouço (ou vejo) o meu nome de darma sem qualquer honorífico. Fica faltando algo. Cultivo a flexibilidade de aceitar o fato que no ocidente temos outros costumes e que os ocidentais não estão com a intenção de serem rudes comigo (no Japão seria uma ofensa um tanto grave), mas ainda dá um pequeno choquezinho aos ouvidos. Como a nossa comunidade optou para manter laços estreitos com o Japão e recebemos monges japoneses com regularidade, é o nosso costume manter rigorosamente o uso dos honoríficos com os nomes de darma (ou com os sobrenomes dos monges japoneses). Não admitimos correr o risco de referir-nos ao nosso querido superintendente para a América do Sul, o Saikawa Roshi Sokan sem o uso dos honoríficos apropriados! (Nota que podemos oferecer mais consideração usando dois honoríficos no caso dele, pois o termo Sokan se refere à função dele como superintendente. Mas, chamar ele de Saikawa Roshi já é correto e perfeitamente adequado.)

Ufa! Com tudo isto, vejo que há até por volta de 15 maneiras diferentes para referir-se a um monge – ou para endereço-lo numa conversa! Os monges abades de templos (o atual, ainda vivo e os históricos) são lembrados nas recitações de linhagen nos serviços matinais diários dos templos pelos nomes de darma completos+oshô/dai-oshô.  Neste caso, no nosso templo, sou lembrada como Sangai Isshin Oshô. (Veja a explicação sobre o nome de darma abaixo.)

E os monges da tradição histórica chinesa são lembrados pelo nome de darma, nome do templo, nome da “montanha” – na pronúncia chinesa e na pronúncia japonesa – e podem aparecer num determinado livro com um nome mas num outro livro com outro nome! Confesso que isto dá nó na minha cabeça e estou tentando até hoje terminar de organizar uma tabela com todos estes nomes para saber quem é quem!

Depois de toda esta explicação, vamos ver mais um fator. Em todos estes casos, o nome civil pessoal não é usado. Porque isto? Penso em pelo menos três motivos:

  1. Ao receber ordenação monástica, simbolicamente saímos de casa (o nome da cerimônia de ordenação – shukke tokudo 出家得度 – reflete isto) e cortamos laços com o nosso passado e simbolicamente (mas talvez não na realidade) até com a família. Receber a ordenação e fazer votos monásticas em quase todas as religiões significa receber um novo nome, como se fosse um novo nascimento. No Zen Japonês, o nome de darma completo é composto de 4 ideogramas chineses. No meu caso, Isshin (一心) é a parte do uso comum, mas tenho um outro nome, Sangai (三界), que é reservado para uso formal ou cerimonial. De forma semelhante, o Papa Francisco não é mais chamado de “Jorge”, que é o nome civil dele… Assim sendo, ser chamada pelo meu nome civil, com raríssima exceções, me parece um retrocesso e me é desagradável.
  2. Diferente das profissões de médico, professor, psicólogo, etc., consideramos os nossos votos como valendo 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, durante o resto desta vida e das vidas futuras (se elas existem) até alcançar o estado de Buda. Assim, não tenho “folga” de ser monja, não tenho horários durante os quais deixo de orientar a minha vida de acordo com os meus votos e os preceitos budistas (que, no caso do budismo japonês, não incluem votos de pobreza ou de castidade). Assim, após a ordenação, em princípio, é “monge” em tempo integral, igualmente aos monásticos e sacerdotes da Igreja Católica, por exemplo. Aqui no ocidente, nem todos os monges budistas observam isto, infelizmente, se comportando como “monges de meio período”.
  3. No Budismo, espera-se que o monge alcance determinadas realizações espirituais, incluindo a realização do “não-eu” e a “união com o todo”. Desta forma, espera-se que supere a mentalidade de um “eu individual e separado” do ego condicionado e pessoal, mesmo que mantenha o ego funcional freudiano e consciência de si-mesmo funcionando no mundo relativo da dualidade.

E  é aí, neste 3º ponto que acho que encontramos o verdadeiro motivo da tradição dos japoneses evitaram o uso dos nomes pessoais – até do nome de darma pessoal (lembramos que o nome de família é um nome de grupo e não pessoal, individual). Num monge de boa realização espiritual que superou boa parte de seu ego condicionado e pessoal, encontramos uma personalidade forte, que sabe muito bem o que pretende fazer, mas que está livre do auto-centrismo e egoismo comum. Sabe muito bem quem é, mas, como o Bodidarma, em seu famoso encontro encontro com o Imperador Wu, se vê obrigada a responder “Não sei” se alguém perguntar “Quem é que está aqui na minha frente?” pois não há como verbalizar a “essência do ser”. Só temos como vivencia-la.

Aqui no ocidente, onde a transmissão do Budismo ainda está no início (levou 600 anos na China), há pessoas que, por falta de um treinamento adequado, não cheguem a esta realização e, infelizmente, acabam vestindo “máscaras” de monge e inflando os seus egos condicionados) – às vezes, com resultados terríveis de abusos financeiros, sexuais ou de poder. Lembramos que a realização espiritual não implica necessariamente na resolução de eventuais traumas de seu passado ou dificuldades no desenvolvimento da sua personalidade, que seriam assuntos para a psicoterapia ocidental. A realização espiritual tende a levar com que a pessoa faça as pazes com o seu histórico pessoal e se incomoda menos com tais questões, mas não as cura.

O Mestre Dogen, no seu texto seminal “Fukanzazengui – Regras Universais do Zazen“, chama o nosso lar – a nossa verdadeira essência, a nossa “face original”, ao qual voltamos na meditação profunda, de “a Casa do Tesouro”, que “naturalmente se abrirá”, e onde poderemos nos servir à vontade.

Neste aspecto do união com o todo, o Mestre Thich Nhat Hanh transmite palavras importantes:

“Nosso nome deveria nos dar um sentimento de estar em casa. A sociedade pode nos rotular como franceses ou americanos, ou talvez nos chamar de afro-americano, quer nos sintamos em casa com o nome ou não. Às vezes não estamos confortáveis com nossa cultura, sociedade, igreja e não nos sentimos no nosso lar. Portanto o nome que os outros nos dão não é nosso verdadeiro nome. Mas não podemos achar nosso verdadeiro nome a não ser que tenhamos um lar verdadeiro.” (Qual é o seu verdadeiro nome?)

Que cada um possa descobrir o seu verdadeiro nome, na meditação profunda, no grande silêncio da essência do ser.

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