Qual o significado de Kokusai Fukyôshi (Missionário Internacional)?

agosto 27, 2013 às 2:47 pm | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Professor de Darma Zen Budista, Qual o Significado, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | 2 Comentários

Os monges japoneses que são destacados para trabalhar na divulgação do Soto Zen fora do Japão (no Brasil, Europa, Estados Unidos, etc) recebem o título de Kokusai Fukyôshi (国際布教師, Missionário Internacional).

Monges ocidentais que realizam treinamento oficial em mosteiros japoneses, podem também chegar a serem indicados para esta função. Ao serem aprovados, tornam-se representantes oficiais da Escola Soto Zen japonês, com a responsabilidade de transmitir os ensinamentos de Buda e da prática do Soto Zen tradicional no Ocidente.

Junto com o Monge Denshô Quintero (Comunidade Soto Zen de Colombia), fui honrada com este título durante o encontro dos Missionários Internacionais como parte das Comemorações dos 110 Anos do Soto Zen na América do Sul que foram realizadas nos dias 24 a 26 de agosto no Peru. Os outros Missionários Internacionais sul-americanos (ocidentais) são (por ordem de senioridade): Daiju Bitti Sensei (Mosteiro Zen Morro da Vargem,- Ibiraçu, ES). Coen de Souza Sensei (Zendo Brasil – Tenzui Zendô, São Paulo, SP) e Enjo Stahel Sensei (Templo Taikanji, Pedra Bela, SP). Também contamos com vários missionários internacionais japoneses.

Agradeço todos os meus professores de Darma: Monja Coen (minha professora de ordenação); Shundô Aoyama Roshi (abadessa do mosteiro feminino de Nagoya, Japão e minha professora de treinamento e Combate de Darma); Shûki Onoda Roshi (meu professor de Transmissão de Darma); Naoji Kanou Oshô (que me ofereceu apoio valioso no Japão); Dôshô Saikawa Sôkan Roshi (que me concede apoio e orientação inestimável aqui no Brasil); e ainda, todos os professores de budismo e da vida que tenho encontrado durante a minha jornada. Finalmente, agradeço todos os membros da Sanga Águas da Compaixão – Jisui Zendô pelo seu empenho e prática durante estes anos de caminhada juntos.

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- Sensei
– A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
- Formação de um monge Soto Zen
Qual o significado de Kyôshi (Professor de Darma)?
Qual o significado de Zuise (Debut)?
Qual o significado de Denpô (Transmissão de Darma)?
Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?
Qual o Significado de Hossenshiki (Combate de Darma)?
Qual o Significado de Shuso (Líder dos Noviços)?
Qual o significado de Unsui? (2)
Qual o significado de Unsui? (1)
Qual o Significado de Shukke Tokudo (Ordenação Monástica)?
Ordenação Monástica
– Ordenação Unsui em Florianópolis
Qual o Significado de Jukai (Transmissão dos Preceitos)?
– Os Preceitos do Bodisatva

Qual o significado de Unsui? (2)

julho 26, 2013 às 11:46 am | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 comentário

13-05-12-OrdenacaoFernandoRyushin-006Com a ordenação monástica (Shukke Tokudo), o praticante de zen torna-se um unsui (雲水, nuvem-água), na graduação de jôza (上座, noviço).  Continua sendo um unsui mesmo quando alcança as graduações de shuso (首座, líder dos noviços) e zagen (座元, monge-aprendiz), pois continua em treinamento. Só deixa de ser unsui ao receber a Transmissão de Darma, quando torna-se rikishô (力生, antes das cerimônias de zuise), oshô (和尚, depois das cerimônias de zuise) e, finalmente, kyôshi (教師, sensei, 先生 – professor de darma), quando tenha completado a sua prática em mosteiro de treinamento oficial). Na escola Soto Zen, somente assim que receber a sua licença de kyôshi, com uma graduação de acordo com a duração de seu treinamento em mosteiro oficialmente reconhecido, é que poderá ter os seus próprios alunos e registrar ordenações de novos noviços (futuros monges).

Apesar do fato que não seria totalmente errado, tecnicamente falando, chamar um unsui de “monge”, na minha linhagem isto não é aceito. Há dois motivos principais para isto, dos quais o principal deve-se ao fato que, na nossa cultura como um país predominantemente católico, as pessoas desinformadas acabam interpretando o título como significando que estariam tratando se de um monge já formado e plenamente capacitado a dar ensinamentos. Assim, acabam tratando o unsui, não como um estudante-futuro-monge, mas como um líder a ser respeitado e ouvido.

Apresentar-se como “mais do que é”, mesmo acidentalmente, e permitir que outros o enxerguem como “mais do que é” representa uma violação dos Preceitos do Bodisatva (Preceitos Secundários). Mais ainda, temos visto alunos ficarem sutil, mas gravemente prejudicados na sua própria prática, com os egos inflados, vestindo a “persona de monge” em lugar de aprendendo a reconhecer o ego e sua movimentação, domesticá-lo e desenvolver-se nesta prática da manifestação da essência do ser, até tornar-se “monge livre do ego condicionado” – o que para nós, seria um monge de verdade.

No dia 8 de abril de 2011, tendo terminado todas as formalidades de formação como Professora de Darma (Sensei), dei ordenação monástica para o Fernando Ryûshin Sedano – sem saber, porém que os documentos não haviam sido devidamente registrados ainda nos escritórios centrais da nossa escola e, consequentemente, a minha “licença” oficial como professora de darma não havia sido outorgada. Foi uma questão de burocracia institucional.  Com isto, não pude registrar a sua ordenação na sede da nossa escola e ela passou a ser uma ordenação “extra-oficial”, não-reconhecida oficialmente.

Apesar de ter acontecido uma demora, dificultado mais um pouco pela barreira de língua e a distância, com a ajuda do Mestre Saikawa Roshi, o nosso superintendente para América do Sul, tudo ficou devidamente registrado e a minha “licença” como kyôshi chegou, com a autorização de registrar oficialmente a ordenação de novos unsui.

Kannon&DragonIndependentemente da falta de seu registro oficial na época, já vinha fazendo o meu melhor para treinar ele como jôza (noviço) – e vejo que ele tem feito o seu melhor para aprender como um jôza desde 2011. Recentemente, participou do retiro de treinamento de monges no Zendo Brasil, sob a orientação da Monja Coen, a quem devo profundos agradecimentos.

Para fins de registro oficial na escola Soto Shu, o Fernando Ryûshin Sedano recebeu re-ordenação no dia 18 de julho. O nome de darma “Ryûshin” significa “coração de dragão”. Tradição japonesa nos diz que o salmão – que sobe a montanha contra a correnteza – torna-se um dragão ao chegar no topo. Mais ainda, é o dragão que carrega a Kannon, Bodisatva da Compaixão.

Que Ryûshin-san possa crescer no Darma, me superar, realizar o Caminho de Buda e
levar as Águas da Compaixão a todos os seres, carregado pelo seu dragão…

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Qual o significado de Unsui? (1)

julho 22, 2013 às 6:17 pm | Publicado em Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
Ryûshin-san, Monja Coen e Monja Kokai no Zendo Brasil - julho 2013

Ryûshin-san, Monja Coen e Monja Kokai no Zendo Brasil – julho 2013

Historicamente, o termo unsui (雲水, nuvem-água) refere-se a um noviço ou monge-aprendiz que andava em peregrinação de um mestre a outro (angya 行脚), treinando, questionando e aprendendo. Naturalmente, ele tinha seu professor de ordenação, que supervisionava este processo e que, geralmente, indicava o próximo lugar onde o unsui devia ir praticar. O seu mestre de transmissão de darma, no fim, podia ser o seu mestre inicial de ordenação ou um outro mestre que ele chegou a encontrar durante sua peregrinação e com quem havia uma forte afinidade mútua.

