Luzes de Natal e Chanucá

dezembro 19, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Blogroll, Diálogo Interreligioso, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Vídeo | Deixe um comentário

Muitos americanos decoram suas casas para o natal com verdadeiros shows de luzes, de uma forma extravagante. Existem até prêmios pelos shows de luzes mais bonitos(? bem, não sei qual é o critério, na realidade…).

Encontrei este vídeo divertido, que expressa ironia em relação ao aspecto comercial do natal (shopping, shopping, shopping) mas que também lembra o Chanucá (Hanukkaha, ou Festival das Luzes) da tradição judaíca, que este ano de 2014, começou no com o pôr do sol do dia 16 termina justamente no pôr do sol do dia 24.

Deixo aqui registrado para os meus amigos Cristãos e Judeus os meus votos de muita Paz e Alegre neste período festiva !!!

No Budismo, respeitamos o natal – no mosteiro, sempre havia uma festinha no dia 25, mas o nosso “natal budista” é celebrado numa época diferente. No budismo japonês, o nascimento de Buda é celebrado no dia 8 de abril com cerimônias religiosas nos templos e com o festival popular chamado Hanamatsuri (Festival das Flores), enquanto que e celebrado como Vesak nos outros países budistas, em datas que variam de acordo com o calendário lunar tradicional de cada país, mas geralmente acontecendo em abril ou maio.

Ler sobre Vesak no Wikipedia (em inglês).

Coragem

dezembro 15, 2014 às 10:35 am | Publicado em Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Vídeo, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

Quantas vezes na vida temos a sensação de que o nosso próximo passo representa uma espécie de salto de um precipício? São aqueles momentos de abrir mão do conhecido, do “seguro”, do confortável, para embarcarmos numa jornada ao novo, ao desconhecido – fora da nossa “zona de conforto”.

Largar de um emprego que odiamos para abrir um negócio próprio; mudar de cidade; sair de casa para morar no nosso próprio apartamento pela primeira vez; pedir a amada em casamento; divorciar-nos de um casamento que azedou – todos estes são exemplos de precipícios.

Ao nos vermos numa encruzilhada – sem ter como voltar para trás, mas talvez paralisados pelo medo – ficamos lá, na beira do precipício, olhando para baixo, para um chão tão distante.

Esquecemos que não somente descansamos nas mãos de Buda, mas que SOMOS uma parte integrante do próprio Buda!

Então, vamos sempre aprofundar a nossa prática até vivenciar a Paz e Tranquilidade, a “segurança sem chão” e o destemor (ausência de medo) que o Budismo nos oferece.

Mas, enquanto não chegamos lá, vamos treinar a fé e a coragem – a coragem que vem do coração determinado e sincero – e seguir o exemplo destes patinhos:

Casamento – Casa de Eventos Villa 305

dezembro 8, 2014 às 9:28 am | Publicado em Blogroll, Casamento Zen Budista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
Casamento de Sarti and Silveira

Casamento de Luciane Sarti and Fausto Silveira

O casal Luciane Gonçalves Sarti e Fausto Magalhães da Silveira selaram os seus votos de casamento religioso no dia 22 de novembro de 2014.

A cerimônia foi realizada na Casa de Eventos Villa 305, Av. Eng. Alfredo Corrêa Daudt, 305 – Porto Alegre/RS e contou com a Assessoria de eventos de Andréia Nlovo de Habil Eventos.

Fotografia: Lisa Roos e equipe.

Casamento – Casa de Portugal

dezembro 5, 2014 às 4:15 pm | Publicado em Blogroll, Casamento Zen Budista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Uncategorized, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário

No dia 27 de setembro, foi realizada a cerimônia religiosa Zen Budista do casamento de Carmen Lúcia Siqueira e Takeshi Nagano.

A cerimônia aconteceu na Casa de Portugal (Av. Bento Gonçalves 8333, Porto Alegre/RS) e contou com o Sr. Ari Santos (tel 3044-1402 / 9935-3288) como Mestre de Cerimônias. O fotógrafo para o evento foi Ario Gonçalves

Este slideshow necessita de JavaScript.

