Mosteiros zen budistas não têm cofres!

março 24, 2011 às 4:38 pm | Publicado em Compaixão Zen Budista, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | 5 Comentários

Foi com muita tristeza que fiquei sabendo de uma segunda invasão e assalto armado extremamente violento – num prazo de somente quarto meses – no Mosteiro Zen Morro da Vargem Zenkoji, em Ibiraçu, Espírito Santo. Os assaltantes, fortemente armados,  torturaram as pessoas que encontraram no local durante 3 horas e reviraram tudo – como na primeira invasão. Parece que estavam procurando um cofre que aparentemente acreditavam existir no local.

Mosteiros zen budistas não são locais onde se pode encontrar cofres com dinheiro, jóias, dólares ou qualquer coisa de valor!

Quando um monge zen recebe, eventualmente, doações acima do necessário para simplesmente ter o que comer, ele reinveste qualquer dinheiro que sobra em melhorias da infraestrutura do mosteiro/local de prática para melhor atender a comunidade ou o aplica em projetos de assistência social e educacionais. Isto é a prática correta de um monge budista e a grande maioria dos monges vivem assim.

Ser monge budista não é uma profissão para ficar rico. Não nos tornamos monges por dinheiro. Não somos “prestadores de serviços” – somos monges. A nossa relação com o dinheiro é diferente.

Também, monges zen budistas não recebem subvenções ou salários, nem planos de saúde ou de aposentadoria de uma instituição central, como aparentemente é o caso dos sacerdotes de algumas outras religiões. Dependemos das doações da nossa comunidade local ou, eventualmente, de convênios, para sobreviver e para desenvolver os nossos projetos sociais. O budismo não solicita um “dízimo” de seus praticantes, mas somente recebe as doações que os praticantes desejam contribuir.

Geralmente, os grupos de praticantes que nos sustenta são pequenos – generosos, mas pequenos e não ricos.

Qualquer um que imagine templos e mosteiros zen budistas brasileiros como locais de riqueza para ser roubado está bastante enganado. Como falei, não somos monges por dinheiro mas por vocação religiosa.

do Jornal A Gazeta, de Vitória, ES:

“Seis homens fortemente armados invadiram e assaltaram o Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, na noite desta terça-feira (22). Duas pessoas que estavam no local foram torturadas e amarradas durante a ação. Segundo informações da Polícia Militar, vários objetos foram roubados. A Polícia Civil suspeita de envolvimento de policiais e ex-funcionários no caso.

Segundo a Polícia Militar, os assaltantes chegaram ao local por volta das 23h30 e renderam um funcionário e um residente do mosteiro, que foram agredidos e mantidos amarrados em uma escada de uma das salas do templo.

Durante a ação, que durou mais de três horas, o bando conseguiu roubar dois computadores, um notebook, uma motoserra, uma cadeira de massagem, R$ 70 em dinheiro, um celular, uma pick-up Chevrolet Montana e duas motocicletas, que foram abandonadas no portão do mosteiro.

Quartos também foram revirados e almofadas foram rasgadas, como se os bandidos estivessem procurando alguma coisa específica. De acordo com relatos das vítimas à policia, eles perguntavam a todo momento sobre um suposto cofre, que, segundo o investigador da Polícia Civil de Ibiraçu, Peterson Simões Pimentel, não existe no local. […] “

. ler o restante da reportagem

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5 Comentários »

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  1. om hara.é lamentavel um acontecimento destes.que sejam tomadas todas as medidas judiciais e de segurança.manifesto aqui toda a minha solidariedade com os irmãos budistas.um dia estas pessoas que fizeram isso,atingiram o estado de buda. um grande abraço cris

  2. Infelizmente a maioria das pessoas da nossa sociedade só pensam em valores materiais e se esquecem que há outros valores…
    Um monge zen, ou monge praticante de qualquer religião, pela sua natureza apenas busca luz, bens espirituais…não existe apego a bens materiais…o ouro que eles procuram é de outra natureza, não física…tem apenas um “cofre” em seus corações onde grande seus valores…
    Fraternalmente
    José

  3. Meu pai nasceu em Vitória no ES, mas passou boa parte de sua infância na pacata Ibiraçu. Perplexo e sem ainda entender direito a brutalidade e covardia com que os funcionários do mosteiro foram submetidos, lembro-me das matérias que já li sobre assaltos a igrejas, templos e até creches de crianças carentes. Lamentável o ocorrido, todos sabem dos trabalhos ambientais e sociais que são desenvolvidos ali, e que é obvio que eles não teriam um cofre. Todos sabem dos esforços que o Abade Daiju San tem enfrentado para manter o mosteiro sempre com dificuldades financeiras.

    Que possam todos os seres se solidarizar neste difícil momento.

    Mãos em gasshô __|__

  4. o budismo ensina a lei do carma: o plantio é libre, mas a colheita é necessária.


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