Ouvi, recentemente, num podcast na Internet, um comentário de um norte-americano dizendo que um dos motivos de um suposto declínio no budismo japonês teria sido o fato que a maioria dos monges fazem quase todo o seu treinamento com um único professor, frequentemente o seu pai, não mantendo mais a tradição de angya, não mais fazendo peregrinação de um mestre para outro durante o seu treinamento.

Pessoalmente, não adiciono a minha voz a este tipo de crítica de uma suposta “degeneração” do budismo japonês, pois, como Ocidental, não me sinto qualificada para fazer tais julgamentos. Cada geração de religiosos tende a considerar a sua própria época como um período de “degeneração”, o que, para aquelas pessoas DENTRO de uma tradição ou cultura, pode representar uma crítica saudável – mas, acho que nós, Ocidentais, olhando do ponto de vista DE FORA (mesmo sendo Zen Budistas), não podemos falar em “degeneração” do budismo de um outro país/cultura. No máximo, podemos levantar questionamentos, mas não podemos impor os nossos valores e julgamentos ocidentais sobre as outras culturas.

Assistimos, sim, nos países “desenvolvidos” (incluindo o Japão), uma crescente secularização, com muitas pessoas abandonando a “religião”. Esta secularização não significa “degeneração”.

Tenho encontrado um bom número de monges e monjas japoneses – alguns deles “filhos de templo” (o pai é monge) – e, pessoalmente, não tenho visto esta tal de “degeneração”. Pelo contrário, tenho visto muita dedicação, boa vontade e desejo de servir à comunidade. Considerando o fato que um “monge” continua sendo um ser humano produto de sua própria cultura, sei que nem todos os monges são seres “iluminados” e alguns (poucos) nem são “bons monges”. Alguns poucos, como em qualquer religião ou país, se metem em encrenca e fazem coisas que não deviam fazer. Tenho certeza que são uma minoria absoluta – e, até hoje, não encontrei nenhum destes “monges ruins” japoneses. O próprio “sistema” institucional procura controlar e minimizar os desvios de conduta – e procura garantir um nível de qualidade de treinamento antes de dar o reconhecimento de formação como monge plenamente formado ou conceder licenciamento como Professor de Darma.

São poucos os ocidentais que conhecem como funciona o treinamento de um monge no Japão. O simples fato de ter treinando algum tempinho (três meses – a duração de um visto de turista, por exemplo) num mosteiro japonês não o qualifica para compreender o sistema, especialmente se não fala a língua.

Poucas pessoas sabem que a grande maioria dos monges japoneses possuem, além de seu treinamento monástico, formação universitária – frequentemente em Estudos Budistas. Um templo “comum” recebe as visitas de outros Professores de Darma – tanto para ministrar palestras quanto para que ajudem – ou até oficiem – nas cerimônias formais como Obon e O-higan. Assim, mesmo que treine com o pai, o unsui japonês tem muito contato com outros monges-professores do darma.

Mais ainda, os mosteiros de treinamento oficial precisam cumprir com determinados requisitos para serem reconhecidos oficialmente. Os requisitos incluem pontos como o número e graduação dos professores, o número mínimo de unsui em treinamento, o currículo do treinamento e as instalações físicas. Passam por inspeções regulares  (não me esqueço de quando houve inspeção no mosteiro feminino onde treinei).

Lembro-me também que, durante o meu treinamento no Templo Busshinji de São Paulo, além da Monja Coen (minha professora de ordenação), havia outros professores qualificados – o Shozan Sensei e Tachibana Sensei e outros ‘sempais’ (veteranos). Aprendi com todos eles. Sou extremamente grata à Monja Coen por tudo que ela me ensinou – e também grata aos outros Professores de Darma que estavam lá me ensinando, no início da minha jornada.

No mosteiro, além da abadessa Aoyama Roshi, tivemos vários professoras e professores, algo entre 12 e 15 no total. Um grupo de cinco professoras – todas de linhagens diferentes – se revezavam em pernoitar conosco e, assim, podíamos conversar e trocar de ideias com elas.

Estas experiências me levaram a discordar com aquilo que vejo acontecendo muitas vezes aqui no ocidente, onde a grande maioria treina com somente um único professor de darma, ou num único local onde todos os professores são daquela mesma linhagem, sem experiência com professores de outras linhagens – ou até de outras escolas de budismo.

Por este motivo, resolvi procurar oferecer o máximo possível da experiência de angya aos meus alunos monásticos.  Já temos por costume procurar sempre enviar praticantes da nossa Sanga para os retiros no Templo Busshinji, a nossa sede para América do Sul, atualmente com o Mestre Saikawa Roshi como Sokan (superintendente). Vejo que isto tem beneficiado e fortalecido a nossa sanga. Acredito que todas as sangas brasileiras deveriam cultivar este mesmo costume de enviar representantes para os retiros na sede brasileira da nossa escola, em lugar de se isolarem, independentes, separadas umas das outras, mas não posso mudar o mundo. No caso dos alunos monásticos, além das práticas no Busshinji, pretendo enviá-los para períodos de prática com os vários professores qualificados que temos neste país.

Assim, acabo de enviar o noviço Ryûshin-san para o retiro de treinamento da Monja Coen no Zendo Brasil, o que foi muito bom para ele – e, espero eu, também muito bom para o relacionamento entre as nossas sangas. Agradeço muito a acolhida que ele recebeu e mando lembranças para os meus amigos dos meus próprios tempos lá.

Só senti muito que houve conflito com as datas dos retiros do Zendo Brasil e do Busshinji, pois, desta forma, não pude enviar ele para o retiro de Busshinji também. Tão perto e tão longe – uma pena…

Deixo aqui registrado a minha profunda gratidão à Monja Coen por ter aceito ele como “neto no Darma” e pelo treinamento que ele pôde receber no Zendo Brasil. Também agradeço a Sanga do Zendo Brasil, seus sempais e monges-em-treinamento, muitos deles amigos meus do meu tempo de prática no Zendo Brasil, pela acolhida e solidariedade que ofereceram ao “primo”.

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Qual o significado de Kyôshi (Professor de Darma)?

julho 16, 2013 às 12:28 pm | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Qual o Significado | Deixe um comentário
Tabela das Graduações Monásticas e de Kyôshi (fonte: website de Antaiji)

Tabela das Graduações Monásticas e de Kyôshi (fonte: website do Mosteiro Antaiji)

Na escola Soto Zen, o licenciamento oficial de um monge plenamente formado (Oshô) como Kyôshi 教師 (Professor de Darma) depende de dois fatores: a finalização da prática em mosteiro de treinamento oficialmente reconhecido e a realização das formalidades de Zuise 瑞世.