Oficina de Meditação na 1a Feira da Saúde

setembro 28, 2014 às 1:51 pm | Publicado em Eventos, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista | Deixe um comentário
Tags:
Oficina de Introdução à Meditação

Oficina de Introdução à Meditação

Foi um grande prazer poder dirigir uma Oficina de Introdução à Meditação na 1ª Feira da Saúde do Câmpus Restinga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. O evento foi realizado no dia 27 e ofereceu à comunidade, gratuitamente, uma variedade de serviços, oficinas e atividades, incluindo avaliação física, teste de glicose, consultas oftalmológicas, avaliação da pressão arterial, teste de daltonismo, reiki, danças e lutas, meditação e massagem.

Parabéns ao Instituto pela iniciativa!

Diálogo Inter-religioso: Reinauguração da nova Capela Mórmon Moinhos de Vento

setembro 16, 2014 às 9:18 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags:

No dia 10 de setembro tive o prazer de estar presente, representando o Zen-Budismo, na reinauguração do primeiro prédio d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Porto Alegre (os Mórmons).

Durante o evento, tive a oportunidade de assistir a vídeos sobre atividades sociais importantes que são realizadas por voluntários desta igreja, além de poder conhecer novas pessoas e formar novas amizades.

Comprando o Dharma (final)

agosto 25, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas | Deixe um comentário

(continuação da 1ª parte)
A mentalidade consumista contagia os professores também. Notícias de eventos do dharma não anunciam apenas um evento, mas vendem um produto, nesse caso o professor ou o ensinamento. A maioria das propagandas mostra uma foto atrativa de um mestre espiritual sorrindo radiante ou parecendo sábio à distância. Ele ou ela é, assim como a propaganda declara, alguém grandemente realizado, bem respeitado, um mestre totalmente consumado. O tema a ser ensinado é um ensinamento secreto que no passado foi ensinado somente a um número seleto de discípulos qualificados. É o ensinamento supremo através dos qual os mestres anteriores atingiram a iluminação. Você pode receber tudo isso por apenas R$199,00 mais a dana para o professor. Registre-se cedo para reservar um assento. O que aconteceu com o antigo costume de mestres humildes que mantinham suas qualidades ocultas?

Com uma motivação sincera, deixar as pessoas que poderiam se beneficiar de um ensinamento espiritual ou retiro saberem a respeito, é válido e necessário. Precisamos considerar como fazer isso sem exageros em uma cultura que prospera no exagero.

Em uma economia de consumo o sucesso é medido em números. Deste modo muitos professores espirituais esperam que o público que vem aos ensinamentos seja grande, que a dana cresça continuamente, que seus livros vendam bem, e que convites para falar nos programas de televisão e de rádio sejam abundantes. Até que ponto nós decidimos onde vamos ensinar baseados na quantidade de dana que receberemos? É apenas coincidência que muitos professores vão apenas a comunidades ricas? Quantos professores vão a países em desenvolvimento ou a regiões de baixa renda em nosso próprio país, onde a dana é mísera?

São necessários fundos para divulgar os ensinamentos. De que forma os professores podem conseguir apoio consistente com um meio de vida correto? Nós fazemos insinuações, adulamos, ou sutilmente coagimos as pessoas de modo que venham a oferecer dinheiro para nós ou nossa organização? Concedemos aos doadores regalias extras que são negadas aos outros devotos, que podem ser mais sinceros, mas não tão bem de vida? Para promover um produto, ele deve ser atraente a compradores em potencial. O Budismo diz que meios hábeis – ensinar de acordo com a disposição e os interesses dos alunos – são necessários para guiar as pessoas no caminho. Mas, quando nossos meios hábeis degeneram em promoção?

