Vídeo: Me Chame pelos Meus Verdadeiros Nomes

janeiro 28, 2017 às 7:05 pm | Publicado em Blogroll, Cultura Japonesa, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

nomesFaz um bom tempo que desejo escrever esta reflexão – que, bem ou mal, acabou ficando bastante longa – e espero que alguns dos meus leitores possam a achar informativa e interessante.

Um monge japonês é tratado por vários “nomes” – e basicamente nunca pelo seu primeiro nome civil, o seu nome pessoal – até mesmo na intimidade. Acho bem interessante este fato.

Na cultura japonesa, são os membros da família que mais merecem consideração e respeito, pois são justamente eles que suportam as nossas características menos nobres e nos toleram quando estamos tendo um dia ruim. Portanto, nem dentro da família deve-se deixar de usar os termos de consideração, os honoríficos. Pessoalmente, acredito que nós ocidentais devemos adotar um pouco desta mesma atitude de dignidade e consideração pelo outro e agir um pouco menos egoisticamente como os “Homer Simpsons” da vida junto com os nossos familiares.

Consultei com um dos monges japoneses sobre como são tratados e recebi a informações abaixo. Lembramos que ao falar com uma pessoa japonesa, nunca-nunca-nunca usa-se o nome dela sem algum tipo de honorífico, nem mesmo dentro da família, pois isto seria uma ofensa grave. (Mas, nota-se que a própria pessoa nunca fala o seu próprio nome adicionando um honorífico!)

Os honoríficos mais comuns são “-san” (さん), usando entre iguais; -“sama” (様), significa respeito e consideração podendo ser usado entre iguais também; “-chan” (ちゃん) ou “-kun” (くん), para crianças. No Zen, temos “-sensei” (先生, professor) e “-rôshi” (老師, literalmente professor velho, usado para professores de alto nível e acima de 65 anos de idade), –oshô (和尚, monge plenamente formado) e –dai-oshô (大和尚, literalmente grande monge plenamente formado). Vejamos alguns exemplos do Zen:

  1. De um monge para o outro, costumam tratar-se por: (sobrenome)+san/sama, (sobrenome)+roshi/sensei,  (nome do templo)+san/sama. Assim sendo, outros monges me chamariam Havens-san* (de igual para igual), Havens-sama*, Havens-sensei*, Jisui-san, Jisui-sama, Jisui-sensei, Ryûgaku-san, Ryûgaku-sama ou Ryûgaku-sensei. Nota: Jisui (慈水) é o nome do nosso templo e Ryûgaku (龍覚) é o nome da nossa “montanha”.  Nota: veja observação (*) abaixo.
  2. Um outro termo que ouvi sendo usado bastante dentro dos templos no Japão – até pelas esposas dos monges abades dos templos que visitei – mas que implica numa certa intimidade, é hôjô-san (方丈さん/様). Este já é uma forma de endereçamento que significa um grau de intimidade (congregados do próprio templo, monges que treinamento lá ou que trabalham lá e até a própria esposa). Havendo um pouco menos de intimidade, a forma correta seria (sobrenome)+hôjô-sama. O termo hôjô refere-se ao quarto onde vive o monge responsável pelo templo.
  3. O monge formado, depois de passar pelas formalidades de Zuise, torna-se um Oshô (和尚) e pode, eventualmente, tornar-se um Dai-oshô (大和尚). Na minha experiência pessoal, só vejo o uso deste honorífico durante a cerimônia de Zuise, quando o monge é formalmente reconhecido pela ordem Soto Zen como monge plenamente formado e, depois e de acordo com a graduação que possui, quando é abade de um templo, na recitação de linhagem na cerimônia matinal diária.
  4. Ainda mais, dôchô (堂, dô = local de prática ou, neste caso, monastério e 頭, chô = cabeça) é o termo usado para se referir ao monge principal  de um mosteiro. Assim, podemos dizer: (sobrenome)+dôchô-sama/rôshi. Quando realizei o meu treinamento no mosteiro, chamávamos a nossa abadessa (cujo sobrenome civil é Aoyama) de Dôchô Rôshi ou de Aoyama Sensei, pois lá, vivemos em mais intimidade com ela, pois o mais correto é de chamar ela de Aoyama Rôshi.
  5. Por fim, um professor de darma qualificado também pode ser chamado de “(sobrenome)+sensei” (ou de “(sobrenome)+rôshi” dependendo da graduação que possui) ou, no ocidente, (nome de darma)+sensei ou (nome de darma)+rôshi.  Assim, os meus alunos me chamam de “Isshin sensei” ou simplesmente de “sensei”, enquanto que eu chamo o meu professor de Transmissão de Darma de “Ônoda Rôshi” ou simplesmente “Rôshi”.

