Cerimônias no Templo Busshinji em novembro
Setembro 27, 2009 at 8:54 pm | In Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Leave a CommentProgramação da cerimônia do cinquentenário do Templo Busshinji

Em novembro será inaugurado o Centro de Treinamento localizado atrás do Templo Busshinji, simultâneamente com o Cinquentenário do Templo. Há um convite a todos os que desejarem participar desta festividade que contará com a presença de autoridades do Soto Zen de todo o mundo.
Programação da cerimônia do cinquentenário do Templo Busshinji
Dia 13 de novembro
10:00 – Recepção do Shumo Socho
. Corte da Faixa de Inauguração e Descerramento da Placa
. Apresentação do novo prédio
11:00 – Cerimônia de Abertura da Imagem do Fundador
11:30 – Cerimônia dos 600 volumes do Sutra Prajna Paramita
12:30 – Banquete no Salão do Pavilhão Dai Kankaku
Dia 14 de Novembro
13:00 – Cerimônia de Abertura do Monumento
13:30 – Palestra
14:30 – Cerimônia Memorial dos Fundadores
15:30 – Cerimônia de Abertura dos Olhos das Imagens Daiguen Shuri Bosatsu e Daruma Soshi
16:30 – Cerimônia Memorial dos Antepassados
17:30 – Cerimônia do Manto Kuyo (Milhões de Luzes)
Dia 15 de Novembro
08:30 – Cerimônia de Recepção do Shumo Socho
09:00 – Cerimônia Memoria dos Monges e Professores falecidos da América do Sul
10:00 – Cerimônia Comemorativa do Cinquentenário do Templo Busshinji
. Entrega do Certificado de Honra ao Mérito de Shumocho para Convidados
11:00 – Cerimônia Memorial para todos os membros
. Entrega do Certificado de Honra ao Mérito do Busshinji para Convidados
Vídeo: O Chamado
Julho 2, 2009 at 11:50 pm | In Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Leave a CommentSegue um vídeo muito bonito, com a narração de nossa amiga Liana Utinguassú, nos lembrando da urgência de aprendermos a viver em harmonia com a Natureza e com as diferentes culturas.
No envio do link do vídeo, escreveu:
“Sonhamos juntos, Realizamos JUNTOS.
Este Vídeo foi passado em Palestra no Mês do Meio Ambiente Banrisul/Programa Reciclar (24/06/2009). Agradecemos sempre pela oportunidade e apoio. Buscamos fazer nossa parte no sentido de gerar visibilidade, sensibilizar e unir forças, em RESPEITO a TERRA e seus filhos, SEGUIMOS caminhando.
“O Guerreiro deve fugir dos Jogos de aparências, pois o tempo é demasiado curto para estratégias de FAZ de conta”. (Carlos Aveline).
“Não bsucando desculpas por Não fazer e sim Razões para Fazer”.
“Nós… PERTENCEMOS À TERRA,
A TERRA MÃE..NÃO NOS PERTENCE “
O TEMPO URGE!
Liana Utinguassú
Servidora/Presidente OSCIP Yvy Kuraxo
Escritora: Obra Publicada: O Chamado da Terra
. www.yvykuraxo.org.br
. http://yvykuraxo.ning.com/.
Últimas palavras
Junho 4, 2009 at 6:41 pm | In Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 CommentNuma palestra fantástica sobre “Música e Paixão”, o Regente Benjamin Zender relata uma história que se encaixa de forma maravilhosa nos ensinamentos Budistas sobre a Fala Correta (os Paramitas) e os nossos Preceitos do Bodhisatva sobre a fala.
Eu me pergunto: como seria a minha fala se em cada momento eu me questionasse internamente: “Será que o que estou falando é o que eu gostaria de ter como a última coisa que esta pessoa ouve de mim nesta vida? Será que isto que estou falando ou pensando é o que eu gostaria de ter como as minhas últimas palavras ou pensamentos desta vida?”