Atualmente o treinamento em mosteiro oficialmente reconhecido é possível somente no Japão ou, periodicamente, em ango especial organizado pelo Soto Shu nos Estudados Unidos ou Europa atualmente. Este treinamento em mosteiro pode ser realizado antes ou depois da Transmissão de DarmaZuise 瑞世, mas é obrigatório para o reconhecimento oficial como Professor de Darma.

Ao ser aprovado, o novo Kyôshi recebe uma graduação de Professor de Darma baseado no seu tempo de treinamento em mosteiro oficial e diplomas acadêmicas.

Nesta hora, torna-se Professor de Darma e adquire o direito oficial de ser chamado de Sensei 先生.  Mas só passa a poder ter os seus próprios alunos e oficiar cerimônias de Transmissão dos Preceitos Budistas para Leigos (Jukai), e de ordenações monásticas (Shukke Tokudo) se tiver uma graduação de Professor Associado 2ª Classe ou superior, quando também poderá solicitar a autorização para assumir a posição de Monge Titular (Jûshoku 住職) de um templo oficialmente reconhecido, se tal oportunidade se apresentar.

Os primeiros degraus da carreira como Professor de Darma (Kyôshi 教師) podem ser comparados com a carreira acadêmica aproximadamente da seguinte forma, em acordo com a duração do treinamento em mosteiro oficialmente reconhecido como mosteiro de treinamento:
Instrutor, 2ª Classe (Nitô-kyôshi-ho) – em desuso
Instrutor, 1ª Classe (Ittô-kyôshi-ho) – em desuso
Professor Associado, 3ª Classe (Santô-kyôshi, 三等教師) – Sensei, sem autorização de ter seus próprios alunos
Professor Associado, 2ª Classe (Nitô-kyôshi, 二等教師 ) – Sensei, com autorização de ter seus próprios alunos e ordenar novos monges
Professor Associado, 1ª Classe (Ittô-kyôshi, 一等教師)
Professor Pleno (Sei-kyôshi, 正教師)

A partir daí, há várias outras graduações, dependendo da prática, dos cursos, atuação na Sanga, recomendações dos superiores e aprovação pelo Soto Shu.
. Jun-shike (Professor-Mestre Adjunto – qualificado para ser reconhecido como “roshi”, se houver tal recomendação aprovada)
. Shike
(Professor-Mestre)
. Gon-dai-kyôshi

. Dai-kyôshi (limitado a um número máximo de 180 monges. A Aoyama Roshi, abadessa do mosteiro feminino de Nagoya onde a Monja Coen e eu treinamos, é a primeira monja na história do Soto Shu a ser elevada a esta graduação.)
. Gon-dai-kyôjô (limitado a um número máximo de 30 monges)
. Dai-kyôjô (os abades superiores dos dois templos-sede, Eihei-jiSôji-ji)

Ainda existe o Kokusai Fukyôshi (国 際布教師) – Professor de Darma de Propagação Internacional, geralmente traduzido como Missionário. Este título especial – com suas responsabilidades – pode ser concedido para Professores de Darma que atuam fora do Japão, em reconhecimento de seu treinamento e trabalho realizado. O candidato deve ser recomendado por um superior e sua nomeação depende da aprovação no Soto Shu, eventualmente com a necessidade de entrevistas nos escritórios centrais.

Nota: Existem grupos dissidentes, que se separaram da escola legalmente constituída Soto Shu tradicional, criando suas próprias ordens independentes. Duas destas organizações são Sanbô Kyôdan (fundado em 1954) e Zen Peacemakers (fundado em 1996). Estas organizações mantêm uma boa parte da “forma externa” e cerimonial Soto Shu mas acrescentaram o uso do sistema de koans da escola Rinzai. Suas regras são, de certa forma, mais liberais e menos rigorosas que as da Soto Shu. Admitam o reconhecimento de um “Sensei” (“Professor de Darma”) baseado somente na autorização do professor do candidato, sem necessidade de prática em mosteiro de treinamento oficial, e oferecem reconhecimento como “Mestre Zen” a leigos de todas as religiões (budismo, cristianismo, islamismo, judaísmo, etc).

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Ler também: What does it take to become a full-fledged Soto-shu priest?  (em inglês)
. Part 1: Monk´s ordination, risshin and dharma combat
. Part 2: Ten points to keep in mind about dharma transmissio
. Part 3: Ten-e and some words about Zui-se
. Part 4: Zui-se – abbot for the night
. Part 5: Sessa-takuma – ango as life in a rock grinder
. Part 6: Muhô the Zen Nazi

Qual o significado de Zuise (Debut)?

novembro 28, 2011 às 4:40 pm | Publicado em Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Professor de Darma Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 comentário

Nyoi – cetro de oficiante, Sojiji

Depois da Transmissão de Darma, o professor pode solicitar a autorização para enviar o seu aluno, o novo monge (agora na graduação de Rikishô) para  se apresentar nos dois templos-sede da escola (Eiheiji e Sôjiji) para a realização de uma série de formalidades chamada Zuise (瑞世). Os caracteres chineses desta palavra atualmente significam “auspicioso” (zui) e “o mundo” (se), mas aparentemente esta palavra significava, antigamente, “receber promoção” ou “tomar um passo na carreira”.

Estas formalidades representam a oportunidade do monge recém-formado prestar homenagem e gratidão aos fundadores da nossa escola, Mestre Dogen (fundador do templo-mosteiro Eiheiji) e Mestre Keizan (fundador do templo-mosteiro Sôjiji).

Passa a possuir, agora, a graduação monástica de Oshô (和尚) e autorização de usar o kesa da côr saffrão (uma tonalidade de  marrom dourada) e outros cores. Em princípio, o momento de oficiar cerimônias de recitação de sutras no papel de “abade por uma noite”, como parte das formalidades de Zuise em cada um dos dois templos-sede, Eiheiji (fundado pelo Mestre Dogen) e Sôjiji (fundado pelo Mestre Keizan) representa a primeira vez que veste os kesas “oficiais” do Soto Shu (um kesa vermelha com detalhes dourados no Sojiji e o kesa “mokuran” (safrão) no Eiheiji.

Na eventualidade do novo “oshô” ainda não ter completado o treinamento oficial em mosteiro reconhecido, não poderá ainda registrar alunos, dar ordenação monástica, oficiar cerimônia de transmissão dos preceitos leigos ou tornar-se abade (jûshoku) de um templo, apesar do fato de já poder realizar as outras funções de um sacerdote, como oficiar casamentosbatizados, benções em geral, enterros, e outras cerimônias religiosas. Ainda não é oficialmente um “Sensei“.

Se já tiver completado a sua prática em mosteiro oficial de treinamento, ao terminar as formalidades do zuise, poderá solicitar a autorização oficial como Professor de Darma (Sensei), com o seu nível de graduação como professor dependendo do seu tempo de prática em mosteiro de treinamento oficialmente reconhecido e formação acadêmica. Neste caso, estará habilitado a registras alunos, transmitir os preceitos para leigos (Zaike Tokudo ou Jukai) e ordenar novos monges (Shukke Tokudo), além de realizar todas as outras funções de um sacerdote. Neste momento, também poderá receber a autorização necessária para se tornar abade (Jûshoku 住職, Monge Titular) de um templo oficialmente reconhecido.