* Noto que nunca chamamos os monges japoneses pelos seus nomes de darma, enquanto que aqui no Brasil virou costume de chamar os monges de monge/monja+(nome de darma,) i.e. “Monge Genshô”, “Monja Coen”. Consequentemente, até os monges japoneses nos chamam pelo (nome de darma)+(honorífico).

Como isto já era a prática “estabelecida” quando retornei ao Brasil depois de terminar o meu treinamento no exterior, passei a me chamar de “Monja Isshin”. Na minha cabeça, o termo “monja” acaba tendo a mesma função que o honorífico japonês e não a função de um “título”. Desta forma, quando ouço uma amiga não-budista me chamar, dizendo, “Oi, monja!”, eu recebo isto como sendo chamada com “Oi, Isshin-san!”, com a intimidade de igual-com-igual.

Confesso que, depois dos meus anos imersa na cultura japonesa, causa, até hoje, um pequeno choque aos meus ouvidos (ou olhos) quando ouço (ou vejo) o meu nome de darma sem qualquer honorífico. Fica faltando algo. Cultivo a flexibilidade de aceitar o fato que no ocidente temos outros costumes e que os ocidentais não estão com a intenção de serem rudes comigo (no Japão seria uma ofensa um tanto grave), mas ainda dá um pequeno choquezinho aos ouvidos. Como a nossa comunidade optou para manter laços estreitos com o Japão e recebemos monges japoneses com regularidade, é o nosso costume manter rigorosamente o uso dos honoríficos com os nomes de darma (ou com os sobrenomes dos monges japoneses). Não admitimos correr o risco de referir-nos ao nosso querido superintendente para a América do Sul, o Saikawa Roshi Sokan sem o uso dos honoríficos apropriados! (Nota que podemos oferecer mais consideração usando dois honoríficos no caso dele, pois o termo Sokan se refere à função dele como superintendente. Mas, chamar ele de Saikawa Roshi já é correto e perfeitamente adequado.)

Ufa! Com tudo isto, vejo que há até por volta de 15 maneiras diferentes para referir-se a um monge – ou para endereço-lo numa conversa! Os monges abades de templos (o atual, ainda vivo e os históricos) são lembrados nas recitações de linhagen nos serviços matinais diários dos templos pelos nomes de darma completos+oshô/dai-oshô.  Neste caso, no nosso templo, sou lembrada como Sangai Isshin Oshô. (Veja a explicação sobre o nome de darma abaixo.)

E os monges da tradição histórica chinesa são lembrados pelo nome de darma, nome do templo, nome da “montanha” – na pronúncia chinesa e na pronúncia japonesa – e podem aparecer num determinado livro com um nome mas num outro livro com outro nome! Confesso que isto dá nó na minha cabeça e estou tentando até hoje terminar de organizar uma tabela com todos estes nomes para saber quem é quem!

Depois de toda esta explicação, vamos ver mais um fator. Em todos estes casos, o nome civil pessoal não é usado. Porque isto? Penso em pelo menos três motivos:

  1. Ao receber ordenação monástica, simbolicamente saímos de casa (o nome da cerimônia de ordenação – shukke tokudo 出家得度 – reflete isto) e cortamos laços com o nosso passado e simbolicamente (mas talvez não na realidade) até com a família. Receber a ordenação e fazer votos monásticas em quase todas as religiões significa receber um novo nome, como se fosse um novo nascimento. No Zen Japonês, o nome de darma completo é composto de 4 ideogramas chineses. No meu caso, Isshin (一心) é a parte do uso comum, mas tenho um outro nome, Sangai (三界), que é reservado para uso formal ou cerimonial. De forma semelhante, o Papa Francisco não é mais chamado de “Jorge”, que é o nome civil dele… Assim sendo, ser chamada pelo meu nome civil, com raríssima exceções, me parece um retrocesso e me é desagradável.
  2. Diferente das profissões de médico, professor, psicólogo, etc., consideramos os nossos votos como valendo 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, durante o resto desta vida e das vidas futuras (se elas existem) até alcançar o estado de Buda. Assim, não tenho “folga” de ser monja, não tenho horários durante os quais deixo de orientar a minha vida de acordo com os meus votos e os preceitos budistas (que, no caso do budismo japonês, não incluem votos de pobreza ou de castidade). Assim, após a ordenação, em princípio, é “monge” em tempo integral, igualmente aos monásticos e sacerdotes da Igreja Católica, por exemplo. Aqui no ocidente, nem todos os monges budistas observam isto, infelizmente, se comportando como “monges de meio período”.
  3. No Budismo, espera-se que o monge alcance determinadas realizações espirituais, incluindo a realização do “não-eu” e a “união com o todo”. Desta forma, espera-se que supere a mentalidade de um “eu individual e separado” do ego condicionado e pessoal, mesmo que mantenha o ego funcional freudiano e consciência de si-mesmo funcionando no mundo relativo da dualidade.

