Tibete e a Prática da Compaixão

março 24, 2008 às 10:05 pm | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

O Lama Samten expressou, de uma maneira maravilhosa, a nossa prática da compaixão.

Penso como o Lama, pois vi, com meus próprios olhos, durante minha viagem a Tibete, as atitudes dos tibetanos e dos chineses uns com os outros. Vi o medo dos chineses sendo expresado como autoritarismo.

Quando existe um conflito, embora um dos lados possa ser visto como “agressor” e o outro como “vítima”, quando olhamos com os olhos do plano Absoluto, percebemos que esta visão não é correta. Em um conflito, a verdade maior é que todos os envolvidos estão agindo da melhor forma possível para eles: cada um de acordo com o seu nível de compreensão.

Ainda que acreditemos que as ações de um grupo com relação a outro possam ser péssimas, o Budismo nos ensina que os erros são cometidos pela ação dos Três Venenos: Apego, Aversão e Ignorância (frequentemente traduzidos por Ganância, Raiva e Ignorância). O medo é Aversão e o medo dos chineses é o medo de perder – que vem do Apego – ambos resultados da Ignorância.

Que possamos incluir não somente os tibetanos, mas também os chineses nas nossas preces. Que possamos incluir não somente os iraquianos, mas também os americanos nas nossas preces. Que possamos responder ao ódio, não com mais ódio, mas com compreensão e compaixão. Mesmo que talvez tenhamos que assumir atitudes firmes, que possamos manter a compaixão – este ingrediente essencial para a Cultura da Paz – em nossos corações, para o bem de todos os seres – sem exceções.

Trechos da declaração do Lama Samten:

“Nós budistas estamos aspirando que haja uma solução pacífica para os recentes conflitos no Tibete. Esses eventos me lembram os anos 60 e 70, quando nós tivemos uma repressão muito grande também aqui no Brasil. Na medida em que o governo militar estabeleceu um regime de exceção, no qual a opinião da população não importava, sempre que a população se manifestava de algum modo havia um temor, um verdadeiro medo por partes das autoridades.

Agora, quando eu vejo as notícias, quando vejo as imagens que vêm do Tibete, me vêm à mente essas lembranças. É como se eu estivesse vendo nos chineses, os militares brasileiros dos anos de 60 e 70: um regime fechado, no qual as pessoas tinham grandes dificuldades de expressar suas opiniões. Era um tempo em que falar em paz ou anistia era uma grande subversão.

Quando eu vejo os monges tibetanos, pacificamente, manifestando o que eles acham melhor para o seu país, sua cultura, seus parentes e para o budismo, eu vejo o medo dos chineses de que, repentinamente, a população ache que possa ter opiniões, possa ter idéias. Não só as populações tibetanas dentro da China, mas também outras minorias poderiam eventualmente começar a se manifestar. Eu acredito que há uma tensão desnecessária.

Vocês observem o que aconteceu no Brasil: à medida que nós fomos liberando essa veia autoritária, esse processo autoritário, isso custou susto para muitas pessoas e para os militares também, mas o Brasil melhorou. Hoje nós somos capazes de expressar nossas opiniões sem sustos. Somos capazes de viver conflitos de opinião. Chegamos até mesmo a depor um presidente, sem que houvesse realmente um rompimento da ordem pública.

Nós podíamos rezar pelos chineses, para que eles pudessem passar por esse período de tremor de forma digna. Rezar para que eles não se valessem da violência, que abandonassem esses meios negativos e que pudessem acolher. Se os tibetanos são chineses, como eles consideram, porque não podem expressar suas opiniões? Que seja permitido aos tibetanos expressar suas idéias. […]

Eu aspiro que não nos falte essa compreensão; que não geremos sentimentos negativos, que não tornemos nosso coração apertado e excludente. Isso seria uma tristeza para o nosso grande mestre, que é Sua Santidade, o Dalai Lama. Nós não deveríamos permitir que a ação negativa de alguns tornasse o nosso coração negativo também. A maior batalha, a maior dificuldade, se dá dentro da nossa mente, de tal modo que nós possamos nos manter estáveis, lúcidos, sempre praticando as quatro qualidades incomensuráveis de Compaixão, Amor, Alegria e Equanimidade, em todas as direções.

Agora eu vou fazer a prece das Sete Linhas, aspirando que Sua Santidade mantenha a estabilidade, que os tibetanos tenham a coragem de seguir manifestando de um modo equilibrado e pacífico as suas opiniões e conquistem um espaço em que suas opiniões importem e que as autoridades chinesas conquistem a coragem de dialogar, de entender as opiniões de seus próprios cidadãos. Peço a todos que se unam a essa prece, porque ela tem poder. […]”

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