Não temos como saber se veremos o nosso ouvinte outra vez nesta vida. Também não temos como saber se ainda estaremos vivos daqui a um segundo. Fingimos que a vida continuará para sempre, que sempre teremos uma outra oportunidade para dizer “eu te amo” ou “eu te perdôo”. Fazemos de conta que sempre teremos tempo para sair das nossas raivas ou daqueles momentos em que nos posicionamos como vítimas. Mas nem sempre é assim. E se hoje fosse o último dia da minha vida – como eu agiria? Como falaria? Como pensaria?
Por mais que a outra pessoa erre, quando vou corrigir a sua ação ou o seu comportamento, será que o seu erro justifica eu atacar o seu caráter, chamando-a de “estúpida”, o rebaixando? O comportamento de uma pessoa não é o mesmo que o seu caráter.
Por mais que eu me ache justificado em ter raiva de alguém e falar mal do outro, será que eu gostaria de ter palavras raivosas como minhas últimas palavras desta vida? Ou palavras de auto-comiseração? Será que eu gostaria de ter fofoca ou conversas frívolas como as minhas últimas palavras?
A história que ele relatou é (retirada da transcrição do vídeo):
“Então, agora eu tenho um último pensamento, que é que realmente faz diferença o que dizemos. As palavras que saem de nossas bocas. Eu aprendi isso de uma mulher que sobreviveu Auschwitz, uma dos raros sobreviventes. Ela foi para Auschwitz quando tinha 15 anos de idade, e seu irmão tinha oito, e os pais estava perdidos. E ela me contou isso, ela disse, “Nós estávamos no trem indo para Auschwitz e eu olhei para baixo e vi que os sapatos do meu irmão estavam faltando. e eu disse, “Porque você é tão estúpido, não pode manter as suas coisas juntas por deus?” — da maneira que uma irmã mais velha pode falar com um irmão mais novo. Infelizmente, isso foi a última coisa que ela disse para para ele porque ela nunca mais viu ele novamente. Ele não sobreviveu. E quando ela saiu de Auschwitz, ela fez uma promessa. Ela me falou isso. Ela disse, “Eu sai de Auschwitz com vida e eu fiz uma promessa. E a promessa era: Eu nunca vou dizer nada que não possa se sustentar como a última coisa que eu diga.” Agora, nós podemos fazer isso? Não – e enganamos a nós mesmos e aos outros. Mas essa é uma possibilidade que podemos viver.”
O vídeo da palestra, que realmente vale a pena assistir, fica no site do TED:
http://www.ted.com/index.php/talks/benjamin_zander_on_music_and_passion.html
Para assistir com legendas em Português:
Clicar em “subtitles” e escolher “portuguese (Brazil)”
Para ler uma transcrição da palestra (disponível em várias línguas):
Na barra lateral, clicar em “interactive transcript” e escolher a língua desejada (como “portuguese (Brazil) ou inglês)”. Clicar em qualquer frase da transcrição leva o internauta àquele trecho do vídeo.
Em Busca do Espiritual – Entrevista do Jornal Aquarius
Fevereiro 27, 2009 at 11:12 am | In Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Professor de Darma Zen Budista, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | 2 CommentsTrecho da entrevista da Monja Isshin publicada parcialmente na edição impressa de fevereiro, 2009 e na integra no blog do Jornal Aquarius, de Porto Alegre
Qual a diferença básica do Zen Budismo para os outros tipos de budismo?
Todas as escolas Budistas transmitem os mesmos ensinamentos básicos. As diferenças surgem principalmente nas adaptações a cada país e cultura (roupa, por exemplo), na escolha dos textos que serão mais estudados, nos detalhes da interpretação “filosófica” e, principalmente, no estilo da prática. Enquanto que todas as escolas valorizam a meditação, o Zen coloca o Zazen (a meditação Zen) como o eixo central da prática. Ainda mais, o método do treinamento do zen baseia-se nas atividades do dia-a-dia, que podem ser consideradas a meditação vipasana do zen (meditação de plena atenção). No visão do Mestre Dogen, fundador da escola Soto Zen japonês, a prática correta é a iluminação. Por isso, é dada extrema importância à “prática correta” – a “forma” de se portar, os detalhes nos procedimentos, os atos corriqueiros como servir chá ou até atividades como trabalhar no computador, escrever cartas ou cozinhar – todos feitos com plena atenção, com a postura do “ser iluminado” e não do “ego condicionado”. A Iluminação é praticada na convivência com os outros praticantes, na prática dos preceitos nos relacionamentos, com a supervisão de um instrutor autorizado ou de um professor formado. As atividades “comuns” acabam sendo tão importantes para o desenvolvimento da prática zen quanto a meditação sentada. Enquanto que o estudo dos ensinamentos nunca pode ser dispensado, inicialmente é deixado para um segundo momento.
ler a entrevista completa
Qual o Significado de Hossenshiki?