E  é aí, neste 3º ponto que acho que encontramos o verdadeiro motivo da tradição dos japoneses evitaram o uso dos nomes pessoais – até do nome de darma pessoal (lembramos que o nome de família é um nome de grupo e não pessoal, individual). Num monge de boa realização espiritual que superou boa parte de seu ego condicionado e pessoal, encontramos uma personalidade forte, que sabe muito bem o que pretende fazer, mas que está livre do auto-centrismo e egoismo comum. Sabe muito bem quem é, mas, como o Bodidarma, em seu famoso encontro encontro com o Imperador Wu, se vê obrigada a responder “Não sei” se alguém perguntar “Quem é que está aqui na minha frente?” pois não há como verbalizar a “essência do ser”. Só temos como vivencia-la.

Aqui no ocidente, onde a transmissão do Budismo ainda está no início (levou 600 anos na China), há pessoas que, por falta de um treinamento adequado, não cheguem a esta realização e, infelizmente, acabam vestindo “máscaras” de monge e inflando os seus egos condicionados) – às vezes, com resultados terríveis de abusos financeiros, sexuais ou de poder. Lembramos que a realização espiritual não implica necessariamente na resolução de eventuais traumas de seu passado ou dificuldades no desenvolvimento da sua personalidade, que seriam assuntos para a psicoterapia ocidental. A realização espiritual tende a levar com que a pessoa faça as pazes com o seu histórico pessoal e se incomoda menos com tais questões, mas não as cura.

O Mestre Dogen, no seu texto seminal “Fukanzazengui – Regras Universais do Zazen“, chama o nosso lar – a nossa verdadeira essência, a nossa “face original”, ao qual voltamos na meditação profunda, de “a Casa do Tesouro”, que “naturalmente se abrirá”, e onde poderemos nos servir à vontade.

Neste aspecto do união com o todo, o Mestre Thich Nhat Hanh transmite palavras importantes:

“Nosso nome deveria nos dar um sentimento de estar em casa. A sociedade pode nos rotular como franceses ou americanos, ou talvez nos chamar de afro-americano, quer nos sintamos em casa com o nome ou não. Às vezes não estamos confortáveis com nossa cultura, sociedade, igreja e não nos sentimos no nosso lar. Portanto o nome que os outros nos dão não é nosso verdadeiro nome. Mas não podemos achar nosso verdadeiro nome a não ser que tenhamos um lar verdadeiro.” (Qual é o seu verdadeiro nome?)

Que cada um possa descobrir o seu verdadeiro nome, na meditação profunda, no grande silêncio da essência do ser.

Vídeo: Pipoca Pipocando

janeiro 27, 2017 às 12:06 pm | Publicado em Blogroll, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Vídeo | Deixe um comentário
Pipoca

Pipoca

O vídeo abaixo me lembrou de uma postagem que escrevi aqui neste blog alguns anos atrás, durante um período no qual estava lidando com uma situação difícil. Naquele artigo, refleti sobre um texto lindo de Rubem Alves, “Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre”.

Encerrei aquela postagem com as seguintes palavras:

“Apegados às nossas cascas, recusamos perder nossas opiniões, gostos pessoais, apegos, e voltamos à falsa segurança e conforto do nosso mundo de sempre, da mente comum, do Ego Condicionado.

Algum dia – talvez daqui a muitos “kalpas” – teremos que enfrentar o fogo novamente, porque não existe meio de fazer o milho se transformar em pipoca sem passar pelo fogo…”

Acho que estas palavras continuam extremamente pertinentes ainda nos dias de hoje, quando encontramos países inteiros divididos e polarizados radicalmente nos times “a favor versus contra” o Presidente Trump, nos Estados Unidos ou o Presidente Temer, no Brasil, entre outros.

