Não é preciso fazer Zazen, portanto é preciso fazer Zazen – Final

julho 25, 2014 às 8:50 am | Publicado em Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas | Deixe um comentário

(continuação da 1ª parte)
Não lhe falta nada. Não lhe falta nada, por isso você pratica. Por essa razão você deve realizar e manifestar essa não falta, essa vida realizada, essa vida desperta que você é. Manifestar essa função de sabedoria compassiva que você é. Parafraseando Dōgen Zenji, se você quiser ser uma pessoa assim, assim como você é, você deve fazer assim. Você deve “fazer” essa pessoa que você é, então, você será essa pessoa que você é. Ao invés disso, geralmente nós tentamos fazer outra coisa, e então nos perguntamos por que não somos quem somos. Apesar do fato de não ser verdade, nós acreditamos que não somos aquilo que somos. Então, se acreditarmos que não somos, realmente não seremos o que somos.

Não lhe falta nada. Não lhe falta nenhuma parte da sabedoria e perfeição do Buddha, neste exato momento. Ouvir, respirar; você não difere nem um pouco do Buddha que ouve e respira. Nem por um fio de cabelo. E ainda assim podemos estar distantes. Então, é importante e valioso esclarecer. Ao esclarecer, esta não necessidade se manifesta. Somos o que somos.

O Buddha disse: “Não acredite em algo somente porque eu ou algum grande professor o disse”. Teste por si mesmo. Isso é exatamente o zazen. Prove e teste por si mesmo. É claro que você deve fazer seu próprio zazen. Ninguém pode fazê-lo por você. A única razão para se falar a respeito é apurar e esclarecer o teste. Se você está testando com o zazen da necessidade de fazer, das perdas e ganhos, então, não deixe que isso escape sem que você veja a perda e o ganho, a necessidade de algo e a falta de algo, porque isso mantém você longe do que você é.

Suzuki Rōshi sempre enfatizou o zazen sem ganhos. Onde ganhar surge – não lá fora, com outra pessoa, mas em relação a nós -, onde houver a crença de que falta algo, por favor, esteja atento a isso e pratique habilmente com isso; assim, ganho e falta não irão cegá-lo como o mérito que o Imperador Wu carregava consigo o sobrecarregou e o cegou. Teste.

Não lhe falta nada. Não lhe falta nada, por isso você pratica.

Você tem que fazer os testes adequados. Se o meu carro não dá a partida, se a bateria está arriada, e eu disser “Ok, vou fazer um teste”, e então pegar um calibrador de ar para os pneus, você dirá: “O que está acontecendo com você? O problema não é esse!”. Temos de esclarecer: “Como você testa o carro?”. Da mesma forma, temos de esclarecer como testar.

O Buddha está dizendo: “Você é isto”. Ele não diz: “Eu tenho algo a mais que eu vou dar a você”. Confie em si mesmo, confie em quem você é. Sente-se, respire, mantenha-se ouvindo agora mesmo, ouça agora mesmo. Seja íntimo de si mesmo. Mas você tem que fazê-lo por si mesmo. Se você só tentar entender racionalmente, não vai funcionar. É como um carro precisar de uma bateria nova e nós a deixarmos sobre o banco. Não vai dar a partida no carro. Você tem que ligá-la ao sistema elétrico. Aí a carga elétrica flui. Você tem que ligá-la ao sistema correto. Só pensar a respeito e tentar encaixar isso em nosso padrão de pensamento não vai funcionar. Nada de errado em falar e pensar, mas isso só vai até certo ponto. Da mesma forma que não há nada de errado em deixar coisas no assento ao seu lado; apenas use-as quando for necessário. Então, o Buddha diz que não acredite nisso porque você tenha ouvido as palavras, ou as tenha memorizado: teste. Faça o teste correto, apropriado, hábil. Faça o “zazen-sem-necessidade-de-fazer-zazen”. Então, você será este zazen do tipo “deve-se-fazer-zazen”, a vida prática de “não-precisar-praticar”, “deve-se-praticar”. Você será a sabedoria e a perfeição do Buddha que você é, manifestando compaixão através de sua vida. Nada além disso.

Precisamos ser claros sobre o que estamos fazendo. Aí o zazen que fazemos será o zazen do tipo “sem-necessidade-de-fazer-zazen”, o zazen da prática que é realização desde o comecinho. Zazen do momento único, Buddha do momento único. Você é o Buddha do um minuto, o Buddha dos trintas minutos, o Buddha do dia todo. Você sempre foi isso, desde o início. Já que você é essa pessoa, não outra pessoa, seja essa pessoa. Aqui está o imenso vazio sem virtude de Bodhidharma.

O Buddha disse: “Não acredite em algo somente porque eu ou algum grande professor o disse”. Teste por si mesmo.

Elihu Genmyo Smith é herdeiro do Dharma de Charlotte Joko Beck e cofundador da Escola Zen Ordinary Mind. Atualmente vive em Champaign – Illinois, onde é professor residente do Prairie Zen Center. É autor de “Ordinary Life, Wondrous Life”.

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Bruno Melnic Pir, Josiane Paula Borges e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto originalmente publicado no site http://sweepingzen.com

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