Foto oficial - Cerimônia de Zuise no Sojiji - Onoda Roshi, Monja Isshin e Kono-san

Foto oficial – Cerimônia de Zuise no Sojiji – Onoda Roshi, Monja Isshin e Kono-san

Na chegada ao templo-sede, na data marcada, é recebido por um atendente e convidado a usar chinelos vermelhos especiais de abade. Depois de tomar chá, recebe ensinamento sobre os procedimentos específicos do templo, uma vez que há detalhes na forma de oficiar cerimônias que são diferentes de um templo para outro. Terminado este ensaio, que pode levar três horas, recebe um jantar finíssimo, toma banho de o-furô (banheira japonesa) e dorme.

Levanta cedo no dia seguinte, às 03:30 hs e faz o início do zazen no “gaitan” (lado de fora do zendô) próximo à entrada do abade. Mas logo é chamado para o início das formalidades de Zuise.

Vai primeiro prestar homenagem ao fundador e primeiros abades do templo. Para isto, entra, talvez pela única vez na vida, numa área reservada, fechada, que fica atrás do altar da Sala dos Fundadores. Oferece incenso e faz uma série de prostrações.

Em seguida, vai para a sala de recepção do abade do templo-sede (Zenji), onde se encontra com  um grupo de seis ou oito monges formados que tomarão parte do “ryôban”(as duas fileiras de monges na área cerimonial principal) para as cerimônias a seguir. Depois de fazer prostrações, ouve a leitura do certificado de Zuise e o recebe das mãos do Abade do templo-sede ou seu representante. Assim que o Abade saia da sala, recebe o chá honorário – primeiro é servida água doce com umeboshi (ameixa em conserva). Em seguida é servido um doce – mas em lugar de comer o doce agora, coloca-se o certificado que acabou de receber em cima do doce e o devolve. Imagino (mas não sei ao certo) que talvez este doce, com o certificado, vai para o altar durante  as recitações de sutras que fazem parte das formalidades de Zuise. Termina esta etapa das formalidades com chá verde.

Hossu – cetro de oficiante, Eiheiji

Nesta hora, o atendente traz o “nyoi” ( 如意, no Sojiji) ou o “hossu” (払子, no Eiheiji), cetros cerimoniais de oficiante. Acompanhado pelo grupo de monges do “ryôban”, vai agora oficiar duas cerimônias de recitação de sutras. A primeira (Zuise Shukutô) é a recitação do Maka Hannya Haramitta Shingyô (Sutra do Coração da Grande Sabedoria) na Sala de Buda e a segunda (Zuise Jôgu) é a recitação do Daihishin Darani (Mantra da Grande Mente de Compaixão) na Sala dos Fundadores.

Não há palavras para descrever a emoção deste momento – oficiando a cerimônia num templo-sede da escola, ouvindo o som da recitação pelas vozes dos aproximadamente 200 monges-em-treinamento e professores do templo-sede. E a plena atenção, mesmo com lágrimas de emoção nos olhos, no esforço de lembrar os “timings” das prostrações e ofertas de incenso e para acertar os detalhes dos movimentos, tais como aproximar-se ao altar e, ao afastar-se do altar lembrar-se de virar em direção horário (no Eiheiji) ou em sentido anti-horário (Sojiji). E o cuidado com a maneira de segurar o “nyoi” (Sojiji) ou de segurar e movimentar o “hossu” (Eiheiji) (os “cetros” de oficiante).

Zuise - Eiheiji, outubro 2011

Zuise – Eiheiji, outubro 2011

Terminadas as duas cerimônias, o novo “Oshô” retorna à sala de recepção. Depois de devolver o “nyoi” ou “hossu” ao atendente, recebe os parabéns dos monges que tomaram parte formando o “ryôban” – e os responde agradecendo a colaboração de todos nas cerimônias. Todos se reverenciem mutuamente com prostrações.

Depois de um momento para a fotografia oficial (se esta foi encomendada), há um encontro com o “Kannin” (Administrador Chefe) do mosteiro (ou seu representante) para um chá e pequeno bate-papo.

Por fim, recebe um café de manhã “espectacular” – com uma quantidade de comida impossível de se comer… .

Termina as formalidades com uma pequena cerimonial de agradecimento e despedida do atendente (zuian) e assistente do atendente (zuiji) que o cuidaram durante todo este processo. Acabaram-se as formalidades – são oito horas da manhã, mais ou menos. Foi um dia muito cheio… .

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– A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
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Ler também: What does it take to become a full-fledged Soto-shu priest?  (em inglês)
. Part 1: Monk´s ordination, risshin and dharma combat
. Part 2: Ten points to keep in mind about dharma transmissio
. Part 3: Ten-e and some words about Zui-se
. Part 4: Zui-se – abbot for the night
. Part 5: Sessa-takuma – ango as life in a rock grinder
. Part 6: Muhô the Zen Nazi

Qual o significado de Denpô (Transmissão de Darma)?

março 1, 2011 às 12:06 pm | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | 2 Comentários

foto: Antaiji

A Transmissão de Darma (denpô, 伝法) representa a finalização do treinamento formal de um monge no Soto Zen (o treinamento “verdadeiro” continua durante toda a vida). O “zagen” (monge-aprendiz) passa para a graduação de “rikishô“, ou monge plenamente formado.

Nesta graduação, o monge possui a autoridade plena necessária para oficiar casamentosbatizados, benções em geral, enterros, e outras cerimônias religiosas.

Em princípio, a Transmissão de Darma significa o reconhecimento, por parte do professor, de “realização” e compreensão/aplicação do Darma, por parte do aluno. Representa uma declaração “pessoal” do professor da qualificação do aluno e sua entrada na Linhagem no Darma (hôkei, 法系) de sucessão do professor.

Há linhagens “fortes”, onde a exigência, por parte do professor, para dar a Transmissão de Darma para um aluno, é bastante alta, mas também existem casos onde a transmissão chega a ser dada basicamente para permitir que uma determinada pessoa assuma como monge titular (jûshoku) de algum templo. Mesmo assim, há requisitos rigorosos de treinamento da escola Soto que devem ser cumpridos para uma pessoa tornar-se um Jûshoku..

Como parte do processo de transmissão, o aluno reverencie os ancestrais de sua linhagem, escreve certos documentos e recebe vários ensinamentos – geralmente num retiro individual de sete dias (chamado “Shihô” 嗣法) – finalizando com duas cerimônias (não abertas ao público): a Transmissão dos Preceitos do Bodistava, (“Denkai” 伝戒) e a Transmissão do Darma (“Denpô” ou “Denbô” 伝法), propriamente dito, no qual o aluno torna-se herdeiro do darma do seu professor e sucessor dele.

No Soto Zen, há três etapas importantes no treinamento de um monge. O aluno pode ter, oficialmente, um professor diferente para cada etapa ou pode realizar todas as três etapas com o mesmo professor. O primeiro professor é o Professor de Ordenação (“jugôshi” ou “shishô“). O segundo é o Professor do Levantamento da Bandeira do Darma, que oficia a Cerminônia de Combate de Darma do aluno (“hôdôshi“), e o terceiro é o Professor de Transmissão de Darma, que é considerado o “Professor Verdadeiro” (“honshi“).

Nas cerimônias de shihô, o aluno presta homenagem ao professor, com numerosas reverências. Mas há um momento no qual o professor presta homenagem ao aluno, numa certa “inversão” dos papéis.