Encontramos muitas pessoas – inclusive muitos Budistas – discutindo furiosamente, inflamadas nas suas defesas das suas posições, sem o menor interesse em dar uma paradinha para procurar compreender o ponto de vista do outro que defende, talvez com a mesma fúria, uma opinião contrária. Nestas bate-bocas, só criam inimizades e não solucionam nenhum dos nossos problemas sociais. (Nota bem: não estou tomando partido nenhum aqui, nem a favor e nem contra nada. Como monja, é extremamente raro eu manifestar uma posição pessoal em assuntos de política, que é diferente de me manifestar em questões de direitos humanos.)

Mas, vamos ver neste vídeo que, apesar do desconforto que sentimos ao passar pelo “fogo”, o processo da formação da “pipoca” é algo muito bonito – e, não vamos esquecer, é muito bom poder desfrutar do resultado depois!

Então, vamos lá, enfrentar o “fogo” para estourar as nossas próprias cascas? Vamos pipocar?

 

Pipoca estourando em 30,000 quadros por segundo – 👉 Vision Research: https://www.phantomhighspeed.com/

. Ler a postagem Milho de Pipoca de 2008

Vídeo: Fuji Diamante – 1 de janeiro de 2017

janeiro 18, 2017 às 2:58 pm | Publicado em Blogroll, Cultura Japonesa, Japão e Cultura Japonês, Meditação em Porto Alegre, Vídeo | Deixe um comentário
diamondfuji

foto de fujisanshuhen encontrado na http://photozou.jp/user/top/3144689 Creative Commons

Algumas vezes, no outono e inverno japonês, o nascer ou pôr do sol sobre a Montanha Fuji (富士山) pode resultar num fenômeno que os japoneses chamam de Fuji Diamante (ダイヤモンド富士). Este ano, centenas de pessoas foram até os “pontos para vista” para ver o nascer do sol do dia primeiro de janeiro, abrindo o novo ano com diamante…

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Aqui um vídeo do espetáculo Diamante Fuji poucos dias antes da virada do ano 2017.

Aqui,  uma montagem linda de fotos do nascer do sol “Diamante Fuji” do dia 1 de janeiro de 2017.

E aqui, um vídeo do mesmo fenômeno em Dezembro 2010, mostrando o reflexo no Lago Yamanaka.

 

Que este ano seja um ano de diamante para todos! Gassho

. Ler mais no site  Mundo-Nipo

Vídeo: Dia Mundial do Riso e o Zen

maio 1, 2016 às 9:10 am | Publicado em Eventos, Meditação em Porto Alegre, Uncategorized | Deixe um comentário

Numa busca pela Internet, encontrei três datas diferentes para “Dia do Riso” – 18 de janeiro, 06 de novembro e 01 de maio… Para o dia 01 de maio, encontrei até uma página no Facebook divulgando uma atividade a ser realizada no Jardim Botânico de Porto Alegre.

Rir, rir da vida, rir de si mesmo, rir da “comédia do absurdo” é, como afirma o ditado, “o melhor remédio”.

Catarse para as dores emocionais e o estresse – e grande libertadora de endorfina (o “hormônio do prazer”), a risada faz um bem inimaginável, tanto para a nossa saúde quanto para o nosso bem-estar psicológico.

Aproxima as pessoas num grupo, podendo transpor barreiras de língua, cultura, raça, etnia. Ela nos une na nossa humanidade compartilhada.

Muitas pessoas imaginam o Zen Budismo como uma prática dura e austera. Até são encontradas imagens na internet mostrando monges com os rostos demonstrando tamanho esforço que chega até a doer… Também, lemos contos Zen Rinzai que falam de gritos e socos entre os monges. Ufa! Que dureza! Mas será que é assim mesmo?

Bem, ouvi dizer que no Soto Zen haveria duas correntes – uma, que prega a prática dura e austera e outra, que prega a gentileza e a leveza. Meu treinamento no Japão foi neste segundo estilo – o da gentileza e leveza.

AichiSenmonNisodo007Aquela vida monástico foi bem rigorosa, sim. Mas rigorosa não precisa significar que tenha sido “dura”. Uma das minhas memórias principais do tempo de mosteiro é o quanto rimos. Embora seja verdade que também chorei várias vezes lá no mosteiro, é a lembrança das risadas que perdura na minha memória até hoje.

