Unidos, somos fortes; divididos, enfraquecemos (1)

fevereiro 10, 2009 às 10:58 am | Publicado em Blogroll, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 Comentário

Como norte-americana, cresci ouvindo muitos dos ditados de figuras famosas da história dos Estados Unidos. Alguns ficaram gravados na minha alma – tais como “Tenho um sonho”, de Martin Luther King e “Não pergunte o que seu país pode fazer para você, mas pergunte o que você pode fazer para o seu país” de John Kennedy.

Recentemente, devido a algumas boas notícias em relação às sangas ocidentais Soto Zen, venho lembrando muito de uma frase patriótica que todo norte-americano carrega gravada no coração: “United we stand, divided we fall!”. Apesar de provavelmente ter a sua origem na Grécia com Aesop (Esopo), esta frase foi adotada como uma inspiração para os norte-americanos em 1768, no início da Revolução Americana, quando se tornou um país independente, e continua ressoando, “viva” até hoje.

Não é fácil traduzir esta frase para o português, pois parece que perde um pouco da magia. O verbo “to stand” aqui nos traz a imagem de pessoas: juntas e em pé vs. separadas e caídas. Assim, podemos traduzir a frase literalmente como “Unidos, nós nos mantemos em pé; divididos, caímos”. Entendemos o significado de: “Unidos, somos fortes; divididos, ficamos fracos”

Em 1967, um monge japonês chamado Taisen Deshimaru foi a Paris e iniciou o seu ensino do Dharma na Europa. Treinou muitos discípulos e foi catalizador da criação de numerosos centros de prática.

Naturalmente, no início, surgiram vários problemas na transmissão da tradição do Japão à Europa, pois as barreiras de língua e as diferenças culturais são imensas. Ainda mais, frequentemente, as diferenças são tão sutis que passam despercebidas até que o “estrago já foi feito”.

Muitos alunos ocidentais tiveram experiências bastante negativas ao treinar em mosteiros japoneses. Naquela época, nem os europeus sabiam como “receber” o treinamento japonês e nem os japoneses tiveram condições de saber lidar com os estrangeiros. Apesar da boa vontade e esforço dos dois lados, simplesmente não dava certo.

Mais ainda, um professor só pode ensinar aquilo que o aluno está disposto e preparado para aprender. A década de 60 foi uma década de muito idealismo e também um período de muitas ideologias anárquicas – contra o “sistema”, contra as hierarquias, as instituições, os rituais – e contra as “regras”. Assim, foi surgindo um conceito do zen como algo libertário – muito individualista e até narcisista, supostamente sem a necessidade de qualquer tipo de organização ou estrutura.

Com traduções de sutras budistas contaminados por crenças “espiritualistas”, sem falar de traduções distorcidas feitas por oponentes do budismo, ainda nem haviam traduções das escritas dos mestres do Zen.

Consequentemente, foram surgindo inúmeros erros de compreensão sobre a prática, sobre o método do treinamento Zen, sobre os ensinamentos – e sobre a instituição Soto Shu japonês.

Depois da morte do Deshimaru Roshi, surgiram divisões entre os grupos, cada um defendendo suas próprias interpretações, métodos e procedimentos – e foram se enfraquecendo.

Com o tempo, veio um amadurecimento do zen europeu e, com isso, muitos dos monges mais velhos passaram a se filiar a Soto Shu. Atualmente a maior parte do zen francês tornou-se oficialmente regularizado com o Soto Shu do Japão e a sede francesa de La Gendronniere tornou-se o centro da Soto Shu na Europa.

Em junho de 2007, foram realizadas cerimônias comemorando os 40 anos do Zen na Europa, com a presençade grandes mestres da Soto Shu.

Este vídeo, em francês, mostra cenas destas cerimônias, bem como entrevistas com líderes do zen francês e, especialmente, grandes mestres japoneses. É com muita alegria que compartilho este vídeo, pois pude ver e ouvir em entrevista, em boa saúde e sem marcas de passagem do tempo, a minha professora de treinamento e Mestre de Combate de Darma, Aoyama Roshi, abadessa do mosteiro feminino de Nagoya, onde treinei durante 4 anos. Quase chorei de emoção. Dupla alegria, porque podemos ver também, meio de passagem, numa das cenas das cerimônias, o meu professor atual, o Saikawa Roshi, Superintendente para a América do Sul.

Nota: Este vídeo foi encontrado no Dailymotion.

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1 Comentário »

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  1. Muito oportuno lembrar a importância de mestre Deishumaru não apeenas para a difusão do zen an França, mas em todo o mundo ocidental.

    José Guilherme, Brasil


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