Por isso, é indispensável que haja afinidade, respeito e confiança mútua entre o professor de transmissão e o aluno. Caso contrário, não poderá haver uma transmissão verdadeira, uma vez que, com a Transmissão do Darma, passa a circular – simbolicamente – a mesma sangue nas veias do professor e aluno (que também seria a mesma sangue do todos os mestres da linhagem). Quando há uma transmissão verdadeira, os dois passam as ser, simbolicamente, iguais no despertar – e “Uno” com todos os mestres da linhagem.

A Transmisão de Darma é seguida ainda por outras formalidades: “Ten-e” e “Zuise“. Na troca do manto (“Ten-e“), o novo monge formado deixa de usar o manto preto de “unsui” (monge-em-treinamento) e passa a vestir o manto colorido – geralmente marrom – de monge plenamente formado.

Kesa da côr açafrão

Kesa da côr açafrão

Poderá agora solicitar a autorização para a realização de cerimônias formais nos dois templos sede (Zuise 瑞世, nos templos EiheijiSôjiji), que representarão o seu ingresso público como monge plenamente formado na Ordem Monástica do Soto Shu (Escola Soto Zen). Nesta hora, passa a poder usar o manto açafrão.

Se ainda não foi realizada a prática em mosteiro de treinamento oficialmente reconhecido, ainda não há reconhecimento como Professor de Darma. Mas, se esta prática oficial já foi realizado, ao completar as formalidades de “Zuise“, pode ser solicitado o licenciamento como Professor de Darma (“Sensei” 先生), com a graduação definida de acordo com o tempo desta prática oficial.

Passa a possuir, agora, a qualificação mínima que o dá a possibilidade de seguir para a próxima graduação monástica (Oshô 和尚) e, eventualmente, uma graduação como Professor de Darma, que, se for uma graduação suficientemente alta, autorizará o monge a assumir a plena responsabilidade por um templo, tornando-se Monge Titular ou Jûshoku (住職).

Traduzindo um texto da Internet:

Shiho – Mente para Mente

“Shihô (嗣法) refere-se a uma série de cerimônias em Soto Zen Budismo em que um monge-aprendiz (zagen) recebe a plena ordenação como herdeiro do darma de seu mestre com poderes para transmitir os preceitos e a linhagem para os outros. Uma cerimônia de shihô pode durar de uma a duas semanas, com a cerimônia final composta de duas cerimônias específicas. O primeiro é a transmissão dos preceitos do mestre para o aluno, conhecido como denkai (伝戒), onde o mestre confirma que o aluno tenha manifestado os preceitos no seu dia-a-dia. Nesta cerimónia, o aluno torna-se, “o sangue de Buda”. A segunda, denpô (伝法), é a cerimônia de Transmissão do Darma, onde o aluno herda o Darma e se torna habilitado a transmitir a linhagem. Na cerimônia denpô, o aluno torna-se um ancestral da tradição e recebe um manto e a tigela, entre outros objetos. Também durante a cerimônia de denpô o aluno recebe um certificado de “Shoshike” (que lhe confere a autoridade de realizar Jukai) e também os documentos conhecidos como as “Três Insignias de Transmissão” (Sanmotsu): “shisho” (certificado de herança), “odaiji” (um diagrama que simboliza o Assunto Grande) e “kechimyaku shoden” (linhagem de transmissão do Darma). Após a conclusão destas cerimônias o novo professor se torna independente.”

Texto original (em inglês)

Ler mais:
A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
- Formação de um monge Soto Zen
Qual o significado de Kokusai Fukyôshi (Missionário Internacional)?
Qual o significado de Kyôshi (Professor de Darma)?
Qual o significado de Zuise (Debut)?
Qual o significado de Denpô (Transmissão de Darma)?
Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?
Qual o Significado de Hossenshiki (Combate de Darma)?
Qual o Significado de Shuso (Líder dos Noviços)?
Qual o Significado de Unsui (2)?
Qual o Significado de Unsui (1)?
- Qual o Significado de Shukke Tokudo?
Ordenação Monástica
– Ordenação Unsui em Florianópolis
Qual o Significado de Jukai?
– Os Preceitos do Bodisatva

Ler também: What does it take to become a full-fledged Soto-shu priest?  (em inglês)
. Part 1: Monk´s ordination, risshin and dharma combat
. Part 2: Ten points to keep in mind about dharma transmissio
. Part 3: Ten-e and some words about Zui-se
. Part 4: Zui-se – abbot for the night
. Part 5: Sessa-takuma – ango as life in a rock grinder
. Part 6: Muhô the Zen Nazi

Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?

fevereiro 22, 2011 às 9:26 am | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Preceitos Budistas, Qual o Significado | Deixe um comentário

Gil “Jikai” Gosch mostra seu rakusu (cerimônia de preceitos leigos 19/12/2010)

O Jukai (transmissão dos preceitos) é realizada na cerimônia de Zaike Tokudo (para leigos), como parte da cerimônia de  Shukke Tokudo (ordenação de um monge-noviço) e como parte do processo da Transmissão de Darma (finalização do treinamento formal do monge).

Nestas ocasiões, geralmente é dado um documento de “linhagem de sangue” (kechimyaku 血脈) que simboliza a entrada na “família de Buda”. Neste documento consta a “linhagem no darma” (hôkei, 法系).

A linhagen no darma torna-se especialmente importante no cerimonial de Transmissão de Darma, que finaliza o treinamento formal de um monge. Nesta hora, o monge é reconhecido como um “portador” de sua linhagem. Se já completou a sua prática num mosteiro oficial de treinamento, depois de passar por mais um cerimonial chamado “Zuise” (瑞世, visita formal aos dois templos-sede), torna-se reconhecido formalmente como possuindo plenos poderes de transmitir esta linhagem para outros, oficiando cerimônias de Zaike Tokudo e Shukke Tokudo.

No serviço matinal diário da escola Soto Zen, recitamos a nossa  linhagem – a nossa “árvore geneológica” – que vem desde o Shakyamuni Buda. Geralmente, a linhagem é recitada até o nome do professor do monge titular do templo ou centro de prática. Nos mosteiros, onde se encontram alunos de muitos professores de linhagens diferentes, esta recitação geralmente termina com o nome do Mestre Keizan, uma vez que a grande maioria dos professores de darma no Japão possui a mesma linhagen até este ponto.

Nesta recitação, relembramos todo o processo da transmissão do Darma de mestre para discípulo – de geração à geração – trazendo os ensinamentos até nós. Relembramos que fazemos parte da grande família de Buda. Hoje em dia, as linhagens completas já constam de mais de 90 nomes, enquanto que a versão curta (cujo título é 57 Budas), que é recitada nos mosteiros, contém 61 nomes (seis Budas anteriores, Shakyamuni Buda e 50 Ancestrais de Índia e China, seguidos dos primeiros quatro Mestres no Japão).

Ao pensar na linhagem, temos que considerar o fato de que, na época de Buda, esta era uma tradição oral, com os sutras passando a ser escritos somente mais ou menos 300 anos depois do parinirvana do Buda. Mesmo depois disto, muitos documentos se perderam e muita informação ficou para trás naquelas nuvens do tempo.

Por isso, não existem documentos suficientes para uma reconstrução precisa dos nomes anteriores do nome do Sexto Ancestral, Daikan Enô Daioshô (Hui Neng).  A partir dele, os nomes tornam-se cada vez mais “documentados” e confiáveis, no sentido acadêmico.