Novembro 27, 2008 at 7:08 am | In Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | Leave a CommentTags: cerimônias zen budistas, Monja Isshin
Um dos momentos mais marcantes do treinamento de um monge da tradição Soto Zen é a Cerimônia de Combate do Darma (Hossenshiki ). Em alguns lugares esta cerimônia é realizada no início de seu período de treinamento como Shuso (líder dos noviços) e, em outros lugares, é realizado no final do mesmo período.
É a grande cerimônia pública do “unsui” (monge-em-treinamento), pois a Cerimônia de Transmissão do Darma – que, futuramente, finalizará o seu treinamento formal – é uma cerimônia fechada, particular entre o aluno e seu professor de transmissão (Honshi). A Cerimônia de Combate do Darma é uma cerimônia enérgica e dramática, que pode exigir meses de preparação. Até hoje, fico emocionada quando me lembro da minha , em 2003, no mosteiro feminino em Nagoya, Japão. Foi muito forte.
Mas o que significa esta cerimônia? Em primeiro lugar, representa o final da fase do treinamento como “noviço” (jôza) e a transição para o período de treinamento como “monge-aprendiz” (zagen). Corresponde aproximadamente à formatura do seminário de um futuro presbítero (padre) católico. Não são todos os monges-noviços que recebem o convite de ser shuso – nem todos passam para a etapa seguinte. Nem todos se formam no seminário… Geralmente, porém, quem passa pela Cerimônia de Combate do Darma, recebe a Transmissão do Darma, cedo ou tarde…
Geralmente, representa um reconhecimento público do aluno ter aprendido os aspectos “técnicos” básicos – cerimonial e procedimentos de nossa tradição – e significa o aval do professor de que o aluno tenha alcançado um certo nível de compreensão do Darma, mesmo que essa talvez não seja uma compreensão “profunda” ainda… Alguns professores, porém, nomeiam o shuso por antiguidade. Assim sendo, pode haver variações de acordo com a linhagem.
Nesta cerimônia, o shuso, após a recitação do Sutra do Grande Coração da Compaixão, faz – em bom e alto som – a recitação de um caso do Shôyôroku. Em seguida, recebe do Professor de Treinamento (Hôdôshi), o “shippei”, que simboliza a “espada que tira e dá a vida”. Depois de uma fala de abertura, no qual o shuso “desafia” os presentes a questiona-lo, inicia-se um “mondo” (perguntas e respostas sobre o Darma), durante o qual os outros noviços testam a compreensão do Darma do shuso. Este questionamento pode ser feito de uma forma “formal” e memorizada, usando “casos” históricos – neste caso, o Combate do Darma acontecerá num nível sutil, “energético”. Outras vezes, este questionamento pode ser feito de uma forma “espontânea”, sem que o shuso saiba, de antemão, o teor das perguntas que terá que responder. Como havia duas americanas em treinamento no meu mosteiro na época do meu próprio Combate do Darma, pude ter uma experiência com o questionamento “formal” decorado, em japonês clássico, e o questionamento espontâneo, na minha língua materna, o inglês. Vejo grande valor nos dois sistemas. Aqui no Ocidente, vi cerimônias de “combate do darma” que mais pareciam simples “bate-papos agradáveis” e espero que possamos manter a tradição do “combate”. Acho importante que a “energia” de “combate do darma” seja mantida, pois acredito que pode ser valiosa no desenvolvimento do monge-em-treinamento.
