Entrevista: Compaixão é sentir com amor

maio 2, 2008 às 11:57 pm | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Entrevista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Preceitos Budistas, Revistas - Artigos e Entrevistas, Zen Budismo em Porto Alegre | 3 Comentários

Entrevista publicada recentemente na Revista Bem Estar do jornal Diário da Região (São José do Rio Preto, SP):

Entrevista

Compaixão é sentir com amor

São José do Rio Preto, 6 de abril de 2008
Renata Fernandes

Compaixão, compaixão e compaixão. Essa foi a resposta do francês Matthieu Ricard, considerado o homem mais feliz do mundo, ao ser questionado sobre qual a principal lição que aprendeu com o líder espiritual tibetano Dalai Lama, de quem é co-diretor e tradutor pessoal desde 1989. A entrevista foi publicada na edição de aniversário da revista Bem-Estar no dia 23 de março.
Ao pesquisar o significado da palavra compaixão nos dicionários, é possível verificar a associação da mesma a piedade. No entanto, compaixão não tem a ver com pena, dó. Compaixão está associada ao amor, não julga e necessita de sabedoria espiritual.
Para explicar melhor o que é e como exercitá-la, a revista Bem-Estar traz entrevista exclusiva com a monja Isshin Havens, orientadora espiritual da Sanga Águas da Compaixão de Porto Alegre e membro colaboradora do Colegiado Buddhista Brasileiro. Confira a seguir.

Bem-Estar – Qual a diferença entre piedade (pena) e compaixão? Por que há quem confunda?
Monja – Do ponto de vista budista, a compaixão (karuna em sânscrito e pali) é o desejo que todos os seres – incluindo eu mesmo – possam estar livres de sofrimento. Há um elemento de igualdade essencial ou respeito mútuo básico entre eu e os outros seres devido à interdependência. Envolve a compreensão livre de julgamentos do outro. É considerado um dos Quatro Estados Sublimes (ou Os Quatro Incomensuráveis) a serem cultivados na nossa prática. Os outros três são: Amor-bondade, Alegria-altruísta e Equanimidade (igualdade de ânimo tanto na desgraça quanto na prosperidade). A piedade, ou pena, por outro lado, carrega um certo ar de superioridade e até desdém. Não é fácil chegar à percepção correta da interconexão de todos os seres e, conseqüentemente, à prática da verdadeira compaixão. Vivemos presos à delusão da separatividade, cultuamos a nossa individualidade e vivemos um profundo isolamento interno. Assim, nos percebendo como ‘separados’ dos outros seres, dificilmente podemos nos reconhecer como essencialmente ‘iguais’. Desenvolvemos certa arrogância ou sentimento de sermos ‘especiais’ – que pode se expressar tanto no sentido ‘sou especial, superior aos outros’ quanto no sentido ‘sou especial, inferior aos outros’. Perdidos nessa delusão, fica praticamente impossível desenvolvermos a verdadeira compaixão. E fica igualmente difícil compreender a diferença entre compaixão e pena.

Bem-Estar – Na sua opinião, qual a melhor forma de ‘experimentar’ compaixão?
Monja – A prática budista é especializada no desenvolvimento da compaixão por meio dos três treinamentos: o estudo dos ensinamentos budistas, preferencialmente com o acompanhamento de um professor do Darma; a moralidade (os preceitos budistas) aplicada na convivência diária e a meditação correta. À medida em que a pessoa reconhece vivencialmente a interdependência, tende naturalmente a abrir o coração com compaixão. Mas, para chegar à verdadeira compaixão é preciso também cultivar a sabedoria espiritual, pois a sabedoria e a compaixão são como as duas asas de um pássaro – ambas são necessárias para o correto funcionamento da outra.

Bem-Estar – Qual a relação entre o amor e a compaixão?
Monja – Primeiro temos de esclarecer o que é o amor. Será que é esse amor romântico e possessivo que a gente vê nos filmes? No budismo cultivamos o amor-bondade (metta em pali, maitri em sânscrito), o desejo de que todos os seres sejam felizes – todos sem exceção. Tendemos a confundir sentimentos de apego, posse, sensualidade e desejo de controlar com amor. Acreditamos amar quando na realidade queremos agarrar e segurar perto de nós uma outra pessoa, por acreditar que ela nos trará felicidade. Tentamos controlar as ações de nossos filhos, por exemplo, em nome de ‘amor’. Mas, o amor-bondade verdadeiro se baseia no respeito ao outro, é incondicional e exige um tipo de desapego. O desapego não significa indiferença. Gosto de usar a imagem de estar com um ser pequeno na palma da mão. Se ficarmos com a mão fechada o outro não pode escapar, mas também não pode respirar. Se ficarmos com a mão aberta dando apoio e liberdade o outro pode respirar e se movimentar livremente. No entanto, temos de confiar que esse ser vai livremente escolher estar junto com a gente – pelo vínculo do amor (desapego). O amor-bondade prefere que o outro esteja com a gente somente por livre escolha e nunca por medo, obrigação ou qualquer outro tipo de manipulação. Amor-bondade e compaixão são sentimentos ‘vizinhos’. O amor que deseja a felicidade e a compaixão que deseja que o outro seja livre de sofrimento. Pode-se dizer que são aspectos de um mesmo sentimento de bondade e benevolência profundo.

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3 Comentários »

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  1. Obrigada pelo esclarecimento, ouvi muitas vezes a palavra compaixão e não havia compreendido seu significado.
    Mas agora parece mais claro e posso exercita-la de verdade
    Ana

  2. eu também gostei muito disso alem ate trabalho muito na escola sobre o assunto relatadoo ]

    e bom de mais!!!


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