Então, se parte desta linhagem que recitamos é “mítico”, por que motivo fazemos esta recitação?

Não é a precisão histórica documentada que é o aspecto mais importante para a nossa prática.

Ao recitar a nossa linhagem, lembramos que somos parte de uma grande corrente de transmissão dos ensinamentos de Buda, uma corrente que flui já faz 2.600 anos. Lembramos que somos herdeiros de algo “insuperável” – o Caminho de Buda – como dizemos na recitação dos Versos do Bodisatva.

Invocamos a “energia” de nossa linhagem para apoiar a nossa prática. Mais importante de tudo, lembramos que somo todos UM.

Eles estão aqui conosco – não fora de nós, não lá quantos anos atrás no passado. Metaforicamente, é o sangue de todos eles que corre ems nossas veias.

Falando sobre o serviço vespertino da nossa tradição, a Sensei Eve Myonen Marko disse:

“Estamos, na realidade, convidando aquelas manifestações [deles que já estão em nós mesmos] a aparecer. Somos os Budas e Bodisatvas. Somos os Três Tesouros: Buda, Darma e Sanga. Somos as formas sem-forma através do tempo e do espaço.”

“Somos o Manjusri Bodisatva, cortando a delusão. Sendo Avalokitesvara, somos não somente aquele que escuta todos os sons do universo; somos os sons do universo. Escutamos aos sons do universo sendo todos aqueles sons. E sendo com o nosso mestre original, Shakyamuni Buda, Shakyamuni Buda está aqui mesmo – não simplesmente um cara que viveu 2500 anos atrás – e ele mesmo falou isso. Na Sutra da Flor de Lótus, ele fala que quando as pessoas  realmente pratiquem e realmente desejam que isto se manifeste, ‘Eu e toda a minha assembleia aparecemom no Pico dos Abutres’. E isso não significa somente o Pico dos Abutres, significa nós mesmos, aqui em National City, no Sweetwater Zendo [local onde ela estava dando esta palestra]. Quando fazemos aquele serviço, Shakyamuni está presente. E sendo UNO com a linhagem desde Mahakashapa Sonja (Makakashô Daioshô), a linhagem não é simplesmente alguns caras com nomes esquisitos que recitamos de tempos em tempos, ou mulheres cujos nomes estranhos recitamos. É aqui mesmo dentro deste círculo, eles são nós, eles estão aqui mesmo, ouvindo e conversando – agora mesmo – e fazendo aquela cerimônia e sendo servidos quando fazemos aquele serviço.”

Que possamos, junto com todos os seres, vivenciar plenamente esta unidade com todos os mestres – e com todo o universo!

Ler um texto do Monge Genshô sobre Linhagem, publicado no blog O Pico da Montanha

Ler mais:
– A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
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Ordenação Monástica
– Ordenação Unsui em Florianópolis
Qual o Significado de Jukai?
– Os Preceitos do Bodisatva

Qual o significado de Samu (Prática da Atividade Diária)?

outubro 13, 2009 às 11:27 am | Publicado em Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | 6 Comentários

ZenFriends12-3Web1Samu – Meditação em Ação, a Prática da Atividade Diária

Na nossa prática Zen Budista, temos vários atividades que focalizam diferentes aspectos de nosso treinamento: o Zazen (meditação sentada), o Kinhin (meditação andando), a Prática do Cerimonial (meditação no ritual) e o Samu, que é a Prática da Atividade Diária (meditação em ação). A prática do Samu, em particular, é traduzida pelos praticantes em quase todos os centros de prática como “trabalho” Mas é preciso observar que a palavra “trabalho” pode trazer muitas conotações negativas.

Na tradição judiaco-cristã, por exemplo, o trabalho foi o castigo dado ao homem por ter comido da maçã do conhecimento do bem e do mal (a dualidade). De certa forma, como “Deus descansou no sétimo dia”, parece que a grande meta da vida tornou-se poder “descansar”, desfrutar do ócio. Frequentemente, em casa, depois do “trabalho”, dizemos que estamos “cansados” quando alguém nos pede para ajudar com uma tarefa da casa, como ajudar a secar a louça. No entanto, quando alguém nos convida para jogar futebol ou ir dançar, de repente já não estamos mais “cansados”. O fato é que secar a louça gasta muito menos energia do que jogar futebol ou dançar, mas costumamos definir a terefa de secar a louça como “trabalho” e jogar futebol e dançar como “divertimento”.

Os Estados Unidos, que é um país predominantemente protestante, se beneficiou da interpretação do “trabalho como meio de salvação” – a “ética do trabalho”. Como resultado, o trabalho é valorizado e muitos adolescentes cortam a grama ou cuidam das crianças do vizinho (“babysitting”), entregam jornais e fazem numerosas pequenas tarefas para ganhar um trocadinho e complementar as suas mesadas.

Tentem imaginar isso no Brasil – é quase impossível! Afinal, o Brasil é um país predominantemente católico e não herdou esta “ética do trabalho”. Mais ainda, o Brasil foi um país escravista e, como conseqüencia, traz  na mente inconsciente coletiva uma atitude que diz que trabalhar é para os “escravos”, não para as pessoas “dignas”. E pior, quem “manda” nos escravos é um “capataz”, um “maldoso”.

A cultura popular fala da “malandragem” e do “levar vantagem” como se fossem qualidades positivas. Finalmente, a retórica esquerdista argumenta que os trabalhadores estão sempre sendo “explorados” pelos empresários, e que estes roubam do povo. Este retórica coloca os trabalhadores sempre no papel de vítimas e “demoniza” sempre os empresários.

Conseqüentemente vejo numerosos conflitos internos em muitos brasileiros em relação ao trabalho. Vejo muito sofrimento desnecessário, devido a estas atitudes.

Com a “demonização” dos empresários e o fim da escravidão, até mesmo as pessoas bem-sucedidas na sociedade brasileira com freqüência se vêem enfrentando conflitos internos entre a sua vontade de “subir na vida” e estes conceitos negativos sobre o trabalho que estão na mente coletiva inconsciente. Pior ainda: às vezes, ao “subir na vida, ao se tornaram “bem-sucedidos”,  se tornam alvos do preconceito dos outros, como se fossem ladrões e capatazes.

Saikawa Roshi varre o chão do Templo Busshinji

Saikawa Roshi varre o chão do Templo Busshinji

Com tudo isso, a prática Zen Budista na qual vejo maior resistência entre os praticantes é justamente o Samu, a Prática da Atividade Diária ou a Meditação em Ação. As Sangas relacionados com o nosso grupo atualmente funcionam em espaços de academias de artes marciais e uma parte da nossa prática é de montar a sala com os zabutons, zafus e altar para a nossa prática Zen e, depois, desmontar a sala, deixando-a em ordem para a prática das artes marciais.

É quase cômico observar como alguns dos praticantes chegam – como se estivessem cronometrando – justamente assim que a sala termina de ficar montada, pronta para o Zazen. Se uma pessoa interpreta o Samu como “trabalho”, é natural que não queira participar do Samu. Afinal, ninguém é louco!