Terminado os questionamentos, o shuso devolve o “shippei” e faz uma fala final que encerra o Combate propriamente dito. A Cerimônia é finalizada com as declamações de poemas de congratulações por parte dos presentes e – fotos…
Como parte deste cerimonial, no dia anterior à Cerimônia, há uma Palestra do Darma. O atendente do professor (“jisha”) leva um “sambo” (suporte cerimonial) com uma cópia do “Shôyôroku” (“Livro da Serenidade”) até o professor para que este inicie uma Palestra do Darma. Neste momento, o professor formalmente convida o aluno a dar a palestra no seu lugar e o “sambo” é levado até o Shuso, que fará a palestra. No meu caso, porém, não foi possível eu dar qualquer palestra, pois não falava Japonês suficientemente bem. Assim sendo, a Aoyama Roshi deu esta palestra “no meu lugar”. Guardo, com muito carinho, uma foto mostrando eu, depois de receber o “sambo”, o entregando a Aoyama Roshi. Ela, vendo as minhas anotações (a minha “cola”) em “romaji” (letra ocidental), sorriu – e eu sorri de volta – num momento de carinho e cumplicidade… Agradeço este (entre tantos outros) gesto de compaixão desta grande Roshi, a minha Professora de Treinamento (“Hôdôshi”).
Para este cerimonial (a Palestra de Darma e Hossenshiki), o Shuso veste uma faixa branca na parte superior de seu Kesa (manto de Buda) e na parte interior das mangas de seu “koromo”.
Terminado o seu período como noviço-líder (shuso), ainda é um monge-em-treinamento (“unsui” – nuvem-água) mas já é um “sempai”, um veterano, apto a começar o seu treinamento de liderança, inicialmente orientando os noviços e, futuramente, possivelmente, passando a liderar grupos de prática, sob a supervisão de seu professor.
O seu registro como monge-em-treinamento (“unsui”) na Escola Soto Zen (Soto Shu), que tinha um prazo de validade de 10 anos até então, passa a ser um registro definitivo (ainda como monge-em-treinamento) no final do período de treinamento monástico, e, geralmente, corresponde aproximadamente ao término da fase de shuso.
O “unsui” ainda está no meio do caminho de seu treinamento. É um “sempai”, um veterano, mas ainda usa o Kesa preto de monge-em-treinamento…
. Assistir parte de uma cerimônia de Combate do Darma no Japão (em japonês – mesmo assim dá para entender muita coisa do espírito e energia da cerimônia)
. Assistir ao vídeo da Cerimônia de Hossenshiki de Monge Genshô Chalegre, realizada no dia 17 de outubro de 2008, em Florianópolis:
. Parte 1:
. Assistir ao parte 2
. Ver fotos da minha cerimônia de Hossenshiki, no Mosteiro Feminino em Nagóia, Japão, no ano 2003.
. Ler mais:
- Qual o Significado de Shuso?
- Qual o Significado de Jukai?
- Qual o Significado de Shukke Tokudo?
- Ordenação Monástica
- A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
- Retiro Aberto com Saikawa Roshi em Florianópolis
. Este texto em espanhol no site Mas que Palabras
Qual o Significado de Shukke Tokudo?
Outubro 31, 2008 at 3:17 pm | In Blogroll, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 CommentTags: cerimônias zen budistas
A Cerimônia da Ordenação Monástica Soto Zen, Shukke Tokudo (出家得度), representa o momento quando um praticante leigo torna-se monge-noviço ou monja-noviça (Jôza 上座) e entra na primeira fase de seu treinamento, se preparando para cumprir o papel social de sacerdote.
Mas qual o significado de Shukke Tokudo? Para que alguém torna-se monge?
Os ideogramas chineses (kanjis) para “tokudo” (得度) significam “obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem” – a travessia para a outra margem, que é a Iluminação, e os kanjis para “shukke” (出家) significam “sair do lar”. Assim, “shukke tokudo” significa “obter a travessia, saindo do lar, deixando os laços familiares”, enquanto que o “zaike tokudo” significa “obter a travessia, ficando no lar”.
Representa uma mudança na prioridade da vida do indivíduo. E qual é esta nova prioridade?
