Últimas palavras

junho 4, 2009 às 6:41 pm | Publicado em Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Preceitos Budistas, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 Comentário

Numa palestra fantástica sobre “Música e Paixão”, o Regente Benjamin Zender relata uma história que se encaixa de forma maravilhosa nos ensinamentos Budistas sobre a Fala Correta (os Paramitas) e os nossos Preceitos do Bodhisatva sobre a fala.

Eu me pergunto: como seria a minha fala se em cada momento eu me questionasse internamente: “Será que o que estou falando é o que eu gostaria de ter como a última coisa que esta pessoa ouve de mim nesta vida? Será que isto que estou falando ou pensando é o que eu gostaria de ter como as minhas últimas palavras ou pensamentos desta vida?”

Não temos como saber se veremos o nosso ouvinte outra vez nesta vida. Também não temos como saber se ainda estaremos vivos daqui a um segundo. Fingimos que a vida continuará para sempre, que sempre teremos uma outra oportunidade para dizer “eu te amo” ou “eu te perdôo”. Fazemos de conta que sempre teremos tempo para sair das nossas raivas ou daqueles momentos em que nos posicionamos como vítimas. Mas nem sempre é assim. E se hoje fosse o último dia da minha vida – como eu agiria? Como falaria? Como pensaria?

Por mais que a outra pessoa erre, quando vou corrigir a sua ação ou o seu comportamento, será que o seu erro justifica eu atacar o seu caráter, chamando-a de “estúpida”, o rebaixando? O comportamento de uma pessoa não é o mesmo que o seu caráter.

Por mais que eu me ache justificado em ter raiva de alguém e falar mal do outro, será que eu gostaria de ter palavras raivosas como minhas últimas palavras desta vida? Ou palavras de auto-comiseração? Será que eu gostaria de ter fofoca ou conversas frívolas como as minhas últimas palavras?

A história que ele relatou é (retirada da transcrição do vídeo):

“Então, agora eu tenho um último pensamento, que é que realmente faz diferença o que dizemos. As palavras que saem de nossas bocas. Eu aprendi isso de uma mulher que sobreviveu Auschwitz, uma dos raros sobreviventes. Ela foi para Auschwitz quando tinha 15 anos de idade, e seu irmão tinha oito, e os pais estava perdidos. E ela me contou isso, ela disse, “Nós estávamos no trem indo para Auschwitz e eu olhei para baixo e vi que os sapatos do meu irmão estavam faltando. e eu disse, “Porque você é tão estúpido, não pode manter as suas coisas juntas por deus?” — da maneira que uma irmã mais velha pode falar com um irmão mais novo. Infelizmente, isso foi a última coisa que ela disse para para ele porque ela nunca mais viu ele novamente. Ele não sobreviveu. E quando ela saiu de Auschwitz, ela fez uma promessa. Ela me falou isso. Ela disse, “Eu sai de Auschwitz com vida e eu fiz uma promessa. E a promessa era: Eu nunca vou dizer nada que não possa se sustentar como a última coisa que eu diga.” Agora, nós podemos fazer isso? Não – e enganamos a nós mesmos e aos outros. Mas essa é uma possibilidade que podemos viver.”

O vídeo da palestra, que realmente vale a pena assistir, fica no site do TED:
http://www.ted.com/index.php/talks/benjamin_zander_on_music_and_passion.html

Para assistir com legendas em Português:
Clicar em “subtitles” e escolher “portuguese (Brazil)”

Para ler uma transcrição da palestra (disponível em várias línguas):
Na barra lateral, clicar em “interactive transcript” e escolher a língua desejada (como “portuguese (Brazil) ou inglês)”. Clicar em qualquer frase da transcrição leva o internauta àquele trecho do vídeo.

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1 Comentário »

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  1. Muitos de nós levamos realmente a vida como se ela fosse eterna nessa Terra…
    Eu estou com o coração em cacos, pois em menos de 24 horas, eu vi e ouvi e senti muitas das coisas que fazemos, dizemos e pensamos, exatamente por acreditar que não nos fará mal porque vivemos para sempre, ou apenas por acreditar que nossas ações não nos afetarão.

    Cada palavra proferida, tem muita força e não pode mais ser retirada.
    Cada pensamento tem muita força e não podemos “despensar”.

    É importante atrasar um segundo para dizer, mas dizer sem mágoas, sem pesar e sem medo, do que falar rápido, simplesmente por falar, e cometer um erro irreversível…


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