Pelo outro lado, é muito gratificante notar como, depois de um tempo de ajudar a desmontar a sala meio “contra a vontade”, “de cortesia, para não deixar a monja sozinha”, etc, os membros da Sanga já demonstram prazer em praticar o Samu de desmontar a sala, e estão aprendendo a “fluir” nas atividades. Sem necessidade de alguém “supervisionando”, as tarefas acabem sendo realizadas, a sala é entregue para as práticas das artes marciais e os nossos objetos são guardados. Não demonstram pressa para “ir embora”. Saímos todos juntos, quando tudo ficou pronto. O Samu deixou de ser visto como “trabalho”.

Saikawa Roshi Cozinhando

Bem, se o Samu não é “trabalho”, então o quê é? Para quê serve?

Vejo um continuum na nossa prática que vai desde o Zazen até o Samu, nos preparando para levar a nossa prática para o mundo “lá fora”, onde não estamos mais cercados por praticantes, por pessoas unidas pela mesma busca espiritual – a nossa Sanga, mas onde estamos cercados por pessoas de todos os tipos e crenças.

No Zazen, a meditação sentada, vamos entrando em contato com o nosso “centro”, com o estado de Paz e Tranquilidade que está aí dentro, disponível para todos nós. Temos poucas distrações, poucos estímulos para nos distrair, facilitando o nosso mergulho interno, facilitando o nosso cultivo deste estado de Paz e Tranquilidade.

Então seguimos para o Kinhin, a meditação andando, onde treinamos a manutenção deste mesmo estado de Paz e Tranquilidade numa ação levemente mais complicada. Precisamos estar atentos ao equilíbrio do corpo ao andar, combinando os nossos passos não apenas com a nossa respiração mas também com o ritmo do grupo, mantendo a mesma distância entre a pessoa à nossa frente e a pessoa atrás de nós.  Lidamos com mais estímulos – as sensações nos pés ao andar, o “cenário” que muda quando mudamos de lugar na sala… No Kinhin também já começamos a entrar em contato com as nossas preferências, na medida em que aparecem aqueles pensamentos como “ele está andando muito rápido” ou ficando irritados ao achar que a pessoa na nossa frente está andando muito devagar. Treinamos não nos deixar ser levados por estes pensamentos e sentimentos.

Depois disso vamos para a Prática do Cerimonial, onde recitamos sutras e participamos de atividades “pré-estruturadas”, com poucas variações. Esta prática é freqüentemente muito mal-compreendida, interpretada como mero “ritual” sem valor. Mas é uma prática riquíssima onde não apenas praticamos harmonizar a nossa voz com a voz do grupo (“recitar as sutras com os ouvidos”) mas também incorporamos os ensinamentos dos sutras através da recitação e treinamos manter o estado de Paz e Tranquilidade – e a plena atenção – ao realizar ações e movimentos cada vez mais complicados – na medida em que passamos a treinar as diferentes posições que fazem parte do cerimonial (sogei, mokugyo, doan, jisha, dennan, etc.). Enfrentamos o nosso medo de errar, os nossos sentimentos mistos (talvez até com rebeldia) ao lidar com a exigência de precisão nos movimentos e a exatidão nos toques com os instrumentos, etc. Entramos em confronto com a nossa falta de atenção ao errar algum detalhe sempre que nos distraímos e deixamos de manter a plena atenção. É aí que muitos praticantes ou partem para o “piloto automático” e ritual “morto” ou entram na resistência, fugindo da prática, sem imaginar o quanto estão perdendo.

Vídeo: Samu no Templo Antaiji, Japão (colheita de arroz)

Finalmente, chegamos ao Samu, a Prática da Atividade Diária, que pode ser entendida como a Meditação em Ação ou a “Medit-Ação”. Frequentemente realizada através das atividades “comuns” como servir o chá, varrer o chão, cozinhar, lavar janelas, também inclui toda e qualquer atividade diária como realizar tarefas no computador, costurar, arrumar uma sala, fazer a contabilidade e o controle financeiro do grupo, escrever cartas, instalar uma estante, etc., etc. e etc. Até mesmo estudar pode ser uma prática de Samu. Pode-se dizer que somente ficariam excluídas as atividades de entretenimento, como assistir filmes ou ouvir música.

Mas o que diferencia estas atividades como “Samu” das mesmas atividades no sentido comum, frequentemente rotuladas como “trabalho”? Ao realizar estas tarefas com o espírito da “prática de Samu”, estamos treinando manter, agora em atividades das mais variadas, aquele mesmo estado de Paz e Tranquilidade que descobrimos no Zazen e que praticamos manter no Kinhin e no Cerimonial. Quando fazemos o nosso Samu junto com outros membros da Sanga, temos o apoio de pessoas com quem temos afinidades, que seguem os mesmos valores e realizam a mesma prática. No entanto, na hora do Samu, entramos em contato com as nossas preferências, os nossos julgamentos. Somos cheios de “eu quero/não quero”, “gosto de fazer isto/não gosto de fazer aquilo”. Por exemplo: “não quero lavar janelas, quero cozinhar!”  “Não quero cozinhar, mas aceito secar pratos!” E quantas opiniões descobrimos ter: “quero fazer do meu jeito”, “aquela pessoa faz errado”, “não gosto de trabalhar junto com fulano”, “aquilo é serviço de mulher!”. Descobrimos a nossa tendência de querer tagarelar ou o nosso hábito de fazer as coisas “no piloto automático” em lugar de silenciosamente manter a plena atenção na nossa atividade. Temos a oportunidade de treinar voltar para o nosso centro, mergulhar no estado de Paz e Tranquilidade, sair das dualidades de nossas preferências, julgamentos e opinões e fluir com a atividade, aprendendo a simplesmente fazer a atividade que está à nossa frente.

Que bela preparação para levar a nossa prática “ao mercado”, ao mundo “lá fora”, à nossa convivência com os outros na nossa família ou em nosso local de trabalho!

Que os méritos de nossa prática se estendem a todos os seres, para que, junto com todos os seres, realizemos o Caminho de Buda!

Qual o Significado de Hossenshiki (Combate de Darma)?

novembro 27, 2008 às 7:08 am | Publicado em Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Preceitos Budistas, Qual o Significado, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 comentário
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hossenshiki13Um dos momentos mais marcantes do treinamento de um monge da tradição Soto Zen é a Cerimônia de Combate do Darma (Hossenshiki ). Em alguns lugares esta cerimônia é realizada no início de seu período de treinamento como Shuso (líder dos noviços) e, em outros lugares, é realizado no final do mesmo período.

É a grande cerimônia pública do “unsui” (monge-em-treinamento), pois a Cerimônia de Transmissão do Darma – que, futuramente, finalizará o seu treinamento formal – é uma cerimônia fechada, particular entre o aluno e seu professor de transmissão (Honshi). A Cerimônia de Combate do Darma é uma cerimônia enérgica e dramática, que pode exigir meses de preparação. Até hoje, fico emocionada quando me lembro da minha , em 2003, no mosteiro feminino em Nagoya, Japão. Foi muito forte.

Mas o que significa esta cerimônia? Em primeiro lugar, representa o final da fase do treinamento como “noviço” (jôza) e a transição para o período de treinamento como “monge-aprendiz” (zagen). Corresponde aproximadamente à formatura do seminário de um futuro presbítero (padre) católico. Não são todos os monges-noviços que recebem o convite de ser shuso – nem todos passam para a etapa seguinte. Nem todos se formam no seminário… Geralmente, porém, quem passa pela Cerimônia de Combate do Darma, recebe a Transmissão do Darma, cedo ou tarde…

Geralmente, representa um reconhecimento público do aluno ter aprendido os aspectos “técnicos” básicos – cerimonial e procedimentos de nossa tradição – e significa o aval do professor de que o aluno tenha alcançado um certo nível de compreensão do Darma, mesmo que essa talvez não seja uma compreensão “profunda” ainda… Alguns professores, porém, nomeiam o shuso por antiguidade. Assim sendo, pode haver variações de acordo com a linhagem.