Tenho ouvido muitas pessoas afirmarem que a prioridade do monge deve ser o “servir os outros” ou “servir o Darma”. Tenho visto muitas pessoas buscarem a ordenação “para se tornar alguém”, “para ganhar um título, uma posição social”, “para salvar pessoas”. Tudo isto pode ser muito bonito – e certamente não diria que estaria completamente errado. Mas, se ao iniciar o caminho, o novo monge-noviço pensa demais em “servir os outros”, ele corre o risco de perder o foco correto e desviar a sua prática, por estar assumindo responsabilidades demais e envolvendo-se com tentativas de “servir os outros” cedo demais, antes de realmente estar corretamente preparado para isto. Neste processo, desvia a atenção do seu interior e da busca da realização de sua Natureza Buda. Pode até acabar usando os ensinamentos budistas, mal-interpretados, para justificar e reforçar comportamentos neuróticos. Quantos bons candidatos acabam se perdendo nos jogos do ego condicionado nestas horas.
Quando pesquisamos os sutras clássicos e os ensinamentos de Mestre Dogen, a mensagem é muito clara: nós nos ordenamos monges para buscar a nossa própria iluminação, por um caminho mais fácil que o caminho do praticante leigo, com as suas preocupações com a família e o trabalho profissional. A iluminação é a prioridade do monge-noviço. Isto é verdade, mesmo na tradição Mahayana, com os Quatro Votos dos Bodisatva – servir e libertar os outros vem depois – depois que tenhamos atingidos algum nível de realização, depois da nossa própria libertação (mesmo que parcial), depois que tenhamos condições de servir os outros com Sabedoria e Compaixão – e a confirmação deste fato por parte dos nossos professores. Primeiro, temos que nos preparar adequadamente.
Portanto, ao receber a ordenação, o candidato torna-se um noviço – um monge-noviço, um estudante – um estudante do Darma, cultivando sua própria iluminação. Ao “deixar o lar”, a sua prioridade não é mais sua família, suas amizades, sua casa, seu trabalho profissional – a sua prioridade absoluta é o cultivo de sua própria mente, sua própria realização do Caminho. Isto é o significado de tornar-se monge-noviço (ou monja-noviça). Não significa, se for casado, que tenha que abandonar o casamento, mas significa, sim, que deve assumir a mudança de prioridade – por isso, na cerimônia de ordenação, são feitas reverências aos pais e familiares, se “despedindo”. Veste agora o manto preto do monge-em-treinamento (o “kesa” preto do “unsui”).
Nas condições ideais, ao receber a ordenação, o monge-noviço entra na fase do treinamento de “calar a boca e limpar o chão”, um período onde é permitido muito pouco contato com o público em geral (quanto menos “aparecer”, melhor) e todo o seu esforço é canalizado em sentar em zazen, praticar o samu (trabalho ou atividade diária) e observar, escutar, perceber – aprender com o corpo e o coração. É o tempo de aprender a fluir, como “unsui” – nuvem-água – que vai onde o vento o leva e se adapta a qualquer recipiente. Para nós ocidentais, se pudermos fazer parte de nosso treinamento num mosteiro oficialmente reconhecido como mosteiro de treinamento, este também pode ser um tempo incrível de aprender a ser simplesmente parte de um grupo – integrado com o grupo – sem qualquer aspecto de querer “ser especial” ou de “ser diferente” – algo quase inconcebível depois de todo o nosso condicionamento cultivando a nossa “individualidade”.
