Diário de um sesshin

dezembro 14, 2010 às 11:24 am | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Mopan

Nos dias 3 a 8 de setembro passado, tive o grande prazer de colaborar, como instrutora e ino, num sesshin da Comunidade Zen-budista de Curitiba sob a orientação do Mestre Dosho Saikawa Roshi, superintendente da escola Soto Zen para a América do Sul, de 3 a 8 de setembro.

O Sesshin foi realizado no Instituto Ciência e Fé, localizado em Piraquara, região metropolitana de Curitiba.

Foram dias maravilhosos num local bucólico.

Recentemente, recebi o seguinte texto de um dos participantes, de  quem recebi a autorização para ser reprodizido aqui no meu blog. Estas palavras captam, com profundidade, o aprendizado que vivenciamos nos sesshins com os verdadeiros mestres:

Diário de um Sesshin

Aprendi em um Sesshin…

Aprendi que ser um condutor é sempre ter paciência, perseverança e calma diante dos erros básicos de quem não tem ainda a plena atenção…

Aprendi que ser um Mestre é compreender e ajudar quem sabe menos a se desenvolver, ao sermos aconselhados a comer os morangos da sobremesa usando uma colher em vez do difícil hachi…

Aprendi que tudo muda e segue em frente, ao fitar a casca vazia do corpo da aranha na parede em meu Zazen…

Aprendi que o frio da manhã atrapalha minha concentração, mas logo esquenta e tudo se resolve…

Aprendi que, se não há eu, não há meu, e se não há meu, não há eu…

Aprendi que, se tudo não sai perfeito, a perfeição está no esforço de se fazer…

Aprendi que aprendemos com todos, independentemente de idade, experiência ou instrução…

Aprendi que ensinamos a todos, independentemente de idade, experiência ou instrução…

Aprendi que os discursos de um Mestre são tão perfeitos e nos ensinam tanto como o canto dos pássaros ou o som do vento nas folhas das árvores ou o ruído da chuva que cai…

Aprendi que crescer é o resultado da determinação de um grupo heterogêneo em se integrar e aprender a caminhar juntos…

Aprendi que não sou eu a dor, pois ela cessa quando o sino toca…

Aprendi que não há facas à mesa, pois estamos em um período de plena paz…

Aprendi que a cerimônia da refeição é perfeita em todos seus detalhes, com a máxima eficiência aplicada dentro de um contexto de beleza, respeito e reverência …

Aprendi que se banhar é uma experiência sublime de conexão, ao fazermos isto prestando total atenção nas partes de nosso corpo…

Aprendi que colher flores para o altar perfaz um belo meditar…

Aprendi que minha serenidade após o Zazen está intimamente conectada ao sino que faço ressoar…

Aprendi que, apesar do Mestre ser servido antes, começamos e terminamos de comer todos juntos…

Aprendi que revezar quem serve a refeição nos ensina a valorizar quando se é servido …

Aprendi que precisamos do Zazen para saltarmos dentro do segundo do agora…

Aprendi que, quanto mais cuidamos do banheiro para não sujar, mais fácil fica de limpá-lo…

Aprendi que no início o Zen se intui, depois se vislumbra e então se vive…

Aprendi que não se nasce pois não se morre…

Aprendi que estamos ali reproduzindo em miniatura a experiência de Buda sob a árvore…

Aprendi que, se a luz do sol em meus olhos atrapalha meu Zazen, em minutos ela irá se mover…

Aprendi que devemos valorizar a linguagem sem nos esquecermos que ela é a base da dualidade…

Aprendi que compaixão é fazer as coisas mais lentamente, de modo que aqueles menos habilidosos possam nos acompanhar sem nervosismo…

Aprendi que Zen é condicionamento para a perfeição…

Aprendi com a cozinha devemos deixar tudo, no mínimo, como encontramos, e, de preferência, melhor e mais limpo…

Aprendi que a idéia do Sesshin não é robotizar o homem, e sim, humanizar o animal que ainda somos …

Aprendi que sempre fazemos tudo juntos para todos, até queimar o lixo dos banheiros…

Aprendi que minha mente é cheia de cães e pássaros…

Aprendi que, às vezes, aquilo de que menos gosto é o que mais me ensina…

Aprendi que só temos o agora para semearmos nosso futuro, então não temos o mínimo tempo a perder…

Aprendi que somos apenas uma suave brisa no verão da vida…

Aprendi.

Obrigado.
Richard Schwarz (Keishin)
Instituto Ciência e Fé
Setembro de 2010

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