Uma das imagens que mais fica diante dos meus olhos é a visão da abadessa, Aoyama Roshi, dando gargalhadas durante o nosso chá da tarde. Se ela era de uma presença e dignidade total durante as cerimônias, nas horas de descontração eu também sempre a via numa presença total, na alegria do momento.

Aproveito de um destes dias “do Riso” para compartilhar uma Cerimônia Zen Clown realizada como parte do encerramento do Sesshin do 3º Encontro Zen Latino-americano em Bogotá, Colômbia de 07 a 10 de abril.

E convido você, meu caro leitor, a fazer de TODOS os dias o seu “Dia do Riso”.

Gassho

 

 

 

3er Encuentro Zen Latinoamericano (2b): Sesshin

abril 27, 2016 às 1:18 pm | Publicado em Blogroll, Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

12990971_1720132328256516_3198276425798713993_nO 3º Encontro Zen Latino Americano foi realizado nos dias 6 a 13 de março em Bogotá, Colômbia. Organizado pelo missionário internacional Rev. Denshô Quintero, Sensei e a Sanga da Comunidad Soto Zen de Colombia (Daishin-ji) da mesma cidade, ofereceu ao público uma programação rica de palestras e mesas-redondas nos dias 7 a 9, seguido por um retiro de prática intensiva (sesshin) nos dias 10 a 13.

Seguem abaixo algumas fotos tiradas durante o segundo dia do sesshin.

1. Segunda Aula do Mestre Daiken Yoshitani Roshi, que ofereceu ensinamentos preciosos sobre Kechimyaku (Documento de Linhagem) e Kesa (Manto do Monge):

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2. Zazen, Confraternização durante os intervalos, foto do grupo:

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3er Encuentro Zen Latinoamericano (2a): Sesshin

abril 25, 2016 às 3:49 pm | Publicado em Blogroll, Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

12974477_1715139658755783_2344420505201874846_nO 3º Encontro Zen Latino Americano foi realizado nos dias 6 a 13 de março em Bogotá, Colômbia. Organizado pelo missionário internacional Rev. Denshô Quintero, Sensei e a Sanga da Comunidad Soto Zen de Colombia (Daishin-ji) da mesma cidade, ofereceu ao público uma programação rica de palestras e mesas-redondas nos dias 7 a 9, seguido por um retiro de prática intensiva (sesshin) nos dias 10 a 13.

Seguem abaixo algumas fotos tiradas durante o primeiro dia do sesshin.

  1. Aula do Mestre Daiken Yoshitani Roshi, que ofereceu ensinamentos preciosos sobre Kechimyaku (Documento de Linhagem) e Kesa (Manto do Monge):

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2. A Palestra da Monja Isshin, com tradução do Ven. Denshô Quintero, sobre “A Alegria do Zen”:

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3er Encuentro Zen Latinoamericano (1): Conferência

abril 23, 2016 às 4:35 pm | Publicado em Blogroll, Eventos, Japão e Cultura Japonês, Música japonesa, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

P1050847 O 3º Encontro Zen Latino Americano foi realizado nos dias 6 a 13 de março em Bogotá, Colômbia. Organizado pelo missionário internacional Rev. Denshô Quintero, Sensei e a Sanga da Comunidad Soto Zen de Colombia (Daishin-ji) da mesma cidade, ofereceu ao público uma programação rica de palestras e mesas-redondas nos dias 7 a 9, seguido por um retiro de prática intensiva (sesshin) nos dias 10 a 13.

Seguem abaixo algumas fotos tiradas nos dias 7 e 8.

 

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3º Encontro Latino-Americano Zen. Bogotá, 2016

abril 29, 2015 às 12:50 pm | Publicado em Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

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Queridos Mestres, amigos e praticantes Zen,

Espero que todos vocês estejam com boa saúde e bem-estar junto aos seus entes queridos.

Embora o Zen tenha    vindo para a América do Sul antes que a muitos outros países do Ocidente, o seu desenvolvimento aqui como prática se iniciou mais tarde que na Europa e Estados Unidos, e até hoje, não chegou a ter o mesmo impacto, nem a mesma força que possui nestes países. A maioria dos grupos da América do Sul, até recentemente, trabalhavam sozinhos. De nossa parte, estivemos isolados na Colômbia até alguns anos atrás, porque não tínhamos um mestre Zen certificado. Em 2013, durante as comemorações do 110º aniversário da chegada do Zen para a América do Sul em Lima, liderado pelo venerável Senpo Oshiro da Argentina, se discutiu a necessidade de reforçar os laços de diferentes sanghas e colocar em funcionamento uma rede de conexão, para o benefício de todos, com a participação ativa de todos os praticantes desta região do mundo.