Este treinamento deve ser feito em íntimo convívio com o professor. Isto é a tradição, desde a época de Buda. Na tradição Teravada, o noviço deve morar junto com o seu professor durante um mínimo de cinco anos e, na tradição Soto Zen, não é muito diferente. Infelizmente, aqui no Ocidente, temos muitos noviços que raramente têm a oportunidades de passar mais que alguns poucos dias periodicamente na convivência direta com os seus professores. Isto é uma coisa triste, pois, muitos destes noviços, apesar de toda a sua boa vontade e esforço, acabam desenvolvendo uma espécie de “Budismo-achismo”, baseado mais nas suas próprias interpretações de livros que na prática real e na transmissão dos ensinamentos diretamente de um professor de carne e osso. Tenho encontrado versões de “budismo-hippie”, “budismo-nova era”, “budismo-espirita”…
Tudo isto faz parte da transmissão de uma cultura para outra – quando olhamos a história do budismo, vemos que o processo da transmissão dos ensinamentos da Índia para a China também passou por muitas dificuldades e levou séculos – sim, séculos – para o Budismo se enraizar, se adaptar à nova cultura, e para ficarem clarificadas as distinções entre o Budismo e as religiões-filosofias nativas chinesas, o Taoismo e o Confucionismo. Aqui no Brasil, estamos muito no começo deste processo. Vamos passar por nossas dificuldades, mal-entendidos e confusões. Mas, desde que haja uma única pessoa que tenha compreendido o Darma para continuar a transmissão (e já temos várias pessoas com essa compreensão aqui no Brasil!), o Budismo continuará a crescer no país do verde e amarelo.
. Ouvir a orientação dada pelo Saikawa Roshi, Superintendente Geral da Escola Soto Zen na América do Sul, ao final da (re)ordenação monástica do chileno Meiyô Vargas realizada durante o Retiro Aberto em Florianópolis no dia 17 de outubro de 2008.
. Assistir o vídeo de uma cerimônia de Ordenação Monástica no Japão (em japonês), mostrando o momento em que o Professor de Ordenação, representando o próprio Buda, raspa a parte final do cabelo do candidato – chamado de “shura” – que somente um Buda pode raspar.
. Ler mais:
- Qual o Significado de Jukai?
- Ordenação Monástica
- A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
- Retiro Aberto com Saikawa Roshi em Florianópolis
Este artigo em espanhol no blog Mas que Palabras
Qual o Significado de Jukai?
Outubro 28, 2008 at 11:11 am | In Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Qual o Significado, Zen Budismo em Porto Alegre | 2 CommentsTags: cerimônias zen budistas, Monja Isshin
Qual o significado da Cerimônia da Transmissão dos Preceitos para Leigos (Jukai ou Zaike Tokudo)?
Nesta cerimônia, o praticante leigo do Zen Budismo assume formalmente seu voto de orientar sua vida de acordo com os Dezesseis Preceitos do Bodisatva. Neste momento, também assume um relacionamento com o Professor dos Preceitos e entra formalmente na “Família de Buda” (a Sanga), que, desde a época de Buda, é composta de quatro grupos: os monges, as monjas, os praticantes leigos e os praticantes leigas.
Não é uma ordenação – assim sendo, procuramos evitar o termo “leigo ordenado”, apesar do fato deste termo ter caído no uso comum no Ocidente. Os kanjis (ideogramas chineses) que formam o termo “zaike” (在家) significam “ficar no lar” e os kanjis para “tokudo” (得度) significam literalmente “obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem” – a travessia para a outra margem, que é a Iluminação. Corresponde aproximadamente à confirmação católica ou o batismo protestante e não possui qualquer significado de “colação de grau” ou de algum tipo de “formatura”, nem confere qualquer tipo de “autorização” especial. O termo “monge leigo” definitivamente não existe, por ser uma contradição de termos.
No Japão, raramente é feito qualquer tipo de “curso dos preceitos”, e é por isso que, frequentemente, os Mestres Japoneses realizam a Cerimônia de Transmissão dos Preceitos Leigos para os seus alunos ocidentais sem exigir este pré-requisito. Aqui no Ocidente, porém, devido às diferenças quase inimagináveis entre a cultura Japonesa e a nossa cultura ocidental e as más-compreensões (e até escândalos) que surgiram como resultado, numerosos professores ocidentais de darma já estão exigindo o estudo do significado dos preceitos budistas, em cursos que variam de duração entre 6 semanas até um ano ou mais.
Durante a cerimônia, depois de afirmar três vezes o seu voto de seguir os Preceitos do Bodisatva, o praticante recebe o rakusu (possivelmente costurado por ele mesmo) assinado no verso pelo professor dos preceitos, um nome do darma e, possivelmente, um documento de “linhagem” simbolizando sua entrada na “Família de Buda”.