Nesta cerimônia, o shuso, após a recitação do Sutra do Grande Coração da Compaixão, faz – em bom e alto som – a recitação de um caso do Shôyôroku. Em seguida, recebe do Professor de Treinamento (Hôdôshi), o “shippei”, que simboliza a “espada que tira e dá a vida”. Depois de uma fala de abertura, no qual o shuso “desafia” os presentes a questiona-lo, inicia-se um “mondo” (perguntas e respostas sobre o Darma), durante o qual os outros noviços testam a compreensão do Darma do shuso. Este questionamento pode ser feito de uma forma “formal” e memorizada, usando “casos” históricos – neste caso, o Combate do Darma acontecerá num nível sutil, “energético”. Outras vezes, este questionamento pode ser feito de uma forma “espontânea”, sem que o shuso saiba, de antemão, o teor das perguntas que terá que responder. Como havia duas americanas em treinamento no meu mosteiro na época do meu próprio Combate do Darma, pude ter uma experiência com o questionamento “formal” decorado, em japonês clássico, e o questionamento espontâneo, na minha língua materna, o inglês. Vejo grande valor nos dois sistemas. Aqui no Ocidente, vi cerimônias de “combate do darma” que mais pareciam simples “bate-papos agradáveis” e espero que possamos manter a tradição do “combate”. Acho importante que a “energia” de “combate do darma” seja mantida, pois acredito que pode ser valiosa no desenvolvimento do monge-em-treinamento.

Terminado os questionamentos, o shuso devolve o “shippei” e faz uma fala final que encerra o Combate propriamente dito. A Cerimônia é finalizada com as declamações de poemas de congratulações por parte dos presentes e – fotos…

shushentrance03

Como parte deste cerimonial, no dia anterior à Cerimônia, há uma Palestra do Darma. O atendente do professor (“jisha”) leva um “sambo” (suporte cerimonial) com uma cópia do “Shôyôroku” (“Livro da Serenidade”) até o professor para que este inicie uma Palestra do Darma. Neste momento, o professor formalmente convida o aluno a dar a palestra no seu lugar e o “sambo” é levado até o Shuso, que fará a palestra. No meu caso, porém, não foi possível eu dar qualquer palestra, pois não falava Japonês suficientemente bem. Assim sendo, a Aoyama Roshi deu esta palestra “no meu lugar”. Guardo, com muito carinho, uma foto mostrando eu, depois de receber o “sambo”, o entregando a Aoyama Roshi. Ela, vendo as minhas anotações (a minha “cola”) em “romaji” (letra ocidental), sorriu – e eu sorri de volta – num momento de carinho e cumplicidade… Agradeço este (entre tantos outros) gesto de compaixão desta grande Roshi, a minha Professora de Treinamento (“Hôdôshi”).

Para este cerimonial (a Palestra de Darma e Hossenshiki), o Shuso veste uma faixa branca na parte superior de seu Kesa (manto de Buda) e na parte interior das mangas de seu “koromo”.

Terminado o seu período como noviço-líder (shuso), ainda é um monge-em-treinamento (“unsui” – nuvem-água) mas já é um “sempai”, um veterano, apto a começar o seu treinamento de liderança, inicialmente orientando os noviços e, futuramente, possivelmente, passando a liderar grupos de prática, sob a supervisão de seu professor.

O seu registro como monge-em-treinamento (“unsui”) na Escola Soto Zen (Soto Shu), que tinha um prazo de validade de 10 anos até então, passa a ser um registro definitivo (ainda como monge-em-treinamento) no final do período de treinamento monástico, e, geralmente, corresponde aproximadamente ao término da fase de shuso.

O “unsui” ainda está no meio do caminho de seu treinamento. É um “sempai”, um veterano, mas ainda usa o Kesa preto de monge-em-treinamento…

. Assistir parte de uma cerimônia de Combate do Darma no Japão (em japonês – mesmo assim dá para entender muita coisa do espírito e energia da cerimônia)

. Assistir ao vídeo da Cerimônia de Hossenshiki de Monge Genshô, realizada no dia 17 de outubro de 2008, em Florianópolis:
. Parte 1:

. Assistir ao parte 2

. Ver fotos da minha cerimônia de Hossenshiki, no Mosteiro Feminino em Nagóia, Japão, no ano 2003.

. Ler mais:
– A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
- Formação de um monge Soto Zen
Formação de um monge Soto Zen
Qual o significado de Kokusai Fukyôshi (Missionário Internacional)?
Qual o significado de Zuise (Debut)?
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Ordenação Monástica
– Ordenação Unsui em Florianópolis
Qual o Significado de Jukai?
– Os Preceitos do Bodisatva

. Este texto em espanhol no site Mas que Palabras

Qual o Significado de Shuso (Líder dos Noviços)?

novembro 5, 2008 às 10:54 am | Publicado em Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
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Após algum tempo de treinamento (em média, três anos de treinamento intensivo junto com o professor de ordenação ou num mosteiro), o monge-noviço (jôza) pode ser convidado a se tornar “shuso” (noviço-líder) durante um período de treinamento intensivo (angô), que dura, geralmente, três meses. Este período se inicia com uma cerimônia de “Entrada de Shuso”, quando o novo “shuso” expressa formalmente o seu sentimento de inaptidão para tomar este passo.

Primeira fase da Cerimônia de Entrada como Shuso – Monja Isshin – Mosteiro Feminino em Nagoya, Japão – 2003

Durante o angô, o shuso é encarregado de várias funções, que incluem tocar o sino de despertar todo dia de manhã (assim, é o primeiro dos noviços a se levantar de manhã – mas não é incomum alguns professores ou instrutores se levantarem mais cedo ainda …). O seu samu é de limpar os banheiros. Sim, a tarefa da limpeza dos banheiros é reservado para quem ocupa o cargo mais elevado entre os noviços…

Um noviço torna-se “shuso” por indicação do professor – depois que tenha aprendido o essencial dos procedimentos e cerimonial Soto Zen e quando o professor acredita que o aluno tenha atingido um determinado nível de compreensão do Darma – para poder “defender” o Darma num “combate”.

Alguns professores, porém, nomeiam o shuso por antiguidade. Portanto, pode haver variações de acordo com a linhagem.

Nos mosteiros, tradicionalmente são realizados dois angôs por ano. Isto significa que somente duas pessoas podem se tornar “shuso” por ano. Assim, é uma grande honra ter a oportunidade de treinar como “shuso” num mosteiro como  Eihei-ji ou Sôji-ji, e ser líder de aproximadamente 200 noviços. É mais frequente que o noviço faça o seu treinamento como “shuso” no templo de seu professor de treinamento (que pode ser o seu professor de ordenação ou pode ser um outro professor com que é criado um relacionamento.)

O ponto alto do período como “shuso” é a Cerimônia de Combate de Darma, chamada Hossenshiki.

Ler mais:
– A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
- Formação de um monge Soto Zen
Formação de um monge Soto Zen
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