Com sucesso, em 2014 se realizou a primeira reunião na Argentina e este ano, no Uruguai. Durante os eventos culturais em Montevideo, tivemos a presença de mais de uma dúzia de mestres da escola Soto ao início do encontro. Já quebramos os muros que nos mantiveram isolados e começamos a ver os frutos de uma grande Sangha Latino-americana.

Na reunião dos mestres missionários, foi decidido por unanimidade, que no próximo ano, o 3º Encontro Latino-Americano Zen acontecerá em Bogotá, na Colômbia.

Desde que iniciamos nosso templo Zen Mente Magnânima – Daishinji – queríamos estabelecê-lo como um farol de luz para mudar a forma como nos relacionamos com os outros seres e a vida em geral. Dado o contexto histórico do processo de paz que vivemos em nosso país, de verdade esta é uma circunstância muito auspiciosa, tendo em conta os benefícios que a nossa prática pode aportar na construção de uma sociedade mais harmoniosa, tolerante, respeitosa, amável e pacífica. Assim, o tema central será como alcançar a paz e preservá-la, desde uma perspectiva Zen. É um privilégio termos sido escolhidos como sede do próximo encontro e uma oportunidade única para levar a nosso país um grande número de mestres e praticantes comprometidos. Podemos cumprir nosso propósito de fornecer ferramentas para a consolidação da paz na era pós-conflito. Agora teremos a possibilidade de nos projetarmos de verdade e ter um poderoso impacto na vida e na sociedade do nosso país.

Durante o encontro na Colômbia, vamos criar espaços onde o grande público poderá conhecer esta prática como um caminho para transformar as tendências habituais de um ego guiado pela competição, arrogância, ganância, ressentimento e ódio, e permitir aos indivíduos a atuarem com amabilidade, compaixão e responsabilidade, para participar de maneira ativa na construção de uma paz sustentável.

Vamos criar um fórum onde os mestres Zen convidados poderão expor sobre sua própria prática e experiência de como o Zen poderá ajudar concretamente às necessidades de uma nova sociedade. Convidaremos para esta reflexão os acadêmicos e artistas vinculados de algum modo com o Zen e que se abram as portas das universidades para levar esta reflexão a diversos âmbitos de nossa sociedade. Necessitamos envolver as empresas privadas, as instituições e os meios de comunicação para apoiar o encontro. Unindo os esforços de muitas frentes, poderemos fazer com que este evento, sem precedentes em nosso país, floresça e traga alívio ao sofrimento de nosso povo.

O terceiro encontro será realizada em Bogotá, entre a segunda-feira 7 e o domingo 13 de março de 2016. Teremos palestras públicas, exposições e um retiro de três dias, de quinta-feira 10 ao domingo 13 de março de 2016. Durante o retiro, esperamos poder contar com a presença de alguns maestros que virão para atividades culturais e receber seus ensinamentos.

Quero convidar a todas as pessoas que de alguma maneira se sintam identificadas com o Zen, ainda que suas condições de vida não lhes permitam dedicar a uma prática assídua, a que se unam na organização e desenvolvimento das atividades deste evento. Devemos estabelecer grupos de trabalho com pessoas e profissionais com experiência em diversas áreas, dispostos a doar seu tempo e esforço para não deixar passar esta oportunidade única no fluxo incessante da vida e evitar que se desvaneça sem deixar vestígios.

Seria útil se você pode compartilhar essas informações com seus amigos, e todas as pessoas que você acha que podem estar interessadas.

Não há melhor momento para despertar que agora, nem melhor lugar que aqui.

Com profundo respeito e gratidão, para o bem de todos os seres.

Em gasshō,
Ven. Denshō Quintero
Abade da Comunidade Sōtō Zen da Colômbia
Bogotá, Colômbia, 28 de abril de 2015.