Dentro de seu grupo de prática, depois de receber o seu rakusu, o praticante geralmente passa a assumir um papel de “monitor”, ajudando a dar as orientações básicas às pessoas mais novas. Mesmo assim, sua prática deve sempre ser voltada para o aprofundamento de sua própria prática, o cultivo de sua própria mente e a caminhada em direção à Iluminação.
. Ouvir a gravação do grupo de praticantes fazendo seus votos com o Saikawa Roshi na cerimônia de Transmissão dos Preceitos realizada no dia 16 de outubro em Florianópolis
. Ler mais:
. A Ordem Monástica da Escola Soto Shu
. Retiro Aberto com Saikawa Roshi em Florianópolis
Este artigo em espanhol no blog Mas que Palabras
Vídeo: Ensaio sobre a Cegueira
Julho 13, 2008 at 2:36 pm | In Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Leave a CommentTags: Blindness (filme 2008), Ensaio sobre a Cegueira, Fernando Meirelles, José Saramago
Encontrei este tesouro no blog de Manoel:
Adaptação da Obra de José Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”. Trabalho de Redação para o Curso de Puplicidade e Propaganda /Faculdade Belas Artes – 2006. Produção: Camila Oliveira, Emerson Soares, Flávia Rodrigues Alves, Gabriela Reda, Karla Nardi e Lucieide Oliveira.
ou copiar e colar este link:
http://br.youtube.com/watch?v=QpIdI7Drg6k&feature=related
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
“A única coisa mais aterrorizante que a cegueira é ser a única que pode enxergar.”
O filme “Blindness”, baseado no livro do José Saramago e dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, será lançando em setembro, 2008.
Ver o trailer do filme
Entrevista: Compaixão é sentir com amor
Maio 2, 2008 at 11:57 pm | In Blogroll, Compaixão Zen Budista, Meditação em Porto Alegre, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 CommentEntrevista publicada recentemente na Revista Bem Estar do jornal Diário da Região (São José do Rio Preto, SP):
Entrevista
Compaixão é sentir com amor
São José do Rio Preto, 6 de abril de 2008
Renata Fernandes
Compaixão, compaixão e compaixão. Essa foi a resposta do francês Matthieu Ricard, considerado o homem mais feliz do mundo, ao ser questionado sobre qual a principal lição que aprendeu com o líder espiritual tibetano Dalai Lama, de quem é co-diretor e tradutor pessoal desde 1989. A entrevista foi publicada na edição de aniversário da revista Bem-Estar no dia 23 de março.
Ao pesquisar o significado da palavra compaixão nos dicionários, é possível verificar a associação da mesma a piedade. No entanto, compaixão não tem a ver com pena, dó. Compaixão está associada ao amor, não julga e necessita de sabedoria espiritual.
Para explicar melhor o que é e como exercitá-la, a revista Bem-Estar traz entrevista exclusiva com a monja Isshin Havens, orientadora espiritual da Sanga Águas da Compaixão de Porto Alegre e membro colaboradora do Colegiado Buddhista Brasileiro. Confira a seguir.
Bem-Estar – Qual a diferença entre piedade (pena) e compaixão? Por que há quem confunda?
Monja – Do ponto de vista budista, a compaixão (karuna em sânscrito e pali) é o desejo que todos os seres – incluindo eu mesmo – possam estar livres de sofrimento. Há um elemento de igualdade essencial ou respeito mútuo básico entre eu e os outros seres devido à interdependência. Envolve a compreensão livre de julgamentos do outro. É considerado um dos Quatro Estados Sublimes (ou Os Quatro Incomensuráveis) a serem cultivados na nossa prática. Os outros três são: Amor-bondade, Alegria-altruísta e Equanimidade (igualdade de ânimo tanto na desgraça quanto na prosperidade). A piedade, ou pena, por outro lado, carrega um certo ar de superioridade e até desdém. Não é fácil chegar à percepção correta da interconexão de todos os seres e, conseqüentemente, à prática da verdadeira compaixão. Vivemos presos à delusão da separatividade, cultuamos a nossa individualidade e vivemos um profundo isolamento interno. Assim, nos percebendo como ’separados’ dos outros seres, dificilmente podemos nos reconhecer como essencialmente ‘iguais’. Desenvolvemos certa arrogância ou sentimento de sermos ‘especiais’ – que pode se expressar tanto no sentido ’sou especial, superior aos outros’ quanto no sentido ’sou especial, inferior aos outros’. Perdidos nessa delusão, fica praticamente impossível desenvolvermos a verdadeira compaixão. E fica igualmente difícil compreender a diferença entre compaixão e pena.