Omitimos certas ideias ou ensinamentos, ou os negamos porque potenciais alunos não gostam deles e parariam de vir? O quanto nós diluímos os ensinamentos das escrituras em nome dos meios hábeis, quando nossa motivação é na verdade atrair e manter um grande número de discípulos?

Nossa mentalidade de consumo como alunos e professores espirituais nos arrasta para longe de realizar nossas aspirações espirituais mais profundas. No Budismo a distinção entre ações espirituais e não espirituais é feita primariamente em termos de motivação. Motivações que buscam apenas a felicidade nesta vida são consideradas mundanas porque focam em nossa própria felicidade imediata; motivações aspirando ao bom renascimento futuro, libertação e iluminação são espirituais porque buscam objetivos de longo prazo que beneficiam a si e a outros.

Ao descrever uma mente que busca a felicidade só nesta vida, o Buda destacava oito preocupações mundanas. Estas oito se dividem em quatro pares: (1) apego a ter dinheiro e posses materiais – desprazer quando não os temos; (2) apego ao elogio, aprovação e palavras que encham o ego – desprazer quando somos criticados; (3) apego a ter uma boa reputação e imagem – desprazer quando elas são manchadas; e (4) apego a objetos agradáveis aos sentidos (visões, sons, cheiros, sabores e objetos táteis) – desprazer quando encontramos objetos desagradáveis aos sentidos. Pessoalmente falando, quando examino meus estados mentais, a maioria deles consiste nestes oito, de tal modo que uma pura motivação do dharma é bem difícil.

O consumismo espiritual claramente se enquadra nas oito preocupações mundanas. Embora seja frequentemente mascarado por racionalizações inteligentes, ele ainda nos escraviza à felicidade só desta vida e sabota nossa nobre aspiração para que nenhuma prática do verdadeiro dharma possa de fato acontecer.

Talvez mais doloroso seja o dano que o consumismo espiritual causa a outros. Ele ameaça a pureza de nossas tradições espirituais aliciando-nos a “ajustar” o significado dos ensinamentos, privando assim as futuras gerações de instruções espirituais puras. Faz com que os outros percam a fé na eficácia da prática porque nos veem ensinando uma coisa, mas agindo de forma contrária. Leva instituições espirituais a criar estruturas que prejudicam as próprias pessoas que prometem ajudar.

Nossa mentalidade de consumo como alunos e professores espirituais nos arrasta para longe de realizar nossas aspirações espirituais mais profundas.

Precisamos nos tornar conscientes de como a mentalidade de consumo funciona em nós e em nossas comunidades e instituições espirituais. Precisamos redespertar o apreço pelo modelo tradicional de um praticante que viva uma vida de simplicidade e humildade, sinceridade e esforço, gentileza e compaixão. Precisamos escolher professores com estas qualidades, cultivar estas qualidades em nós mesmos e guiar nossos alunos para seu desenvolvimento. Precisamos nos lembrar de que o propósito de uma instituição espiritual não é preservar a si mesma, mas facilitar o ensinamento e a prática de uma tradição espiritual. Deveríamos ter uma estrutura institucional suficiente apenas para fazer isto e nada mais. Isto é essencial para manter a vitalidade de nossas tradições espirituais e evitar que elas se tornem conchas vazias.

Os budistas estão tentando introduzir os valores do dharma e estabelecer um papel substancial para o dharma na cultura ocidental, mas a mentalidade de consumo dificulta isto. Nosso desafio coletivo é praticar e ensinar o dharma de maneira que beneficiem a cultura contemporânea e ao mesmo tempo preservem a pureza dos ensinamentos.

Aluna de S. S. o Dalai Lama, Bhikshuni Thubten Chodron é monja desde 1977. Ela é conselheira espiritual da Fundação Dharma Friendship e cofundadora da Sravasti Abbey.

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Josiane Paula Borges e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto originalmente publicado no site http://www.tricycle.com, de autoria de Bhikshuni Thubten Chodron.

