Ansiedade

agosto 13, 2007 às 2:18 pm | Publicado em Compaixão Zen Budista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

O coração bate acelerado, as mãos tremem – estou ansiosa. Parte de mim está no futuro – um futuro tenebroso. Respiro, volto ao meu centro. A ansiedade passa como uma nuvem no céu, varrida pelo vento. Continuo no meu zazen, focando a minha respiração. A batida do coração se acalma; o corpo, mesmo continuando ereto, relaxa. Mergulho na Paz e Tranqüilidade do zazen profundo. Mergulho para dentro de mim mesma. Mergulho na minha própria essência, a minha Natureza Buda.

Outra vez me distraio. Lembro-me da conta que preciso pagar amanhã. Novamente, acelera o coração. “Será que o cheque que depositei semana passada tem fundos? Será que vou ter o dinheiro para pagar a conta? E se não? O que vou fazer?” Lá vou eu, viajando nos meus pensamentos, saindo do Aqui e Agora. Criando um futuro cheio de problemas. Entro outra vez na ansiedade. Vou inventando uma novela – merecedora de substituir a novela das oito.

Até que, abruptamente, me dou conta que estou no zendo, supostamente sentada em zazen – mas, na realidade, devaneando. Volto à minha prática de zazen, focalizo a minha respiração. Volto para o Aqui e Agora. Está tudo em paz. O zendo está em silêncio.

E assim vai. Trinta minutos de zazen passam neste vai-vem entre manter o foco na minha respiração, no Aqui e Agora e viajar para o Lá e Então dos meus pensamentos.

Mas eu pensei que o zazen era para esvaziar a mente! Não é? Não, não é. O zazen não é para esvaziar a mente – é para “cultivar”, “desenvolver” a mente. Este é o significado da palavra Dhyana (Sânscrito) ou Bhavana  (Pali), que virou Ch’an em Chinês e, por fim, Zen em Japonês. Cultivar e desenvolver o quê? A plena atenção. A plena percepção de si mesmo e da realidade, no Aqui e Agora. Só que é um cultivar “sem fazer.”  É algo que desenvolvemos simplesmente sentando zazen – nos distraindo e voltando, viajando e retornando ao foco – vez após vez até que vira natural, espontâneo.

A função da mente é de produzir pensamentos. Eu não sou os meus pensamentos e não preciso me deixar ser dominado por eles. Não preciso deixar que um pensamento siga o outro, criando histórias do passado, do futuro, de outros lugares, outros espaços. Não preciso me envolver nos dramas que os meus pensamentos criam. Não preciso dar atenção, investir energia nos meus pensamentos. Também não preciso lutar contra eles, resisti-los, tentar pará-los. Posso simplesmente ficar sentado calmamente e olhar para os meus pensamentos como se fossem nuvens no céu, que passam naturalmente. Alguns dias o céu fica cheio de nuvens. Outros dias, há poucas nuvens. Isto é natural. Quanto mais eu simplesmente continuo sentado, focando a minha respiração, me tornando a minha respiração, tanto mais a agitação da minha mente vai se aquietando naturalmente, descansando.

Ao ser perguntado “o que é o Zazen?” um mestre respondeu, “Voltar ao lar e descansar confortavelmente.”

Então, vamos “descansar confortavelmente” em nós mesmos, mergulhando para dentro, plenamente despertos, atentos, à vontade. É isto a nossa prática.

Gassho

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