Bem-Estar – Na sua opinião, qual a melhor forma de ‘experimentar’ compaixão?
Monja – A prática budista é especializada no desenvolvimento da compaixão por meio dos três treinamentos: o estudo dos ensinamentos budistas, preferencialmente com o acompanhamento de um professor do Darma; a moralidade (os preceitos budistas) aplicada na convivência diária e a meditação correta. À medida em que a pessoa reconhece vivencialmente a interdependência, tende naturalmente a abrir o coração com compaixão. Mas, para chegar à verdadeira compaixão é preciso também cultivar a sabedoria espiritual, pois a sabedoria e a compaixão são como as duas asas de um pássaro – ambas são necessárias para o correto funcionamento da outra.
Bem-Estar – Qual a relação entre o amor e a compaixão?
Monja – Primeiro temos de esclarecer o que é o amor. Será que é esse amor romântico e possessivo que a gente vê nos filmes? No budismo cultivamos o amor-bondade (metta em pali, maitri em sânscrito), o desejo de que todos os seres sejam felizes – todos sem exceção. Tendemos a confundir sentimentos de apego, posse, sensualidade e desejo de controlar com amor. Acreditamos amar quando na realidade queremos agarrar e segurar perto de nós uma outra pessoa, por acreditar que ela nos trará felicidade. Tentamos controlar as ações de nossos filhos, por exemplo, em nome de ‘amor’. Mas, o amor-bondade verdadeiro se baseia no respeito ao outro, é incondicional e exige um tipo de desapego. O desapego não significa indiferença. Gosto de usar a imagem de estar com um ser pequeno na palma da mão. Se ficarmos com a mão fechada o outro não pode escapar, mas também não pode respirar. Se ficarmos com a mão aberta dando apoio e liberdade o outro pode respirar e se movimentar livremente. No entanto, temos de confiar que esse ser vai livremente escolher estar junto com a gente – pelo vínculo do amor (desapego). O amor-bondade prefere que o outro esteja com a gente somente por livre escolha e nunca por medo, obrigação ou qualquer outro tipo de manipulação. Amor-bondade e compaixão são sentimentos ‘vizinhos’. O amor que deseja a felicidade e a compaixão que deseja que o outro seja livre de sofrimento. Pode-se dizer que são aspectos de um mesmo sentimento de bondade e benevolência profundo.
ler a reportagem completa
Evento contra a Opressão em Myanmar
Outubro 20, 2007 at 11:17 am | In Blogroll, Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Preceitos Budistas, Prática Zen Budista | Leave a CommentRelease do Colegiado Buddhista Brasileiro – CBB
Em vista dos sérios eventos de violação dos Direitos Humanos e violência militar em Myanmar, onde a comunidade buddhista tem mantido o esforço de reivindicar, pacificamente, o retorno da justiça e da democracia assim como o estabelecimento da paz ampla e irrestrita, o Colegiado Buddhista Brasileiro – juntamente com importantes lideranças da sociedade civil brasileira – gostaríamos de convidar a todos para participar do encontro ecumênico a ocorrer no dia 25 de Outubro de 2007, na sede do Templo Busshinji às 20h00.
Neste evento, a comunidade buddhista do Brasil, juntamente com todas as pessoas interessadas no exercício consciente da liberdade e fraternidade para todos os povos do mundo, pretenderá lançar um alerta pacífico em prol da cultura da paz e do bem maior da humanidade.
Sua presença será importante, desejada e muito bem-vinda”.
Em nome do Dharma,
Colegiado Buddhista Brasileiro
http//cbb.bodhimand ala.com
Local: Templo Bushinji
Rua São Joaquim n° 285, CEP: 01508-001 – Liberdade – São Paulo – SP – Brasil
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