Comprando o Dharma

agosto 24, 2014 às 5:22 pm | Publicado em Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas | 2 Comentários

Como conciliar nossos papéis como consumidores e praticantes budistas?

Bhikshuni Thubten Chodron

A cultura do consumo gerou uma classe de consumidores espirituais que trazem seus instintos aquisitivos para a prática do dharma.

Quando nos voltamos para a espiritualidade, podemos pensar que estamos deixando a corrupção do mundo para trás. Mas as nossas velhas maneiras de pensar não desaparecem; elas nos seguem, colorindo a forma como abordamos a prática espiritual. Uma vez que todos fomos criados para sermos bons consumidores – para obter o máximo ao pagar o mínimo -, como estudantes e professores de dharma levamos nossa mentalidade de consumidor direto para nossa prática espiritual.

Como é que o consumismo se manifesta por parte do aluno? Em primeiro lugar, nós vamos às compras em busca do melhor – o melhor grupo, o professor mais realizado, a prática mais elevada. Nós vamos deste lugar para outro, buscando o melhor produto espiritual para “comprar”. Queremos os mais altos ensinamentos, por isso ignoramos as práticas fundamentais. Visualizando-nos como discípulos totalmente qualificados, não vemos muita necessidade de práticas básicas, tais como disciplina ética e contenção dos nossos sentidos; em vez disso, saltamos para o caminho mais avançado.

Como consumidores, nós queremos ser entretidos. Vamos a um centro enquanto o professor é divertido, mas quando ouvimos os mesmos ensinamentos seguidas vezes, a gente se enjoa e busca pelo exótico. Vindo da tradição tibetana, posso dizer que o budismo tibetano nos favorece. Enquanto no Tibete muitas dessas práticas e acessórios são parte da cultura e não vistos como exóticos, no Ocidente se tornaram assim. Há tronos elevados para os professores, panos de brocado para cobrir os assentos e mesas, vestimentas, trompas longas, trompas curtas, sinos, tambores, procissões, recitação em tom grave e, oh sim, chapéus! Os amarelos, os vermelhos, pretos. Com tal parafernália, como poderia alguém em algum momento ficar entediado praticando o budismo tibetano? No entanto, depois de um tempo, tudo isto fica velho, e ficamos com a nossa própria mente, nosso próprio sofrimento. Tendo pouca resistência ou compromisso com a nossa prática ou nossos professores, buscamos um novo estímulo. Nós deixamos de notar que os nossos professores ainda fazem práticas fundamentais e participam de ensinamentos básicos dados por seus mentores espirituais. Nós nos recusamos a ver que a repetição pode ser exatamente do que precisamos ou que explorar a razão do nosso tédio poderia produzir novos insights.

A cultura do consumo é pautada por gratificação instantânea. Dizemos que queremos um relacionamento próximo de um mentor espiritual, mas quando a orientação do mentor desafia nossos desejos ou fisga demais o nosso ego, deixamos de segui-lo. No início da nossa prática, nós professamos ser buscadores espirituais sinceros, em busca da iluminação. Mas, depois da prática sanar nossos problemas imediatos – a precipitação emocional de um divórcio, o luto pela perda de um ente querido, ou os inumeráveis contratempos da vida -, nosso interesse espiritual desaparece, e mais uma vez buscamos a felicidade em bens, relacionamentos românticos, tecnologia e carreira.

No passado, os aspirantes espirituais enfrentavam dificuldades para encontrar professores. Tibetanos atravessaram os Himalayas para encontrar mentores sábios na Índia; Chineses cruzaram o deserto de Takla Makan e as montanhas Karakoram para visitar monastérios e trazer de volta escrituras da Índia. Mas nossa atitude consumista nos levou a esperar resultados com pouco esforço. Nós pensamos: “Por que devemos viajar para ouvir ensinamentos? Nosso professor deveria vir a nós! Temos trabalhos, famílias, vidas tão ocupadas. Não temos tempo para atravessar a cidade, muito menos para ir a outro continente”. Ao esquecermos que o esforço e o empenho do buscador o abrem para os ensinamentos, nos ressentimos de que nossa prática espiritual possa violar as nossas preferências.