Ver também:
site Zen America del Sur
página no Facebook
zenamericadelsur@gmail.com

 

Vídeo: Entrevista na Rede Aquarius na TV

abril 14, 2015 às 7:26 pm | Publicado em Blogroll, Entrevista, Meditação e Ciência, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

No dia 11 de abril, às 11 horas no Canal 11 da NET e Canal 55 na TV Aberta, estreou-se um novo programa voltado para a saúde, auto-conhecimento e bem-estar: “Rede Aquarius na TV“. O programa semanal é apresentado pela Carla P. Berto, da Rede Aquarius,

Assiste ao trecho da programa da minha entrevista:

O programa inaugural contou com a presença das seguintes pessoas:
Psicoterapeuta Daniele Tedesco (www.danieletedesco.com.br)
Dra. Clarice Luz (www.labvitrus.com.br)
Dra. Lidia Sabbadini (www.clinicasabbadini.com)
Professor Mauro Kwitko (www.maurokwitko.com.br)
Monja Isshin (aguasdacompaixao.wordpress.com)
Psicólogo Clínico Dr. Guy Desaulniers  (Fone: 3334.1781)
Márcia Unfer (www.fratino.com.br)

Visite o canal da Rede Aquarius no Youtube para assistir ao programa completo.

Secularização do Budismo – torná-lo acessível ou arrancar-lhe as raízes?

fevereiro 25, 2015 às 9:55 pm | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Imagem encontrado na página: http://pixabay.com/pt/equil%C3%ADbrio-medita%C3%A7%C3%A3o-meditar-110850/

texto por: Ethan Nichtern
Uma postagem convidada para o One City Blog por Vince Horn do Buddhist Geeks (Biografia Abaixo)

Hoje é algo muito comum e moderno querer secularizar o Budismo. Muitas organizações e movimentos sérios se orientam por esta premissa. Para ver o amplo alcance da secularição do Budismo basta observar o trabalho que o Mind e Life Institute está fazendo para tornar a meditação uma tendência dentro das ciências ou o trabalho que Jon Kabat-Zinn realizou com a técnica de Redução de Estresse Baseada em Plena Atenção.

De fato, tive muitas excelentes conversas, para o Buddhist Geeks Podcast, com alguns dos líderes desse movimento, incluindo o fundador do Mind and Life Institute, Adam Engle, e o monge zen Norman Fischer. Cada um deles apresentou razões extremamente boas para secularizar o dharma, logo não é difícil apreciar o trabalho que eles estão desenvolvendo. Mesmo assim, acredito que há algo limitante em esta ser a única ou a principal abordagem ao transmitirmos o Dharma para o Ocidente.

Mas permitam-me ser claro sobre o que quero dizer com “secularizar o Budismo”. Trato, especificamente, da tentativa de remover as “roupagens culturais” das tradições enquanto preservamos e re-embalamos a “essência” da tradição (que geralmente tem algo a ver com a prática da meditação). Durante o processo, a linguagem religiosa é jogada fora e uma nova linguagem “menos religiosa” é utilizada em substituição. Frases como “Budismo é mais uma ciência que uma religião” ou “a tecnologia central do budismo é a meditação” são indicadores do impulso secular. O problema é que o Budismo é uma religião. E é uma ciência. E é mais ainda…

Secularização é Sexy

Antes de entrar em alguns dos problemas que tenho notado nas premissas por detrás da secularização do Budismo, gostaria de reconhecer os resultados benéficos desse movimento. O principal parece ser que algumas das maravilhosas práticas de meditação e talvez algumas noções dos modelos por detrás delas são mais capazes de entrar na cultura dominante. Ainda vou chegar no porquê que assumir que a cultura dominante ocidental seja secular é um problema, mas por hora vamos apenas presumir que de outra forma muitas das pessoas não seriam apresentadas a estas práticas do Budismo secular. Isto é algo maravilhoso. Conectado a isso vemos o campo da “Ciência Contemplativa” começando a ser validado, bem como todo um grupo grande de cientistas fazendo carreira nesta intersecção. Há também muitos modos nos quais práticas meditativas baseadas no budismo tem sido levadas até contextos educacionais. Logo, deve ser reconhecido que existem benefícios reais surgindo de alguns desses movimentos, e eles devem continuar.

Seria o Ocidente realmente secular?