Além disso, receber ensinamentos ou fazer práticas espirituais leva tempo, o qual não temos. Pedimos aos nossos professores que “modernizem” os ensinamentos e práticas – para encurtá-los e simplificá-los – para que eles convenientemente se ajustem às nossas vidas. Como consumidores funcionando em um mundo de oferta e demanda, levamos nosso negócio a outro lugar se nossos desejos não são satisfeitos. Budistas asiáticos fazem oferendas para a comunidade monástica para acumular méritos que tragam um bom renascimento. Olhando para eles, nós ocidentais dizemos: “Eles estão fazendo negócios espirituais. Eles estão praticando dana – generosidade – para conseguir algo para si mesmos”. Pensando que somos superiores aos asiáticos que seguem antigas tradições, não contribuímos à comunidade monástica. Agarrando-nos à nossa ética no trabalho, queremos que pretensos favorecidos saiam e consigam um emprego.

E quando ofertamos dana, qual é a nossa atitude? No fim de um retiro, alguém dá uma “palestra sobre dana”, dizendo que dana é generosidade espontânea, mas que devemos pensar em tudo que recebemos do professor, que tem uma família, um carro, uma hipoteca, contas de cartão de crédito, e precisa de nosso apoio financeiro. Dana não se tornou então uma outra maneira de se pagar por serviços prestados? Ao nos empenharmos em cálculos mentais rigorosos para determinar que quantia é razoável para tais serviços, perdemos o propósito de dana, que é se deleitar em presentear e dar de coração. Devemos dar porque queremos ser livres do estorvo da avareza, apreciar o dharma, querer que outros possam ouvir os ensinamentos, e desejar apoiar os praticantes que vivem de forma simples e dedicam seu tempo à pratica e estudo espirituais.

Consumismo alimenta o egocentrismo, e nossa prática espiritual se centraliza no eu, minhas necessidades, minhas preferências, o que funciona para mim. Pensamos: “O que posso conseguir com isso? Como isso irá me beneficiar?”. Então, um centro de dharma, templo, ou monastério se torna um lugar para onde vamos para receber, e não oferecer. Se pensarmos que uma atividade não atende nossas necessidades, não temos tempo ou dinheiro para apoiá-la. Eu visito com frequência um templo asiático onde pais e pessoas que não têm filhos trabalham na cozinha durante o acampamento de verão do dharma para crianças. Por quê? Porque eles gostam de ser uma parte da comunidade. Eles se importam com as crianças e com o futuro da sociedade. Eles querem apoiar atividades que beneficiam outras pessoas. Oferecer é parte de sua prática espiritual, e eles gostam.

Em uma sociedade consumista, nós obtemos status por usar certos produtos. Ser próximo de um professor famoso exalta o status espiritual de um aluno. Fazer com que o professor fique em nossa casa, dirija nosso carro, abençoe nossos objetos religiosos, ou assine uma foto eleva nosso status. Um dos melhores jeitos para se aproximar de um professor é ser um grande doador, obrigando os professores a nos ver para que mostrem sua apreciação. Não queremos doar anonimamente e perder uma possível recompensa.

Nós também conseguimos status possuindo objetos espirituais valiosos. Compramos estátuas bonitas, pinturas requintadas de figuras religiosas e belas fotografias de nossos professores, as quais colocamos em um altar elaborado em nossa casa. Quando nossos amigos espirituais nos visitam, fazemos com que eles admirem nossa coleção de artefatos, mas quando nossos parentes nos visitam, nós discretamente os cobrimos para evitar suas perguntas. Temos os livros espirituais mais atuais (preferencialmente autografados pelo autor), uma almofada confortável para meditação e o requisitado rosário (feito de cristal ou pedra, não de plástico, e abençoado por um ser sagrado).

Além disso, colecionamos eventos espirituais. Podemos divulgar uma lista de retiros ou iniciações de que participamos. Tornamo-nos conhecedores de centros de retiros, os quais avaliamos para os novatos. Gabamo-nos de ouvir um grande número de ensinamentos de professores famosos. E damos tapinhas em nossas costas por sermos praticantes tão sinceros. (Segue)

 

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Josiane Paula Borges e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto originalmente publicado no site http://www.tricycle.com, de autoria de Bhikshuni Thubten Chodron.

Não é preciso fazer Zazen, portanto é preciso fazer Zazen – Final

julho 25, 2014 às 8:50 am | Publicado em Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas | Deixe um comentário

(continuação da 1ª parte)
Não lhe falta nada. Não lhe falta nada, por isso você pratica. Por essa razão você deve realizar e manifestar essa não falta, essa vida realizada, essa vida desperta que você é. Manifestar essa função de sabedoria compassiva que você é. Parafraseando Dōgen Zenji, se você quiser ser uma pessoa assim, assim como você é, você deve fazer assim. Você deve “fazer” essa pessoa que você é, então, você será essa pessoa que você é. Ao invés disso, geralmente nós tentamos fazer outra coisa, e então nos perguntamos por que não somos quem somos. Apesar do fato de não ser verdade, nós acreditamos que não somos aquilo que somos. Então, se acreditarmos que não somos, realmente não seremos o que somos.

Não lhe falta nada. Não lhe falta nenhuma parte da sabedoria e perfeição do Buddha, neste exato momento. Ouvir, respirar; você não difere nem um pouco do Buddha que ouve e respira. Nem por um fio de cabelo. E ainda assim podemos estar distantes. Então, é importante e valioso esclarecer. Ao esclarecer, esta não necessidade se manifesta. Somos o que somos.

O Buddha disse: “Não acredite em algo somente porque eu ou algum grande professor o disse”. Teste por si mesmo. Isso é exatamente o zazen. Prove e teste por si mesmo. É claro que você deve fazer seu próprio zazen. Ninguém pode fazê-lo por você. A única razão para se falar a respeito é apurar e esclarecer o teste. Se você está testando com o zazen da necessidade de fazer, das perdas e ganhos, então, não deixe que isso escape sem que você veja a perda e o ganho, a necessidade de algo e a falta de algo, porque isso mantém você longe do que você é.

Suzuki Rōshi sempre enfatizou o zazen sem ganhos. Onde ganhar surge – não lá fora, com outra pessoa, mas em relação a nós -, onde houver a crença de que falta algo, por favor, esteja atento a isso e pratique habilmente com isso; assim, ganho e falta não irão cegá-lo como o mérito que o Imperador Wu carregava consigo o sobrecarregou e o cegou. Teste.

Não lhe falta nada. Não lhe falta nada, por isso você pratica.

Você tem que fazer os testes adequados. Se o meu carro não dá a partida, se a bateria está arriada, e eu disser “Ok, vou fazer um teste”, e então pegar um calibrador de ar para os pneus, você dirá: “O que está acontecendo com você? O problema não é esse!”. Temos de esclarecer: “Como você testa o carro?”. Da mesma forma, temos de esclarecer como testar.

O Buddha está dizendo: “Você é isto”. Ele não diz: “Eu tenho algo a mais que eu vou dar a você”. Confie em si mesmo, confie em quem você é. Sente-se, respire, mantenha-se ouvindo agora mesmo, ouça agora mesmo. Seja íntimo de si mesmo. Mas você tem que fazê-lo por si mesmo. Se você só tentar entender racionalmente, não vai funcionar. É como um carro precisar de uma bateria nova e nós a deixarmos sobre o banco. Não vai dar a partida no carro. Você tem que ligá-la ao sistema elétrico. Aí a carga elétrica flui. Você tem que ligá-la ao sistema correto. Só pensar a respeito e tentar encaixar isso em nosso padrão de pensamento não vai funcionar. Nada de errado em falar e pensar, mas isso só vai até certo ponto. Da mesma forma que não há nada de errado em deixar coisas no assento ao seu lado; apenas use-as quando for necessário. Então, o Buddha diz que não acredite nisso porque você tenha ouvido as palavras, ou as tenha memorizado: teste. Faça o teste correto, apropriado, hábil. Faça o “zazen-sem-necessidade-de-fazer-zazen”. Então, você será este zazen do tipo “deve-se-fazer-zazen”, a vida prática de “não-precisar-praticar”, “deve-se-praticar”. Você será a sabedoria e a perfeição do Buddha que você é, manifestando compaixão através de sua vida. Nada além disso.