E agora, algumas de minhas maiores preocupações. Uma é acharmos que a cultura ocidental dominante realmente é secular. Alguém percebeu que, de fato, somos uma cultura incrivelmente religiosa? Algumas partes da Europa são um pouco menos, mas nos Estados Unidos aproximadamente 85% das pessoas se auto-identificam com alguma tradição religiosa. Isto nos torna uma sociedade secular ou uma altamente religiosa? E não vamos confundir a separação da Igreja em nosso processo político (o qual foi, na realidde, desenhado para apoiar os cristãos evangélicos que estavam sendo perseguidos e não os ateus que tinham receio de a religião corromper o governo) com ter uma sociedade secular. Nosso processo governamental tenta ao máximo não ser influenciado por qualquer tradição religiosa, mas temos um país repleto de pessoas religiosas que são ativas na governança.

E há esta ideia estranha que realmente existe uma dicotomia entre ciência e religião e que para que algo seja científico este não pode ser religioso (e vice versa). Mas será realmente este o caso, temos que arrancar qualquer coisa que remonte a “religião” do Budismo para que nossa cultura seja capaz de tolerá-lo?

Ai! Estas são minhas raízes!

O outro problema com a abordagem secular é que, frequentemente, na tentativa de distanciar-se do “Budismo como religião”, ocorre o descarte da significância histórica da tradição budista. Se você passar algum tempo estudando a história do Budismo, logo verá que é uma tradição religiosa antiga e em costante mudança. Ela possui uma série de práticas e crenças que se espalharam e misturaram com muitas outras influências. O Budismo, quando entrou no Tibet a partir da índia, misturou-se com o tradição xamanística Bon que lá havia. Quando entrou na China, mesclou-se com a influência do Confucionismo e o Taoísmo. E agora, ao entrar no Estados Unidos, está se misturando com nossa cultura científica e com as crenças estranhas sobre a diferença extrema entre religião e ciência. O problema em não enxergar como o Budismo evoluiu e em não ver a nós mesmos como parte desta evolução é que podemos acreditar que, de algum modo, somos os possuídores da “essência” do Budismo.

Mas o que é a essência removida das práticas, realizações, modelos e pessoas que contribuíram para esta tradição viva? Isto realmente existe? É possível que a ideia toda de uma essência do Budismo distinta de suas formas externas – aquelas formas que são tão irrelevantes que podemos simplismente ignorá-las e jogá-las fora – estaria vindo de um conjunto de pressupostos culturais que existe neste lugar e época? Temos que reconhecer essa possibilidade e enxergar que existe um tipo de violência em tentar arrancar algo de suas raízes históricas e que existe também um tipo de arrogância ao pensarmos que podemos ser bem sucedidos nesta empreitada.

Algumas questões para ainda considerar

Algumas questões que colocaria a mim mesmo e a algumas pessoas que se consideram influenciadas pela tradição Budista: estamos tão constrangidos por alguns componentes do Budismo (a aderência a códigos morais rigorosos, o mágico e mítico panteon da cosmologia budista, a metafísica da iluminação, etc) que sentimos a necessidade de jogar fora todos eles sem qualquer questionamento? Ou podemos suportar a dor de saber que todos os ensinamentos maravilhosos que advêm da tradição budista também são acompanhados de coisas que podemos não gostar ou entender? E se nós sabemos disso, pode isto significar que cada um de nós tem que lidar com o passado, presente e futuro do Budismo e suas relações com nossas vidas? Podemos realmente confiar que coisas como Redução de Estresse Baseado em Plena Atenção estão levando adiante todo o potencial da tradição budista? Com a secularização do Budismo, será que estamos corrento o risco real de perder algo de incrível importância enquanto tentamos dispensar o que consideramos não-essencial? Estas são questões que eu continuo a ponderar, sendo tanto um amante da sabedoria que é carregada através da tradição budista quanto da inovação e novas formas pelas quais aquela sabedoria pode ser carregada. Minha intuição é que ambas podem ser honradas – tradição e inovação – mas não se uma for valorizada em detrimento da outra. E certamente não honraremos se nós não nos colocarmos essas difíceis questões.
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Vince Horn vive como um monge moderno. Passa parte do seu ano em silêncio, meditando, em introspecção, desenvolvendo a espiritualidade. O resto do tempo passa engajado no mundo, onde produs e apresenta o show popular Buddhist Geeks, trabalha no departamento de produção da companhia de publicações espirituais Sounds True e escreve para várias publicações, incluindo seu blog pessoal Numinous Nonsense – e aprecia viver em Boulder, Colorado com sua esposa Emily.

 

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaborou neste texto Bruno Melnic Pir (inclusive revisão ortográfica); supervisão de Isshin-sensei). Texto originalmente publicado no site http://www.beliefnet.com/

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