Precisamos ser claros sobre o que estamos fazendo. Aí o zazen que fazemos será o zazen do tipo “sem-necessidade-de-fazer-zazen”, o zazen da prática que é realização desde o comecinho. Zazen do momento único, Buddha do momento único. Você é o Buddha do um minuto, o Buddha dos trintas minutos, o Buddha do dia todo. Você sempre foi isso, desde o início. Já que você é essa pessoa, não outra pessoa, seja essa pessoa. Aqui está o imenso vazio sem virtude de Bodhidharma.

O Buddha disse: “Não acredite em algo somente porque eu ou algum grande professor o disse”. Teste por si mesmo.

Elihu Genmyo Smith é herdeiro do Dharma de Charlotte Joko Beck e cofundador da Escola Zen Ordinary Mind. Atualmente vive em Champaign – Illinois, onde é professor residente do Prairie Zen Center. É autor de “Ordinary Life, Wondrous Life”.

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Bruno Melnic Pir, Josiane Paula Borges e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto originalmente publicado no site http://sweepingzen.com

Não é preciso fazer Zazen, portanto é preciso fazer Zazen – Parte 1

julho 24, 2014 às 9:13 am | Publicado em Professor de Darma Zen Budista, Revistas - Artigos e Entrevistas | 1 comentário

Não é preciso fazer zazen. Não é preciso praticar. Logo, precisamos fazer zazen, precisamos praticar. Percebe? Você vê este não precisar? Infelizmente, muitos de nós, a maior parte do tempo, vivemos em um mundo de precisar e não precisar. “Preciso disto”; “Não preciso daquilo”. E acreditamos profundamente nisso como sendo a verdade sobre quem somos e o que o mundo é. Todos os tipos de efeitos derivam disso: sofrimento, estresse e dor. Isto não é algo novo. Muitos de vocês conhecem o diálogo entre Bodhidharma e o Imperador Wu, no comentário ao primeiro caso do “Registro do Penhasco Azul”. O Imperador pergunta a Bodhidharma: “Eu apoiei a ordenação de monges, construí e mantive templos. Qual o mérito que há nisso?”. “Nenhum”, respondeu Bodhidharma.

Quando fazemos coisas visando ganho ou perda e estamos apegados a ganho e perda, neste momento abandonamos nosso patrimônio. Nós abandonamos quem somos por um mundo de ter mais ou menos, gostar e desgostar. Acreditamos que somos incompletos, ou sedentos por ganhos, necessitando melhorias. Transformamos o zazen em algo que nos tornará melhores, que causará mudanças. Sim, permanecemos sentados, e corpo-mente se aquieta; causa e efeito, os chamados efeitos presentes e futuros do acalmar corpo-mente. Mas, se esse é o limite de nosso zazen, então, bem ali, limitamos quem somos. Este é um zazen que visa lucro – uma prática e uma vida de tentar melhorar e obter algo a mais -, que na realidade desvia do que realmente somos.

Desde o princípio, Dōgen Zenji enfatiza que a prática está na realização, clarificando o mal-entendido que a realização é o resultado da prática, o mal-entendido que o olho do Dharma verdadeiro do maravilhoso tesouro do nirvana resulta de fazer algo e, portanto, de acumular e melhorar. Apesar do fato de oferecermos o mérito da recitação, do incenso, para o bem-estar dos outros… não há mérito. Não há mérito. Não há necessidade. Não lhe falta nada. Percebe? Mas você não acredita.

“Se praticarmos com uma ideia de ganho, estaremos no caminho errado.” Elihu Genmyo Smith

O Buddha disse que todos os seres são a sabedoria e a perfeição de Buddha. O que isto quer dizer? Quer dizer que “não é preciso fazer zazen”. Este é quem você é. Você não acredita nisso algumas vezes. O zazen não é necessário, logo, precisamos fazer zazen. Não deveríamos, devemos! Devemos ser quem somos. Este é o zazen que eu estimulo todos a serem. Esta é a vida que devemos ser.

O que é essa vida do “dever ser”?

Ao ouvir este “sem mérito”, o Imperador Wu fica confuso. Ele gastou uma fortuna, colocou muito esforço nisso, e foi elogiado por muitas pessoas por sua atividade e resultados maravilhosos. Então o Imperador Wu pergunta a Bodhidharma: “Qual é o princípio fundamental, qual é a verdade sagrada?”. Bodhidharma então responde: “Imenso vazio, sem virtudes”. Essa é a verdade de nossa vida, a verdade do zazen. Essa é a verdade, a verdade do ensinamento do Buddha, o budhadharma. Apesar de nosso anseio de nos apegarmos às nossas crenças em melhor e pior, em quais circunstâncias devem ser e quais circunstâncias não devem ser, “quais circunstâncias” significa imenso vazio, sem virtudes. Esse é o zazen do tipo “ter-que-fazer”.

Então, o Imperador Wu pergunta a Bodhidharma: “Quem é você? Quem está na minha frente?”. Bodhidharma revela mais uma vez: “Não sei”.

Por favor, percebam quais formas de barganhas às vezes deixamos entrar no nosso zazen, na nossa prática, e liberem-nas, esvaziemos nossas mãos delas. Não há problema de elas surgirem, mas abram as mãos e as liberem. Ter que fazer zazen não é “Eu devo fazer o zazen para me livrar dessa condição, para melhorá-la”. Imenso vazio, sem virtudes. Senão, vamos continuar acreditando nas histórias de ganho e perda. Nós realmente acreditamos nelas, e de certa forma as reforçamos. Tornamos essas histórias mais verdadeiras para nós, e aí, quanto mais tentamos melhorar, quanto mais tentamos fugir das crenças em carência, mais as carregamos. Apesar do fato de pensarmos que escapamos delas, na mesma proporção de nossos esforços por evitá-las, nós as reproduzimos, mesmo que temporariamente; nós não as vemos, não as sentimos. Porque estamos presos a ganhos, perdas, gostos, desgostos… à medida que falhamos em ser isso que nós somos, essa não necessidade de zazen. Não há necessidade de zazen, então, devemos fazer zazen. O que Bodhidharma fez quando deixou o Imperador Wu? Ele foi embora e se sentou em uma caverna por nove anos. Alguns de vocês já estiveram nessas cavernas, na China. Não há necessidade de se fazer zazen, então, ele se senta durante nove anos. Esse é o zazen sem mérito. É sobre isto que estamos conversando. (Segue)

Não é preciso fazer zazen. Não é preciso praticar. Logo, precisamos fazer zazen, precisamos praticar. Percebe?

Tradução livre do grupo “Tradutores do Zen” (colaboraram neste texto Bruno Melnic Pir, Josiane Paula Borges e Emerson Ricardo Zamprogno; supervisão de Isshin-sensei; revisão ortográfica de Rodrigo Daien). Texto originalmente publicado no site http://sweepingzen.com/, de autoria de Elihu Genmyo Smith (saiba mais sobre o mestre na conclusão deste trabalho).

Próxima Página »

Blog no WordPress.com. | O tema Pool.
Entries e comentários feeds.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.063 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: